Eleições Legislativas 2024

Os resultados do território continental e ilhas, votantes em partidos do centrão, votantes em partidos de fora do centrão, os evangélicos, os abstencionistas

Os portugueses que votaram nas eleições do passado dia de Março (6.140.269 votantes) no território continental e ilhas da Madeira e Açores1 deram como resultado:

  • AD – 1.811.027 votos – 29.49% – 79 deputados
  • PS – 1.759.998 votos – 28,7% – 77 deputados
  • CHEGA – 1.108.797 votos – 18,1% – 48 deputados
  • IL – 312.064 votos – 5,1% – 8 deputados
  • BE – 274.029 votos – 4,5% – 5 deputados
  • CDU – 202.325 votos – 3,3% – 4 deputados
  • Livre – 199.888 votos – 3,3% 4 deputados
  • Pan – 118.579 votos – 1,9% – 1 deputado

Este resultado determinou uma diferença de 52.029 votos – 0,79% e 2 mandatos entre a AD (Aliança Democrática) e o PS (Partido Socialista) o que significa que existe um empate (quase) entre ambos os partidos. Com a soma dos resultados do círculo da Europa e de fora da Europa e pode-se manter esta atual correlação de forças ou não. Não obstante, o PS declarou-se vencido e reconheceu uma vitória da AD.

A abstenção foi de 3.131.210 eleitores, 33,77%, a menor desde os anos 80 do século passado mas igualmente significativa, 1/3 dos eleitores não votaram.

Estes resultados significam que os eleitores, como um todo votaram, entre a direita e a esquerda, maioritariamente na direita e deixaram bem claro que, por agora, a esquerda está fora:

Partidos/Aliançasvotos%Deputados
Direita
AD1.811.02729,4979
Chega1.108.79718,148
IL312.0645,18
Total3.231.88852,69135
Esquerda
PS1.759.99828,777
BE274.0294,55
CDU202.3253,34
Livre199.8881,94
Total2.436.24034,490

Esta realidade indicia que Portugal pode estar a começar a ter um alinhamento com a realidade da Europa. Desde finais do seculo passado que se vem intensificando uma influência cada vez maior de politicas e partidos políticos que contestam e substituem as conservadoras, no sentido em que se perpetuam sem se renovarem, das politicas e dos partidos do ‘mainstream’.

A Europa de hoje, que tem vivido a ser governada por partidos e sistemas políticos de democracia liberal, está a ser convidada a ser governada por partidos e políticas não-alinhadas com o ‘mainstream´ e que são por estes apelidas de políticas e partidos políticos de radicais e de direita.

A esquerda ´mainstream’ e muito mais a esquerda radical já foram ultrapassados e fazem parte do passado nos governos da Europa desenvolvida e liberal. Subsistem Portugal e a Espanha.

Finalmente, parece que em Portugal, após duas décadas depois do início do século XXI, parecem estar criadas as condições para acertar o passo com o que se passa com a generalidade dos Países Europeus em que estamos integrados e que são, globalmente, um exemplo de qualidade de vida e desenvolvimento para nós portugueses.

Este resultado, como veremos adiante, foi uma derrota para a esquerda moderada do centrão e, para a esquerda radical, a confirmação de outras derrotas recentes.

Os partidos do centrão em Portugal, PS e PSD (desta vez em versão AD), mantiveram o domínio dos votantes e juntos ainda constituem uma força líder em Portugal:

Partidos/AliançasVotos%Deputados
AD1.811.02729,4979
PS1.759.99828,777
Total3.571.02558,19156
    
202223.931.19772,56192

No entanto, por comparação com as eleições legislativas de 2022, o ‘mainstream’ em Portugal perdeu domínio e poder:

  • Menos 360.172 votos
  • Menos 14,37% de votos
  • Menos 36 deputados

Merece destaque o resultado do PS:

  • Menos 542.703 votos
  • Menos 13,8% de votos
  • Menos 43 deputados

Este resultado coloca o PS como o principal responsável pele perca de influência do ‘mainstream’ para os partidos radicais, com destaque total para o CHEGA e a direita radical em Portugal. O PSD (com o CDS e o PPM) manteve a posicções não comprometeu a influência do passado recente.

Assim como na generalidade dos Países Europeus, os eleitores em Portugal alargaram as suas opções de votos e reforçaram o partido radical de direita com um crescimento em número de votos e deputados. De modo diferente, mas mantendo a tendência que se verifica nos restantes países europeus, a esquerda radical no seu todo (pulverizada por três partidos) não cresceu e manteve os baixos níveis de votantes nas atuais eleições por comparação com o ano de 2022.

Os partidos que não integram o ‘mainstream’ em Portugal tiveram um crescimento grande com total relevo para o único partido radical de direita:

Partidos/Aliançasvotos%Deputados
Direita
Chega1.108.79718,148
Esquerda
BE274.0294,55
CDU202.3253,34
Livre199.8881,94
Total2676.2429,713

Por comparação com as legislativas de 2022, os partidos que não integram o ‘mainstream’, classificados como radicais, ganharam relevância:

  • Mais 830.625 votos
  • Mais 8,4% de votos
  • Mais 37 deputados

Em Portugal o ‘mainstream’ é constituído por 2 partidos, o PS e o PSD (socialistas liberais e sociais – democratas) que se posicionam num mesmo espaço político, o centro. No entanto, os partidos classificados como radicais formam duas tendências opostas e sem possibilidade de serem analisadas como um conjunto.

Deste modo, o partido CHEGA posiciona-se no espaço político de direita, conquistou um crescimento expressivo, de modo a colocar, num futuro próximo, o ‘mainstream’ em estado de alerta, o que é positivo porque vai obrigar a uma maior competência. O crescimento do CHEGA está em linha com a atual tendência do que se passa com a generalidade dos partidos radicais de Direita na Europa, o que faz antecipar um maior crescimento no curto prazo. As próximas eleições para o Parlamento europeu poderão confirmar.

No sentido oposto, os partidos BE, PCP e Livre, posicionam-se no espaço de esquerda radical, mantiveram o resultado de 2022:

  • Mais 276.583 votos
  • Menos 1 deputado
  • Menos 0,54% de votos

Apesar da forte queda do PS (‘mainstream’), do crescimento de eleitores e da abstenção face a 2022, o espaço político dos partidos radicais de esquerda manteve-se, globalmente, com a mesma influencia face ao todo. Estando este espaço político do radicalismo de esquerda em contraciclo com a tendência da Europa, pode-se antecipar um decrescimento no curto prazo. As próximas eleições para o parlamento europeu irão confirmar. 

De entre os partidos com menor influência, importa destacar o crescimento do ADN com 100.051 votos. Este partido apresenta a possibilidade de um crescimento, no futuro próximo, a considerar. A principal base de apoio influenciada por religiosos ‘evangélicos’, com grande aceitação junto de brasileiros naturalizados, tem tendência a crescer em Portugal e que será importante para uma implantação real em todo o território nacional.

Finalmente, talvez o mais relevante para os próximos atos eleitorais, foi a descida da abstenção em número de votos expressos e % de eleitores inscritos:

  • A abstenção diminuiu em 15,07% face às eleições legislativas de 2022

As eleições decorreram normalmente o que é de saudar, os eleitores manifestaram, com o voto, uma vontade de mudar a influencia dos partidos políticos e deseja-se que os próximos tempos proporcionem uma melhoria na qualidade de vida para a maioria da população e residentes estrangeiros.

Os próximos tempos clarificarão quais partidos utilizarão os votos e influencia que tiveram em favor de um benefício nacional e do seu povo e os que iniciarão ou continuarão a pensar prioritariamente em interesses próprios.

Bem hajam.

1 . Falta apurar os votos da Europa e resto da Europa – 4 mandatos a deputados

2. Resultados totais Nacionais

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