Os passados dias 27 e 28 de Novembro poderão vir a ser dias para recordar como o início consistente de uma viragem maioritária do eleitorado á direita.
No dia 27 o #PSD escolheu o seu líder, #Rui Rio, para se apresentar às eleições legislativas de 30 de Janeiro do próximo ano.

No dia 28 o #Chega confirmou como líder #André Ventura, que vai ser o rosto do partido nas eleições já anunciadas.

Ambos vão ser importantes na afirmação política do espaço ideológico que se posiciona á direita dos socialistas, sejam quais forem.
Sendo pessoas diferentes, não deixem de ter características em comum: são patriotas, apoiantes de uma economia liberal, anti-socialistas, carismáticos, conhecem-se bem (possivelmente nas relações informais e privadas mantêm contactos) e, o mais importante, ambos pretendem liderar um novo rumo para Portugal.
Com este ponto de partida ambos vão trilhar percursos diferente, com eleitorados e propostas diferentes. É normal e desejável e o objetivo não deixa de ser comum: excluir o socialismo da área da governação.

Rui Rio, que leva vários anos a afirmar qual o posicionamento ideológica que pretende ter como eleitorado maioritário, apresentará um programa eleitoral que possa agradar ao seu eleitorado natural e investir no eleitorado do socialismo, principalmente o que vota PS.
Este programa eleitoral não afrontará ou ignorará os funcionários do sector público do estado e os pensionistas, nomeadamente os de mais baixas pensões e para quem a estabilidade e continuidade de atenção é indispensável. Este eleitorado tem um peso muito significativo no voto PS, tanto que foi quase que exclusivamente o garante que o partido teve nas últimas eleições.
É neste eleitorado que Rui Rio vai concentrar 50% do seu esforço. Tendo êxito obtém uma dupla vitória: consegue novos eleitores e, na proporção, esvazia o PS.
Os restantes 50% de esforço serão canalizados para a larga faixa de eleitorado que, desde 2015, não se vê representado no socialismo de António Costa e que é o sector privado: sejam os trabalhadores por conta de outrem, os que trabalham em nome individual ou os empresários de média ou pequena dimensão. Os grandes empresários, pela dimensão, sempre se sentem confortáveis com ou sem socialismo. Financiam ambas as partes.
Vamos ter um Rui Rio moderado no discurso mas contundente em áreas específicas: na área económica para o sector privado e nas áreas da saúde, ensino e sector social no sector público. Propostas concretas para nichos de eleitorado não fraturantes para o eleitorado a quem se dirige.
Vamos ter, também, o habitual em épocas de eleições: baixas de impostos e intenções de reformas do ‘sistema’.
Um plano ou projeto para Portugal no futuro certamente não vai acontecer desta vez. O sistema eleitoral e os ciclos de legislatura (4 anos) não permitem que se possa pensar global e abrangente para Portugal de uma forma credível. O passado democrático assim o demonstra.
O cidadão António Costa, na pele de primeiro-ministro, é que proclamava projetos e realidades para um futuro a 10,15,20 ou mais anos. Isso não existe e só ‘vendedores de ilusão´ é que o fazem. Nisso o PS tem alguns especialistas.
Rui Rio tem perfil de estadista, tem experiência política e profissional, pode ser que tenha adquirido as ferramentas para ser popular e, deste modo, conquistar a grande massa de eleitores que se move pelas questões mais simples do dia-a-dia.
Se Rui Rio conseguir eleitores suficientes para formar um governo estável dará um contributo grande para o que muitos designam como ‘refundação da direita´’ ao agregar todo um eleitorado que se movimente ao ‘centro’. Segundo alguns especialistas a maioria.

André Ventura e o partido Chega tem também um papel importante a desempenhar e que, de resto, já o vem vindo a fazer.
No passado recente havia a consciência, não expressa, de que muitos eleitores não se reviam nos partidos que, então, se propunham representá-los: o CDS e, porque não escrevê-lo, uma parte do PSD.
Estes eleitores que não tinham voz possivelmente engrossavam o número de abstencionistas ou votavam nas alternativas antes enunciadas, mas contrariados. Estes eleitores têm uma característica comum: são anti-socialismo.
Havia um vazio no espaço eleitoral da direita na democracia em Portugal que não se justificava. Esta realidade não fazia sentido e era necessário algo novo que mobiliza-se e agrega-se estes eleitores por forma a terem voz.
Foi o partido Chega ou poderia ter sido com outro nome e foi André Ventura como poderia ter sido um outro qualquer cidadão com o perfil para a empreitada.
A iniciativa foi bem-sucedida, o plano de implementação foi bem delineado e o resultado foi um partido novo que em 3 anos consegue posicionar-se com boas perspetivas de cobrir o espaço da direita que estava órfã de representação.
André Ventura aprendeu, ou já sabia, bem a lição: falar grosso, contra o ‘sistema’, algumas propostas fraturantes e esperar que a esquerda fizesse o trabalho de o dar a conhecer aos portugueses e de implantar o partido.
O que se passou faz lembrar o acontecido com a UBER e os taxistas: a UBER apareceu, afrontou os taxistas e estes na sua arrogância fizeram, com os incidentes que provocaram, o trabalho de anunciar a plataforma ao País. Resultado: a UBER é um sucesso.
André Ventura que tem neste momento uma base eleitoral identificada e estabilizada, prepara-se para a conquista do eleitorado que lhe assegure força suficiente paro o confronto político que se seguirá: suporte, em caso de necessidade, a um governo não socialista.
André Ventura vai propor ao eleitorado um programa económico liberal em linha com o que é habitual em partidos de direita na Europa, com afrontamento, ao invés do PSD, ao sector público do estado e uma pressão grande na área dos valores.
As atuais bandeiras do Chega estarão todas presentes não só para fixar o atual eleitorado como também cativar eleitorado que estava no CDS e PSD e que se revê nesses valores.
O futuro ditará quanto vale esta aposta na direita que estava sem representação.
A esquerda radical irá continuar a insultar este partido até que entenda que o seu problema não está numa nova direita mas sim numa ultrapassada esquerda que dizem representar.

Não esquecemos os restantes dois partidos que se posicionam na Direita: a Iniciativa Liberal e o CDS.
Quanto aos liberais são, por enquanto, um nicho de eleitores com potencial de crescimento. No entanto, a prazo estarão condicionados pelo crescimento do Chega e a consolidação do PSD como partido de governo. O futuro ninguém o conhece e pode que esta opinião esteja completamente fora de sentido.
O CDS foi um partido importante no seu longo passado, mas que com a saída de Manuel Monteiro e o fim do seu projeto e, com a entrada de Paulo Portas atingiu o seu máximo para logo depois começar a sua queda.
Paulo Portas foi aquele eucalipto que tudo secou em redor e, a saída deste, levou o CDS de queda em queda até ao momento atual. Um partido sem gente experiente e de referência, dominado por jovens de uma geração em que tudo lhes parece fácil e se concentra no objetivo individual.
Terminando, esta perspetiva real ou ficcionada de Portugal, após as próximas eleições de Janeiro, enquadra-se no que é hoje a UE.
Uma realidade que não oferece ameaças ao ‘status’ dos países maioritários da UE e acaba com esta aventura socialista numa europa liberal.
Um espaço da direita que, em quase todos os países europeus, tem representação partidária e política nos respetivos parlamentos. É um normal na europa a existência de partidos radicais de direita.
Janeiro de 2022 vai ser, mais uma vez, o mês em que os eleitores vão escolher o futuro político de Portugal. Talvez que os que pretendem uma mudança superem os que preferem como está. Veremos.
Bem hajam.