A Democracia e o Radicalismo

Da Assembleia constituinte de Portugal de 1975 ao Capitólio dos EUA em 2021

A Democracia é um sistema político que vigora em Portugal desde 1975 até hoje e que assenta em princípios de organização política e sociais definidos pela Constituição de Portugal.

O radicalismo é uma ideologia política que vigora em Portugal desde sempre. O radicalismo é caracterizado por contestar os sistemas políticos do momento, pode ser individual ou coletivo e manifesta-se sempre dentro das fronteiras de cada Estado/País.

Existem muitos tipos de Democracias, a de Portugal está em linha nos seus princípios com os restantes Países da EU.

Existem outras formas de Democracias que divergem um pouco, muito ou totalmente da Portuguesa ou, se quisermos, do modelo europeu. EUA (um pouco), Rússia (muito) ou Venezuela (totalmente).

Em todos estes países a ideologia radical manifesta-se de uma forma ou outra, com mais intensidade ou não, num tempo recente ou a espaços.

Desde sempre o radicalismo foi apresentado com o seu nome próprio, daí o nome radicalismo, ou com outros nomes consoante o interesse ou a moda do momento. O seculo XX viu popularizados nomes como extrema-esquerda ou extrema-direita. Os menos rigorosos ou mais ignorantes também lhes chamam Fascistas, Comunista, Maoistas e outros “istas”.

Não concordo, todas estas ideologias representaram, em tempo passado, sistemas de poder oficial e tiveram também os seus radicais.  

As manifestações radicais, contra os poderes políticos de cada momento evoluíram de extremamente violentas em termos físicos no passado para os dias de hoje em que, quase sempre, são de caracter verbal e pressão política. O objetivo é o de mudar o sistema político vigente no seu todo ou em parte, ao mesmo tempo que o radicalismo violento com consequências passou a ser criminalizado.

Feita esta nota introdutória, no caso de Portugal assisto, por parte de muitos dos que fazem opinião, a uma atitude perante o que se passou nos EUA recentemente despropositada e parcial: condenam o radicalismo da manifestação mas não condenam os efeitos criminosos do radicalismo.

Ao não separarem o que as imagens e relatos mostram: a imensa multidão que se manifestou contra algo que considerava injusto ou incorreto e a pequena multidão que ao invadir o Capitólio (dita casa da Democracia norte-americana) provocou morte, destruição e roubo.

Portugal, no seu passado recente conheceu muitas manifestações semelhantes (felizmente sem mortes) que provocaram destruição e roubo que não provocaram a indignação que hoje se verifica com o que se passou nos EUA.

Para os que em 1975 ainda não eram nascidos ou eram suficientemente jovens e que talvez representem hoje a maioria da população atual, recordo os acontecimentos de 27 de Setembro em que o consulado, a embaixada de Espanha em Portugal, assim como outras instalações consulares no nosso País, foram invadidos por radicais, destruídas e pilhadas.

Ainda no ano de 1975 mas em 12 de Novembro uma multidão de radicais e insurgentes provocou um cerco à Assembleia Constituinte de então, mantendo reféns os deputados que estavam a preparar a futura e atual Constituição da República de Portugal.

Então em Portugal como agora nos EUA as democracias de ambos os Países souberam e vão saber ultrapassar estes atos de radicais e fazer funcionar os respetivos sistemas políticos.

Existe uma diferença nestes dois atos radicais que é a consequência.

No caso de Portugal, na época, a indignação morreu solteira por parte das correntes de pensamento que hoje se indignam com o que se passou nos EUA e os responsáveis conhecidos pelos atos ficaram impunes quer criminalmente quer politicamente: hoje, alguns até são figurões de uma certa elite em Portugal.

No caso dos EUA, a indignação é geral e os responsáveis conhecidos irão ser julgados criminalmente (com penas exemplares estou certo) e politicamente serão ostracizados pelos seus pares.

O povo e os responsáveis políticos dos EUA não necessitam das manifestações de preocupação de Portugal, sabem com o que se preocupar e têm meios suficientes para resolver os problemas, mesmo este que efetivamente foi grave e nunca devia ter acontecido.

Quanto aos alguns comentadores da nossa praça será melhor que escolham para se babarem e destilarem ódio sobre o que invejam ou não gostam melhor seria que se entretecem com os “Venturas” cá da aldeia.

Bem hajam.

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