Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas do passado dia 30 de Janeiro foram surpreendentes face ao que os ‘analistas profissionais’ e empresas de sondagens prognosticaram: mais uma vez erraram.

O Partido Socialista ganhou e os partidos não socialistas foram insuficientes: o PS viu reforçada a sua bancada de deputados e vai poder governar em pleno nas suas capacidades e vontade própria, os partidos não socialistas vão ter 4 anos para se organizarem individual e coletivamente.

O quadro seguinte mostra que o número de votos dos 4 partidos não socialistas não aumentou no total geral face ao histórico das eleições anteriores desde o ano 2000:

O total de votos, com duas exceções, apresenta uma média constante de entre 2.1 e 2.3 milhões de votos em 5 de 7 atos eleitorais realizados neste século XXI.

As exceções são relativas aos anos de2002 e 2011 que resultaram de 2 governos de má memória para Portugal: António Guterres e José Sócrates. Os partidos PSD e CDS, únicos representantes do espaço não socialista de então, apresentaram-se a votos individualmente somando, respetivamente, cerca de 2.7 e 2,8 milhões.

Para estes dois singulares resultados eleitorais o PS deu um contributo significativo: Foi o ‘pantano’ em 2002 e a ‘insolvência (quase) nacional’ em 2011.

Os bons e promissores resultados eleitorais dos dois novos partidos (IL e CHEGA), nesta área não socialista, não somaram, face ao histórico anterior, tendo mesmo diminuído face a 2019. Poder-se-á, provavelmente, concluir que os partidos CHEGA e IL cresceram em número de votos em paridade com o número de votos que os partidos PSD e CDS diminuíram. Donde, para a causa de um espaço político não socialista, ficou tudo como antes.

Se no que respeita ao número de votos obtidos estamos esclarecidos, vejamos quanto ao número de deputados eleitos o que estas eleições nos mostram:

Este quadro mostra resultados aparentemente contraditórios:

  • Em 2015, os partidos não socialistas (PSD e CDS) concorreram coligados na maioria dos círculos eleitorais e com 2 milhões de votos elegeram 104 deputados;
  • Em 2019, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) concorreram individualmente na totalidade dos círculos eleitorais e com quase 2.3 milhões de votos elegeram 80 deputados e,
  • Em 2022, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) voltaram a concorrer individualmente na quase totalidade dos círculos eleitorais e com pouco mais de 2,2 milhões de votos elegeram 96 deputados.

Poderemos concluir, possivelmente, que a coligação formada nas eleições em 2015 entre o PSD e o CDS, apesar de um menor número de votos por comparação com as eleições de 2019 e agora em 2022, obteve um maior número de deputados por comparação com as eleições de 2019 e 2022. É o método de D’Hondt a funcionar e que não permite uma paridade de votos obtidos com deputados eleitos.

Esta realidade dá força aos que defendem, com o próprio incluído, que os atuais partidos, do espaço não socialista, deveriam pensar em coligações em determinados círculos eleitorais para futuras eleições legislativas e outras.

Finalmente, poderemos ver o quadro que mostra os resultados eleitorais destas eleições de 2022, no que a número de votos que não contribuíram para a eleição de deputados diz respeito, por círculo eleitoral com exceção dos 2 círculos da emigração:

  • Se, conforme cada círculo eleitoral, é possível eleger 1 deputado por cada conjunto de entre 19 e 22 mil votantes, o quadro diz-nos que o espaço dos partidos poderia ter elegido mais 5 deputados: Viseu, Coimbra, Portalegre, Beja e Aveiro. Em Lisboa, como sabemos, os 19,5 mil votos do CDS não foram suficientes;
  • Portalegre e Beja são bons exemplos: nenhum dos 4 partidos elegeu qualquer deputado.

 No texto publicado, antes destas eleições em Janeiro – https://viriatobatalha.blog/2022/01/ – deu-se destaque a esta realidade do voto que conta e do que não conta para a eleição de deputados. 

Muitas pessoas e alguns movimentos independentes dos partidos, do espaço não socialista, argumentam que é importante dar atenção a esta questão no quadro do sistema eleitoral D’Hondt. Os partidos deste espaço político deveriam incluir, nas suas futuras prioridades, esta temática.

Bem Hajam

Como (tentar) ganhar as Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas deste mês vão ter, em confronto direto e único, duas opções claras de futuro imediato para os portugueses: o socialismo com o apoio do comunismo e radicais ou, os partidos não socialistas.

É verdade que vão a votos vários partidos políticos e que os eleitores têm múltiplas opções de voto.

Não obstante, tudo se resume a duas únicas soluções: por vontade dos eleitores e, também, porque a generalidade dos restantes partidos não constituem uma real opção de liderança e, consequentemente, soluções para o futuro imediato.

No que respeita ao socialismo que nos é prometido já deu prova do que faz e, deste modo, não importa aqui escrever muito mais: tem os seus eleitores e outros que se encarreguem de os motivar ao voto.

Quanto aos eleitores não socialistas importa escrever um pouco. As opções de escolha são múltiplas e a tendência será de distribuir os votos pelos vários partidos em disputa.

Estes partidos encontram argumentos para marcar diferenças do seu opositor, qualquer um destes líderes sente o dever de vencer, qualquer um destes partidos políticos tem uma fila imensa de candidatos a deputados e, infelizmente, qualquer um destes partidos pensa primeiro em si e nos seus interesses. No fim e contas feita, no passado, só um tem ganho e os restantes procuram argumentos para justificar os resultados obtidos.

Os partidos do socialismo são farinha do mesmo saco, no entanto têm uma vantagem: somam mais eleitores e, apesar de divididos por vários líderes, voltarão a ganhar e a impor mais socialismo e por mais tempo.

Estarão, os não socialistas, conformados com a realidade de os socialistas elegerem mais deputados como temos vivido nos últimos anos? Possivelmente sim, é a democracia a funcionar e os que têm mais votos é que governam.

Resta-nos a resignação de ficar em casa e não ir votar? Possivelmente sim.

Será que é inteligente ver os 4 partidos não socialistas concentrados, cada um por si, a tentar conquistar mais uns pontos percentuais no resultado final nacional e, no fim, clamar por ter ficado na 3º posição ou lamentar ter ficado em último? Sou céptico quanto a uma resposta definitiva.

Ao invés, sou crente de que verdadeiramente importante é eleger deputados suficientes para impedir o socialismo de ter uma maioria de deputados,

Assim, o que será inteligente, por ser inovador, deverá passar por os 4 partidos não socialista procurarem, cada um por si, aumentar os votos, somando coletivamente para eleger um número de deputados igual ou superior a 216.

Sabemos que o número de deputados eleitos pode não corresponder, proporcionalmente, ao percentual nacional no resultado final das eleições. Esta realidade deriva do método utilizado para eleger deputados por círculo eleitoral individualmente considerado.

Nos círculos eleitorais em que os partidos não elegem nenhum deputado, os votos que obtém, nesses mesmos círculos, só contam para o percentual nacional. São votos úteis para efeito de contagem nacional e são votos inúteis para efeito de eleição de deputados.

Exemplo:

  • Os partidos CHEGA e Iniciativa Liberal tiveram, nas últimas eleições legislativas, 66,448 e 65.545 votos respetivamente;
  • Em Lisboa tiveram 22.053 e 27.166 votos respetivamente. Foram votos úteis:
  • Com estes votos estes partidos elegeram 1 deputado respetivamente
  • Os votos nos restantes círculos eleitorais (44.395 e 38.378) contaram para o percentual nacional e não contaram para eleger mais nenhum deputado. Foram votos inúteis.
Exemplo de votos inúteis

Um voto, num determinado partido, é útil quando provoca um efeito positivo real:

  • Se o voto permite o aumento do percentual nacional é útil para quem o recebe;
  • Se o voto não permite, por insuficiente, a eleição de um deputado, num círculo eleitoral, é inútil para quem o recebe.

Este exemplo, em conformidade com o exposto, demonstra que estes 2 partidos tiveram, para efeitos de eleição de deputados a um nível nacional 44.395 e 38.379 votos inúteis respetivamente.

 Todos sabemos que as eleições são para formar a Assembleia da Republica com a eleição de 230 deputados. Os deputados são eleitos em 18 círculos distritais nacionais, 2 círculos das regiões autónomas e 2 círculos da emigração. Cada círculo é composto por um determinado número de deputados.

Os resultados de deputados, não socialistas, eleitos nas últimas eleições de 2019 e 2015 apresentam o seguinte quadro:

  • Eleitos em 2019 pertencem a 4 listas de candidatos: PSD, CDS, IL, CHEGA
  • Eleitos em 2015 pertencem a 1 lista; PSD/CDS

Segmentando os resultados nacionais poderemos classificar os círculos eleitorais em 3 níveis diferentes:

Um primeiro nível de círculos eleitorais que elegem até 8 deputados e elegeram só deputados do PSD em 2019:

Nível 1
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019;
  • O PSD não elegeu em 2019 nenhum deputado nos círculos de Portalegre, Évora e Beja num total de 8 deputados a eleger. Em união com o CDS elegeu em 2015 3 deputados nestes círculos.
  • Os novos partidos IL, Chega e o CDS, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais.
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.

Um segundo nível de círculos eleitorais que elegem 9 ou mais deputados com as exceções de Porto e Lisboa

Nível 2
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019 e repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • O CDS, apesar do número de votos obtidos nos círculos eleitorais de Coimbra, Leiria, Santarém, Setúbal e Faro, não elegeu qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.
Nível 3
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 5 deputados do que em 2019, repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível e segundo níveis;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado no círculo eleitoral do Porto, tendo elegido 1 deputado em Lisboa cada partido;
  • Neste quadro o PSD e CDS tiveram deputados eleitos e os partidos IL e CHEGA tiveram os seus votos no círculo eleitoral do Porto inúteis.

Em conclusão:

  • O número de deputados não socialistas eleitos nas eleições legislativas de 2019 e 2015 mostram que quando os partidos uniram os votos elegeram mais deputados no total dos círculos eleitorais (2019 = 80 deputados e 2015 = 104);
  •  Nas eleições de 2019 só o PSD elegeu deputados nos círculos eleitorais apresentados no nível 1;
  • O número de votos inúteis é expressivo quando os partidos se apresentam individualmente;
  • Um voto só é útil, para quem o recebe, quando permite eleger mais deputados, quando não permite eleger deputado algum é sempre um voto inútil.
  • Em Portugal dá-se destaque ao percentual de votos alcançado no final de cada eleição, no entanto, as eleições de 2019 demonstraram que o importante fora os deputados eleitos pelo socialismo, o comunismo e o radicalismo de esquerda.

Virando a página, os partidos não socialistas que têm a pretensão de terem uma maioria na próxima legislatura deveriam concentrar-se no objetivo principal de criar as condições para elegerem, no seu conjunto, um mínimo de 116 deputados, assim:

  • Para esta pretensão existem 4 partidos políticos: PSD, CDS, IL e CHEGA com todos a concorrem individualmente;
  • O PSD elege deputados em todos os círculos eleitorais com a exceção de Portalegre, Évora, Beja que nas eleições de 2019 ficou a zeros. Tem todos os seus votos são úteis com as exceções apresentados em que os votos serão inúteis se não reverter o último resultado de 2019;
  • O CDS não elege deputados em todos os círculos eleitorais apresentados no quadro do nível um e, igualmente, em todos os círculos eleitorais do quadro do nível 2 com a exceção dos círculos de Braga e Aveiro. Mantendo os deputados nestes círculos eleitorais de Braga e Aveiro terá os seus votos úteis, nos restantes círculos eleitorais, não revertendo o último resultado 2019, terá todos os seus votos inúteis;
  • Os partidos IL e CHEGA são uma incógnita quanto á perspetiva de votos úteis ou inúteis no que se refere aos círculos eleitorais dos quadros nível 1 e 2 e só o resultado final dirá quantos deputados elegerão nestes círculos e em quantos círculos;
  • Lisboa e Porto são círculos eleitorais em que todos estes 4 partidos elegerão, previsivelmente, deputados pelo que todos os votos que receberem serão úteis.

A necessidade de os partidos, em cada círculo eleitoral, terem um determinado número mínimo de votos para elegerem um ou mais deputados deveria motivar os partidos, não socialistas, a uniões circulo a circulo para potenciar, pela união, a eleição de mais deputados eliminando um número grande de votos inúteis.

Uma das causa da abstenção será, certamente, a convicção que alguns eleitores têm, de apesar de votarem num determinado partido, de o seu voto não somar os votos suficientes para eleger um ou mais deputados no círculo eleitoral a que pertence.

Os eleitores dos partidos, antes referidos, deveriam ser sensibilizados, pelos partidos envolvidos, para esta realidade de os votos poderem ter consequências diferentes em cada um dos círculos eleitorais: voto útil é quando soma para eleger deputados.

Os círculos eleitorais da emigração não são incluídos neste texto por motivos entendidos como suficientes.

Bem hajam.

Eleições legislativas 2022 – Uma perspetiva

Os passados dias 27 e 28 de Novembro poderão vir a ser dias para recordar como o início consistente de uma viragem maioritária do eleitorado á direita.

No dia 27 o #PSD escolheu o seu líder, #Rui Rio, para se apresentar às eleições legislativas de 30 de Janeiro do próximo ano.

Rui Rio

No dia 28 o #Chega confirmou como líder #André Ventura, que vai ser o rosto do partido nas eleições já anunciadas.

André Ventura

Ambos vão ser importantes na afirmação política do espaço ideológico que se posiciona á direita dos socialistas, sejam quais forem.

Sendo pessoas diferentes, não deixem de ter características em comum: são patriotas, apoiantes de uma economia liberal, anti-socialistas, carismáticos, conhecem-se bem (possivelmente nas relações informais e privadas mantêm contactos) e, o mais importante, ambos pretendem liderar um novo rumo para Portugal.

Com este ponto de partida ambos vão trilhar percursos diferente, com eleitorados e propostas diferentes. É normal e desejável e o objetivo não deixa de ser comum: excluir o socialismo da área da governação.

Rui Rio, que leva vários anos a afirmar qual o posicionamento ideológica que pretende ter como eleitorado maioritário, apresentará um programa eleitoral que possa agradar ao seu eleitorado natural e investir no eleitorado do socialismo, principalmente o que vota PS.

Este programa eleitoral não afrontará ou ignorará os funcionários do sector público do estado e os pensionistas, nomeadamente os de mais baixas pensões e para quem a estabilidade e continuidade de atenção é indispensável. Este eleitorado tem um peso muito significativo no voto PS, tanto que foi quase que exclusivamente o garante que o partido teve nas últimas eleições.

É neste eleitorado que Rui Rio vai concentrar 50% do seu esforço. Tendo êxito obtém uma dupla vitória: consegue novos eleitores e, na proporção, esvazia o PS.

Os restantes 50% de esforço serão canalizados para a larga faixa de eleitorado que, desde 2015, não se vê representado no socialismo de António Costa e que é o sector privado: sejam os trabalhadores por conta de outrem, os que trabalham em nome individual ou os empresários de média ou pequena dimensão. Os grandes empresários, pela dimensão, sempre se sentem confortáveis com ou sem socialismo. Financiam ambas as partes.

Vamos ter um Rui Rio moderado no discurso mas contundente em áreas específicas: na área económica para o sector privado e nas áreas da saúde, ensino e sector social no sector público. Propostas concretas para nichos de eleitorado não fraturantes para o eleitorado a quem se dirige.

Vamos ter, também, o habitual em épocas de eleições: baixas de impostos e intenções de reformas do ‘sistema’.

Um plano ou projeto para Portugal no futuro certamente não vai acontecer desta vez. O sistema eleitoral e os ciclos de legislatura (4 anos) não permitem que se possa pensar global e abrangente para Portugal de uma forma credível. O passado democrático assim o demonstra.

O cidadão António Costa, na pele de primeiro-ministro, é que proclamava projetos e realidades para um futuro a 10,15,20 ou mais anos. Isso não existe e só ‘vendedores de ilusão´ é que o fazem. Nisso o PS tem alguns especialistas.

Rui Rio tem perfil de estadista, tem experiência política e profissional, pode ser que tenha adquirido as ferramentas para ser popular e, deste modo, conquistar a grande massa de eleitores que se move pelas questões mais simples do dia-a-dia.

Se Rui Rio conseguir eleitores suficientes para formar um governo estável dará um contributo grande para o que muitos designam como ‘refundação da direita´’ ao agregar todo um eleitorado que se movimente ao ‘centro’. Segundo alguns especialistas a maioria.

André Ventura e o partido Chega tem também um papel importante a desempenhar e que, de resto, já o vem vindo a fazer.

No passado recente havia a consciência, não expressa, de que muitos eleitores não se reviam nos partidos que, então, se propunham representá-los: o CDS e, porque não escrevê-lo, uma parte do PSD.

Estes eleitores que não tinham voz possivelmente engrossavam o número de abstencionistas ou votavam nas alternativas antes enunciadas, mas contrariados. Estes eleitores têm uma característica comum: são anti-socialismo.

Havia um vazio no espaço eleitoral da direita na democracia em Portugal que não se justificava. Esta realidade não fazia sentido e era necessário algo novo que mobiliza-se e agrega-se estes eleitores por forma a terem voz.

Foi o partido Chega ou poderia ter sido com outro nome e foi André Ventura como poderia ter sido um outro qualquer cidadão com o perfil para a empreitada.

A iniciativa foi bem-sucedida, o plano de implementação foi bem delineado e o resultado foi um partido novo que em 3 anos consegue posicionar-se com boas perspetivas de cobrir o espaço da direita que estava órfã de representação.

André Ventura aprendeu, ou já sabia, bem a lição: falar grosso, contra o ‘sistema’, algumas propostas fraturantes e esperar que a esquerda fizesse o trabalho de o dar a conhecer aos portugueses e de implantar o partido.

O que se passou faz lembrar o acontecido com a UBER e os taxistas: a UBER apareceu, afrontou os taxistas e estes na sua arrogância fizeram, com os incidentes que provocaram, o trabalho de anunciar a plataforma ao País. Resultado: a UBER é um sucesso.

André Ventura que tem neste momento uma base eleitoral identificada e estabilizada, prepara-se para a conquista do eleitorado que lhe assegure força suficiente paro o confronto político que se seguirá: suporte, em caso de necessidade, a um governo não socialista.

André Ventura vai propor ao eleitorado um programa económico liberal em linha com o que é habitual em partidos de direita na Europa, com afrontamento, ao invés do PSD, ao sector público do estado e uma pressão grande na área dos valores.

As atuais bandeiras do Chega estarão todas presentes não só para fixar o atual eleitorado como também cativar eleitorado que estava no CDS e PSD e que se revê nesses valores.

O futuro ditará quanto vale esta aposta na direita que estava sem representação.

A esquerda radical irá continuar a insultar este partido até que entenda que o seu problema não está numa nova direita mas sim numa ultrapassada esquerda que dizem representar.

António Costa com a esquerda radical

Não esquecemos os restantes dois partidos que se posicionam na Direita: a Iniciativa Liberal e o CDS.

Quanto aos liberais são, por enquanto, um nicho de eleitores com potencial de crescimento. No entanto, a prazo estarão condicionados pelo crescimento do Chega e a consolidação do PSD como partido de governo. O futuro ninguém o conhece e pode que esta opinião esteja completamente fora de sentido.

O CDS foi um partido importante no seu longo passado, mas que com a saída de Manuel Monteiro e o fim do seu projeto e, com a entrada de Paulo Portas atingiu o seu máximo para logo depois começar a sua queda.

Paulo Portas foi aquele eucalipto que tudo secou em redor e, a saída deste, levou o CDS de queda em queda até ao momento atual. Um partido sem gente experiente e de referência, dominado por jovens de uma geração em que tudo lhes parece fácil e se concentra no objetivo individual.

Terminando, esta perspetiva real ou ficcionada de Portugal, após as próximas eleições de Janeiro, enquadra-se no que é hoje a UE.

Uma realidade que não oferece ameaças ao ‘status’ dos países maioritários da UE e acaba com esta aventura socialista numa europa liberal.

Um espaço da direita que, em quase todos os países europeus, tem representação partidária e política nos respetivos parlamentos. É um normal na europa a existência de partidos radicais de direita.

Janeiro de 2022 vai ser, mais uma vez, o mês em que os eleitores vão escolher o futuro político de Portugal. Talvez que os que pretendem uma mudança superem os que preferem como está. Veremos.

Bem hajam.

A CM Lisboa e a proteção de dados pessoais

CML

O dia 10 de Junho deste ano não vai ficar marcado pelos discursos dos políticos, não trouxeram nada de novo e foi mais uma comemoração que se justifica mas que os protagonistas do País não conseguem dar o enfase e o envolvimento que os portugueses merecem.

Ao invés, a notícia de que a CML violou a lei de proteção de dados, que foi a manchete em todos os meios de comunicação e redes sociais, é que foi o tema do dia e que promete continuar a ser durante mais algum tempo.

É um assunto determinante para a vida dos portugueses? Não me parece, a população vive momentos de preocupação com o presente e futuro próximo.

É um assunto de preocupação para a base de apoio deste governo? Também não me parece, os eleitores não percecionam que estes factos possam alterar a realidade que têm. Os eleitores que votam neste governo ou noutro semelhante só mudam quando sentem que os seus próprios interesses poderão estar em causa.

Será que esta realidade, da partilha de dados pessoais com terceiros, vai ficar impune? Receio bem que sim, já aconteceu e o presidente do município veio pedir desculpas e garantir que o município não voltará a partilhar dados pessoais com terceiros.

Fernando Medina – Presidente CML

Deste modo, a instituição dá como resolvido este problema: ao assumir a prática de um crime, a forma comum deste crime é punível com prisão até 1 ano ou multa até 120 dias, atribuindo-o a procedimentos administrativos e regulares. Siga a marinha como diz o povo.

Mas não devia ser assim, este assunto nunca deveria ter acontecido e, ao ter acontecido, deveria ter sido o município a ter a iniciativa de o comunicar aos órgãos de estado competentes e não como está a acontecer com explicações negacionistas e falaciosas culminando, face á pressão e á gravidade do assunto, com um pedido de desculpas formal e público aos visados por parte do responsável do município em causa: Lisboa.

O que sabemos sobre este assunto neste momento é que a CML, a propósito de uma manifestação realizada em Janeiro, forneceu a uma terceira entidade dados pessoais sobre os promotores e organizadores da manifestação sem conhecimento e autorização dos interessados.

Sabemos também que a entidade recetora dos dados pessoais foi a embaixada da Rússia.

Embaixa da Rússia em Lisboa

Segundo o presidente da CML este é um procedimento usual: para além de informar a polícia e MAI conforme a lei determina, informa também os interessados do local em que a manifestação se realiza. A manifestação visava protestar contra o governo russo em frente á sua embaixada em Lisboa e, nesse contexto, a embaixada foi informada de todos os dados pessoais dos organizadores.

Não sabemos se a CML estava informada e ciente de que este procedimento era contra a lei em vigor.

Se estava ciente de que estava a violar a lei, decidiu ignorar e fazer valer um procedimento habitual como se estivesse isente do cumprimento de uma lei que todas as entidades públicas ou privadas estão obrigadas a cumprir.

Se não estava consciente do cumprimento desta lei para que serve o departamento jurídico e toda uma panóplia de assessores se um assunto desta natureza não merece atenção. A ignorância não pode desresponsabilizar actos criminosos.

Tem a CML competências para delatar dados pessoais de cidadão residentes no território nacional a uma embaixada de um País terceiro, não pertencente ao grupo de países integrantes da EU?

Articulou esta delação com o MNE? Se informou o MNE desta entrega de dados pessoais de cidadão russos e portugueses, teve o acordo desta entidade?

Segundo o presidente da CML esta prática de fornecer dados pessoais de cidadãos nacionais ou estrangeiros a embaixadas de países estrangeiros, quando se trata de manifestações da natureza da mencionada, é antiga (não sabemos a quando remonta, talvez seja uma herança do anterior presidente que atualmente representa o cargo de PM).

Não sabemos quantas manifestações estarão nestas condições, quantos organizadores estarão envolvidos com seus dados pessoais e quantos países envolvidos.

Sabemos sim que com a regularidade com que em Portugal se promovem manifestações contra ou a favor das lideranças de outros países seguramente muitos cidadãos, principalmente os que têm origem em alguns dos países, poderão ter as suas vidas em risco. Países como a Rússia, Angola, Ucrânia, Venezuela e China não são reconhecidos como defensores de direitos humanos e são potencialmente repressivos para com os contestatários.

Aqui chegados, entre o que sabemos e o que deduzimos como verdadeiro temos condições para tirar conclusões: uma primeira conclusão é de que dentro da CML algum funcionário deverá ser julgado criminalmente por divulgar dados pessoais de cidadãos sem prévia autorização dos interessados.

Dentro da CML uma ou várias pessoas deveriam ser afastadas por incompetência no exercício de funções. É inaceitável que uma uma entidade oficial tenha práticas reiteradas contra a lei, agravadas com a consequência de eventualmente colocar a vida de cidadãos nacionais ou estrangeiros em risco.

O cidadão com funções de presidente da CML é o responsável institucional por este inaceitável incidente. Não se acreditando que tenha permitido conscientemente esta delação de dados pessoais sobra a falta de competência para o desempenho do cargo.

Como habitual vamos assistir nos próximos tempos a um ’carnaval’ de criticas, pedidos de demissões e por aí adiante inconsequentes e muitos deles protagonizados por outros incompetentes que em seu tempo também demonstraram terem falhado nos cargos públicos que desempenharam. É o famoso centrão.

Os valores que cada pessoa tem é que determinam se, no exercício de funções representativas e públicas, devem ou não colocar cargos á disposição ou resignar quando atos inaceitáveis e irrepetíveis são praticados pelos próprios ou da sua direta responsabilidade institucional como parece ser este o caso.

Bem hajam

O Regime vai nu

As recentes notícias de que um ex-Primeiro Ministro pode vir a ser julgado por crimes de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de influências foi uma realidade que vai marcar negativamente este período do regime político em que vivemos, existem outras realidades que igualmente estão a marcar negativamente o regime político.

Mas concentremo-nos nesta que já é suficientemente grave.

Como sabemos um primeiro-ministro é nomeado por um partido/os político/os e não diretamente pelo voto dos cidadãos.

Compete a quem o nomeia cuidar de que a pessoa nomeada cumpre os requisitos e valores indispensáveis para não comprometer o cargo.

De igual modo os protagonistas que permitem e viabilizam a nomeação de um primeiro-ministro são responsáveis pelo desempenho do titular nomeado e em funções.

Esta é uma das essências do regime político atual: pessoas são eleitas para desemprenhar determinadas funções e são corresponsáveis pelos atos das pessoas que nomeiam.

Não querendo ficar responsáveis, muitas vezes cúmplices por omissão, têm o dever de se demarcar, denunciar e, em última instancia, revogar a nomeação que antes terão viabilizado.

É assim que a prática política deve funcionar: autoridade igual a responsabilidade igual a consequência.

Não é deste modo que a prática política do regime funciona.

Este regime tem vindo a ser, cada vez mais, dirigido por grupos de pessoas que se apropriam dos partidos do chamado “centrão”, vão tendo acesso ao poder á vez, nomeiam para os cargos do governo e outros quem entendem, tendencialmente os personagens da confiança e, quando algo corre mal e a justiça é chamada a exercer funções é simples, diz-se que á justiça o que é da justiça. Assunto arrumado e venha o próximo.

Não devia ser assim e esperemos que o fim esteja próximo.

Penso que a essência democrática nunca será posta em causa se for possível responsabilizar, exonerar e afastar da vida pública todos os personagens nomeados por outros personagens seus cúmplices ou não e que os personagens nomeantes sejam igualmente responsabilizados e desautorizados de viabilizar novamente seja quem for.

Tem de acabar esta realidade de a participação dos cidadão para o regime se reduzir a eleições de 4 em 4 anos votando em partidos políticos.

Ao fim destes anos todos desde o 25 Abril ficou por demais demonstrado que os partidos são compostos por pessoas honestas e corruptas, por espertos e tolos ou por inteligentes e ignorantes.

Ser militante de um partido ou amigo de um dirigente (os chamados independentes) por si só não é suficiente para se ser eleito ou nomeado para um qualquer cargo público e por maioria de razão para o cargo de primeiro-ministro.

É necessário que cada eleito ou nomeado seja rastreado quanto á sua competência, capacidade e responsabilidade, mas também quanto á sua pegada passada. Alguém competente mas desonesto não pode deter cargos públicos, assim como o inverso.

Um Primeiro Ministro deve exercer o seu cargo de forma Ética com Honestidade e Competência

CIdadão eleitor

É necessário também criar meios de verificar os métodos que os partidos usam para colocar os seus nomeados.

Os cidadãos nunca vão confiar nos políticos que protagonizam este regime: são muitos os exemplos de pessoas que desprestigiam os cargos para que são nomeados, ficam impunes e voltam a ser nomeados para outros cargos.

Quase sempre basta ter um cartão de partido ou ser amigo de alguém com poder no partido.

Este regime ter colocado como primeiro-ministro um personagem que no exercício das suas funções veio a ser indiciado por crimes públicos não foi uma exceção mas sim o expoente máximo de muitos e muitos casos criminosos ou não que vêm acontecendo ao longo de muitos anos.

Ou os partidos políticos nomeiam personagens, para representar o cidadão comum, competentes e com valores suficientes para nomear responsáveis públicos com iguais valores e quando erram assumem responsabilidades ou então será melhor mudar o sistema atual.

Invocar a Democracia para justificar o estado atual do regime político é uma ofensa aos democratas honestos, responsáveis e consequentes, já não colhe.

“Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários”

Maria José Morgado

Bem Hajam

O Centro, os Extremos e a UE

O centro político do PS, o PSD e o CDS, o extremo de esquerda do PCP, o BE e o extremo de direita do CHEGA são os principais atores da atividade política portuguesa. A EU começa (deseja-se) a ser o regulador desta atividade.

Nos anos que levamos do atual regime político, alguma propaganda sempre afirmou que o regime deveria ser protagonizado pelos partidos ditos ao centro, apoiada desde logo pelos diretamente interessados mas também por grupos e pessoas individualmente consideradas como a “inteligência”  e a dita “elite” do País.

Todas estas pessoas apoiadas nos partidos PS, PSD e a tempos CDS têm vivido num autêntico oásis de domínio, tráfico de influência, corrupção, uso indevido de recursos económicos e sociais.

Alguns dos protagonistas do século XXI

Alguns vão justificando como sendo efeitos colaterais ou os custos da democracia e assim vão vivendo com esta realidade e adiando o fim que esperemos esteja para breve.

Não sabemos qual a percentagem da população que se serve abundantemente e sem regra dos recursos de Portugal, mas sabemos que no todo da população é certamente uma percentagem pequena e que a grande maioria está como que aprisionada por este centro político que existe para se fartar a si próprio e aos seus.

O papel e intervenção dos extremos políticos, até á bem poucos anos exclusivamente de esquerda e, mais recentemente, também de direita tem historicamente uma atuação política exclusivamente de protesto contra o centro que tem dominado a vida politica nestes anos de democracia.

Alguns dos protagonistas do século XXI

Como os partidos radicais de esquerda têm programas e propostas politicas que a realidade demonstra não serem adequados ao tempo em que vivemos e ao espaço geográfico em que Portugal está inserido, por consequência têm eleitoralmente uma expressão pequena.

Os partidos radicais de esquerda nos últimos anos perderam a capacidade do protesto e o recente partido radical de direita está ainda num processo de implantação e afirmação de identidade naturalmente ainda com pouca influência.

Chegados aqui temos um regime democrático ocupado politicamente por partidos que dizem se posicionar ao centro político e que á vez vão governando e servindo-se a si próprios e aos seus comparsas dos recursos que a população em geral vai criando: são os partidos de poder

Temos também os partidos de extrema-esquerda e, agora, de extrema-direita que são votados a uma escassa expressão eleitoral e em que a sua voz só é útil para denunciar e protestar.

Sou céltico e parece que estamos bloqueados e votados como povo a um empobrecimento lento mas de sentido único.

No entanto devemos ter esperança no futuro e que algo aconteça e retire de cena esta política, estes dirigentes, estas sanguessugas que vêm, em nome de um interesse nacional, empobrecendo lentamente um País e um povo.

Felizmente que um outro parceiro, a UE, parece querer iniciar uma maior influencia no modo como Portugal e outros Países são governados.

O gigantesco financiamento com alguns fundos grátis e outros em condições consideradas muito vantajosas para Portugal vai ser, e bem, fiscalizado na sua execução pela própria UE. É uma imposição que visa garantir que estes fundos serão totalmente aplicados nos projetos que Portugal vai ter de apresentar para uma aprovação.

Assim, tudo parece que no futuro fundos que venham da EU para projetos e investimentos em Portugal, passarão a ser monitorizados diretamente pelas instituições da UE.

Responsáveis europeus atentos aos responsáveis portugueses

Sou crente e talvez que com estas decisões se inicie um processo de afastamento daqueles que desde á muitos anos se apropriam de muitos dos fundos que têm vindo da UE desde a adesão de Portugal.

Sou crente também que talvez com estas decisões se estanque e puna todos os que através de teias de tráfico de influências que sempre levam a más aplicações de fundos, com resultados indesejados e com prejuízo para os dinheiros dos contribuintes europeus enviados para Portugal.

São muitos milhares de milhões que têm sido entregues aos políticos da nossa terra e com insuficiente controlo por parte das entidades competentes. Sobram as denúncias, as evidências e os factos que suportam esta decisão da UE ter decidido que esta realidade deve terminar.

Bem sei que pelo meio deste lamaçal de má aplicação de fundos europeus, existem também investimentos bem-feitos, com resultados e protagonizados por pessoas sérias, interessadas no desenvolvimento e acima de tudo que respeitam os contribuintes europeus e os fundos que receberam e continuarão a receber. Mas esta realidade do cumprimento e das boas práticas é, ou deveria ser, o “normal”.

O que se espera da UE é que consiga ou imponha este ”normal” a todos os fundos que Portugal doravante vai receber independentemente dos fins a que se destinam.

Benvinda esta decisão da UE de impor regras e fiscalizar a aplicação de fundos. Talvez que no futuro se consiga o mesmo para Portugal. Deus queira.

Bem Hajam.

A Democracia e o Radicalismo

Da Assembleia constituinte de Portugal de 1975 ao Capitólio dos EUA em 2021

A Democracia é um sistema político que vigora em Portugal desde 1975 até hoje e que assenta em princípios de organização política e sociais definidos pela Constituição de Portugal.

O radicalismo é uma ideologia política que vigora em Portugal desde sempre. O radicalismo é caracterizado por contestar os sistemas políticos do momento, pode ser individual ou coletivo e manifesta-se sempre dentro das fronteiras de cada Estado/País.

Existem muitos tipos de Democracias, a de Portugal está em linha nos seus princípios com os restantes Países da EU.

Existem outras formas de Democracias que divergem um pouco, muito ou totalmente da Portuguesa ou, se quisermos, do modelo europeu. EUA (um pouco), Rússia (muito) ou Venezuela (totalmente).

Em todos estes países a ideologia radical manifesta-se de uma forma ou outra, com mais intensidade ou não, num tempo recente ou a espaços.

Desde sempre o radicalismo foi apresentado com o seu nome próprio, daí o nome radicalismo, ou com outros nomes consoante o interesse ou a moda do momento. O seculo XX viu popularizados nomes como extrema-esquerda ou extrema-direita. Os menos rigorosos ou mais ignorantes também lhes chamam Fascistas, Comunista, Maoistas e outros “istas”.

Não concordo, todas estas ideologias representaram, em tempo passado, sistemas de poder oficial e tiveram também os seus radicais.  

As manifestações radicais, contra os poderes políticos de cada momento evoluíram de extremamente violentas em termos físicos no passado para os dias de hoje em que, quase sempre, são de caracter verbal e pressão política. O objetivo é o de mudar o sistema político vigente no seu todo ou em parte, ao mesmo tempo que o radicalismo violento com consequências passou a ser criminalizado.

Feita esta nota introdutória, no caso de Portugal assisto, por parte de muitos dos que fazem opinião, a uma atitude perante o que se passou nos EUA recentemente despropositada e parcial: condenam o radicalismo da manifestação mas não condenam os efeitos criminosos do radicalismo.

Ao não separarem o que as imagens e relatos mostram: a imensa multidão que se manifestou contra algo que considerava injusto ou incorreto e a pequena multidão que ao invadir o Capitólio (dita casa da Democracia norte-americana) provocou morte, destruição e roubo.

Portugal, no seu passado recente conheceu muitas manifestações semelhantes (felizmente sem mortes) que provocaram destruição e roubo que não provocaram a indignação que hoje se verifica com o que se passou nos EUA.

Para os que em 1975 ainda não eram nascidos ou eram suficientemente jovens e que talvez representem hoje a maioria da população atual, recordo os acontecimentos de 27 de Setembro em que o consulado, a embaixada de Espanha em Portugal, assim como outras instalações consulares no nosso País, foram invadidos por radicais, destruídas e pilhadas.

Ainda no ano de 1975 mas em 12 de Novembro uma multidão de radicais e insurgentes provocou um cerco à Assembleia Constituinte de então, mantendo reféns os deputados que estavam a preparar a futura e atual Constituição da República de Portugal.

Então em Portugal como agora nos EUA as democracias de ambos os Países souberam e vão saber ultrapassar estes atos de radicais e fazer funcionar os respetivos sistemas políticos.

Existe uma diferença nestes dois atos radicais que é a consequência.

No caso de Portugal, na época, a indignação morreu solteira por parte das correntes de pensamento que hoje se indignam com o que se passou nos EUA e os responsáveis conhecidos pelos atos ficaram impunes quer criminalmente quer politicamente: hoje, alguns até são figurões de uma certa elite em Portugal.

No caso dos EUA, a indignação é geral e os responsáveis conhecidos irão ser julgados criminalmente (com penas exemplares estou certo) e politicamente serão ostracizados pelos seus pares.

O povo e os responsáveis políticos dos EUA não necessitam das manifestações de preocupação de Portugal, sabem com o que se preocupar e têm meios suficientes para resolver os problemas, mesmo este que efetivamente foi grave e nunca devia ter acontecido.

Quanto aos alguns comentadores da nossa praça será melhor que escolham para se babarem e destilarem ódio sobre o que invejam ou não gostam melhor seria que se entretecem com os “Venturas” cá da aldeia.

Bem hajam.

As Empresas saudáveis fazem as Economias crescer?

Sim, seu crente que um País que tem maioritariamente empresas capitalizadas, gestão no interesse das empresas, colaboradores profissionais e com bons produtos/serviços, tem certamente uma economia robusta e permanentemente a crescer.

PIB Holanda per Capita Ano 2000 (28.380€) a 2019 (46.710€) – Cresceu 28.380€ – exemplo de Economia saudável

A minha vida profissional foi exercida no sector privado em empresas saudáveis e pude testemunhar que eram empresas com crescimentos de clientes, em volume de bens/serviços vendidos e, consequentemente, crescimento de faturação ano após ano.

Os resultados que estas empresas conseguiam eram obtidos com boas práticas, sem fugas de qualquer natureza de ordem fiscal ou outra e com estratégias de remuneração e benefícios aos colaboradores sempre acima do praticado no nosso País. Era uma prática dessas empresas em qualquer País em que tivessem empresas.

Essas empresas continuam no mercado e fortes (porventura mais) tal como há 20 ou 30 anos atrás.

Também, durante a minha vida profissional conheci a face oposta, como clientes tive muitas empresas (a maioria) que eram empresas sempre em dificuldades (doentes), que não tinham boas práticas e fugas, sempre que possível, aos impostos e demais compromissos. Colaboradores mal preparados, sem formação para as funções que desempenhavam, mal remunerados. Colaboradores que espelhavam a qualidade da direção/gestão dessas empresas.

PIB Portugal per Capita – Ano 2000 (12.480€) a 2019 (20.740€) – Cresceu 8.260€ – Exemplo de Economia doente

Cedo aprendi duas verdades sobre estas realidades:

  • As empresas saudáveis têm bons colaboradores e, bons profissionais trabalham sempre em empresas saudáveis.
  • As empresas doentes deviam se tornar saudáveis para estarem em concorrência e igualdade de circunstâncias com as demais ou, não podendo por incapacidade dos seus responsáveis, deveriam fechar. Penso que existe uma regra (daquelas que nunca são cumpridas) que estabelece um determinado período de tempo consecutivo em que uma empresa pode apresentar resultados negativos.

Estas verdades são uma prática em qualquer País desenvolvido na Europa ou outro continente, porquê?

Porque os Países desenvolvidos para o serem precisam de Economias saudáveis.

Em Portugal também existem estas regras? Não

Existiram estas regras no passado? Não

Vão existir no futuro? Talvez, quando uma entidade exterior (UE por exemplo) tomar conta da Economia.

Chegados aqui importa recordar uma recente entrevista a um Socialista dos sete costados (penso eu) que milita no Partido desde os 18 anos e já está nos “entas”.

Ricardo Mourinho Félix de seu nome, com um curriculum académico bom, um curriculum profissional sempre no sector público (o habitual nos políticos do PS), secretário de estado nos governos AC e, agora, Vice-Presidente do BCE.

Ricardo Mourinho Félix appointed as Vice-President of the EIB
©Caroline Martin/EIB

Este Sr. Ricardo veio dizer que financiamentos europeus para empresas portuguesas doentes são de valor zero. De outra forma, não há financiamento para empresas inviáveis.

Depois explicou por palavras dele o que todas as pessoas que estão no sector privado sabem desde sempre: a fruta estragada não pode estar no mesmo cesto em que está a fruta sã.

Algumas ilações:

Foi necessário este Sr. começar com uma função no BCE para dizer acertadamente o que nunca disse em Portugal nas muitas funções oficiais que teve?

Será que este Sr. irá dizer aos seus camaradas que é tempo de terminar com o financiamento de empresas falidas ou a passo acelerado para?

Será que os seus camaradas vão poder acabar com os financiamentos às empresas dos amigos a quem devem favores e em que colocam os outros amigos que lhes pedem favores?

Vai ser difícil: voltamos ao tema da troca de favores, compadrios e por aí adiante.

Será que é possível Portugal vir a ter uma economia saudável e a crescer com estes governantes? Será que é melhor mudar de governantes?

Algumas previsões:

Esta compra maciça por parte do BCE de dívida portuguesa vai ter consequências que o governo em Portugal não vai conseguir contrariar?

Em consequência, poderemos vir a ter, cedo ou tarde (talvez cedo) uma entidade exterior a mandar nas políticas de apoio às empresas em Portugal?

E a dívida vai poder crescer sem limites como o Sr. Sócrates no passado e agora os seus seguidores gostam?

Por vezes é necessário que as coisas corram mal e bastante mal para que o bem possa acontecer. Era bom que estas pessoas que tão mal dirigem Portugal fossem afastadas e que outras mais competentes as substituíssem.

Talvez deste modo Portugal pudesse ver a luz de um crescimento económico sustentável.

Bem hajam.

O Sr. Cabrita e o Ministro da Administração Interna

O Sr. Cabrita entende que não tem responsabilidades diretas no assassínio de um cidadão por 3 presumíveis criminosos e, consequentemente, não assume qualquer consequência para a sua vida privada.

Os possíveis assassinos vão ser presentes á justiça e esta, naturalmente, exercerá a sua função. Possivelmente serão condenados pelos atos que praticaram e cumprirão as penas a que forem condenados.

Até aqui nada de novo, regularmente pessoas são assassinadas pelas mais diversas razões e não me consta que exista constantemente um clamor público contra esta realidade. Todos confiamos que a justiça se faça.

Se o Sr. Cabrita fosse um cidadão comum ninguém se importaria com as atitudes que toma em qualquer momento.

TIAGO PETINGA/LUSA

Assim, o motivo deste post é o Ministro da Administração Interna que é uma “personagem a quem o Chefe de Estado confia a administração de um dos ramos da causa pública”

Deste modo quando um cidadão é nomeado para ser uma personagem está, em qualquer ato que pratique, a representar um papel determinado e passa a ter responsabilidades integrais sobre os acontecimentos, bons ou maus, que ocorrem no Ministério que tutela.

É consensual que os acontecimentos antes referidos, pela extrema gravidade e invulgaridade, afetam as responsabilidades políticas do Ministro.

O Ministério em causo, MAI, neste caso concreto está a ser acusado de uma administração da causa pública insuficiente por:

Reação tardia: acusam o Ministério de não ter sido célere na reação ao acontecimento,

Reação Insuficiente: não ter sido célere em assumir responsabilidades, em nome de Portugal, junto dos familiares diretos do cidadão assassinado.

O Ministro que tutela esta realidade, a que se juntam inverdades, informações contraditórias e demora não responsabilização da estrutura dirigente diretamente implicada nesta triste ocorrência, não colocou o seu lugar de responsável pelo MAI á disposição do Primeiro-ministro.

Pergunta-se se é uma exceção, na administração da causa pública, um detentor colocar o lugar á disposição quando se justifica, como é este o caso?

Não é exceção e acontece com regularidade. Não tem ideologia e, atravessa á vez, todos os governos.

Esta realidade de membros de governos não assumirem ética e politicamente responsabilidades pelos ministérios que tutelam quando a boa administração é posta em causa acontece porque, infelizmente, em Portugal alguns cidadãos, quando nomeados, não se colocam ao serviço da função mas, antes pelo contrário, colocam a função ao serviço do seu próprio interesse.

E o primeiro-Ministro que escolhe os Ministros providencia sempre que os Ministros pratiquem uma boa administração da causa pública?

E o Presidente da República, que dá posse a cada Ministro individualmente e testemunha o juramento de cada Ministro empossado, toma posição quando um Ministro não assegura a boa administração da causa pública?

Esta atitude dos reponsáveis políticos de não assumirem as responsabilidades inerentes aos cargos públicos que ocupam, de não se sentirem obrigados a dignificar com ética os Ministérios que dirigem é, a par de outros males da nossa democracia, uma das causas do lastimável estado português em que vamos vivendo.

Em Portugal existe, por parte de muitas pessoas, a prática de colocarem as funções que desempenham em benefício próprio e quando esta realidade acontece com políticos que têm funções de administração da causa pública a regra costuma ser a troca de influências com amigos, os camaradas do partido, o Patronato e Clientelismo.

Quando acontece, as pessoas, como o Sr. Cabrita, sentem-se á vontade e suficientemente impunes para não se colocarem ao serviço da função que representam.

Este Sr. Cabrita é amigo político e pessoal do Sr. Costa que, por coincidência, é PM e que tem o poder de decisão sobre si.No entanto, como o Sr. Costa é amigo do Sr. Cabrita, o dever de agir em conformidade com a função que representa não importa.

É do senso comum que quando a troca de influências é o dominante, a cumplicidade, o favor, a perca de independência quanto ao poder de decisão e a capacidade para fazer o que deve ser feito acontecem, o País sai prejudicado.

Por outro lado, sou crente quando o mérito, o dever de cumprir com as boas práticas, o assumir consequências quando as funções de administração pública o exigem, o País pode sair beneficiado.

Infelizmente, Portugal está cheio de Srs. Cabrita e Costa e a troca de favores, Patronato e Clientelismo dominam.

Sou céptico que sem mudar este perfil de Senhores, não será possível ter a esperança num País em que os cidadãos estejam ao serviço das funções. É uma pena.

Bem Hajam.

Crente ou céptico?

Um primeiro post de Blog deve ser a apresentação do propósito que me proponho alcançar. Este Blog será um registo e partilha de Crenças e, por oposição, Cepticismos que acumulei ao longo da minha vida nas suas múltiplas facetas.

Todo o ser humano deve ser crente e tem, presumo, a obrigação de ser céptico. Sou Crente porque, desde logo, assumo valores e princípios em que creio. Sou Céptico porque não gosto de crer em tudo o que me interessa sem antes me certificar .Também sou indiferente, mas os temas a que sou indiferente não vão ter espaço neste blog.

Enquanto jovem iniciei a minha percepção das múltiplas possibilidades de crenças que me rodeavam, desde logo as crenças associadas á família e aos amigos. Então, o cepticismo quase não que existia, não estava associado ao meu meio envolvente que, como na generalidade dos jovens de então, era pequeno. Depois veio a actividade profissional e mais tarde iniciei uma família e vieram filhos.

A actividade que profissional que escolhi, a de comercial que hoje se intitula de B2B, implicava interagir com pessoas diversas: na educação, no conhecimento, nos propósitos e nas crenças e cepticismos que demonstravam.

Foi neste ponto que iniciei a minha afirmação como adulto e foi, também, como que uma nova vida. A infância e a juventude eram passado, era o tempo de utilizar as crenças acumuladas e preparar-me para o cepticismo futuro.

De um menino filho único, com todas as implicações que caracterizam os filhos únicos, iniciei uma realidade em que passei a ser uma ínfima parte de um todo completamente novo. Foi difícil e desafiante, suportei a parte difícil e empenhei-me no desafio que se me apresentava. Neste ponto foram-me úteis as crenças transmitas pelos meus pais de resiliência perante dificuldades e empenho frente aos desafios. Assim tem sido ao longo dos meus anos, com vitórias e derrotas.

Foram anos em que me concentrei nas responsabilidades que fui assumindo ao longo da carreira profissional a par das responsabilidades que me impus na protecção, apoio e educação da minha família.

As responsabilidades profissionais já terminaram e os filhos já criaram as suas próprias famílias, estando no ponto em que me encontrei noutros tempos.

Agora é tempo de viver de outra maneira com realidades novas como este blog que me proponho construir. Irei escrever sobre as actuais realidades que me motivam crenças e cepticismos. É um novo desafio.

Bem Hajam.