A Democracia e o Radicalismo

Da Assembleia constituinte de Portugal de 1975 ao Capitólio dos EUA em 2021

A Democracia é um sistema político que vigora em Portugal desde 1975 até hoje e que assenta em princípios de organização política e sociais definidos pela Constituição de Portugal.

O radicalismo é uma ideologia política que vigora em Portugal desde sempre. O radicalismo é caracterizado por contestar os sistemas políticos do momento, pode ser individual ou coletivo e manifesta-se sempre dentro das fronteiras de cada Estado/País.

Existem muitos tipos de Democracias, a de Portugal está em linha nos seus princípios com os restantes Países da EU.

Existem outras formas de Democracias que divergem um pouco, muito ou totalmente da Portuguesa ou, se quisermos, do modelo europeu. EUA (um pouco), Rússia (muito) ou Venezuela (totalmente).

Em todos estes países a ideologia radical manifesta-se de uma forma ou outra, com mais intensidade ou não, num tempo recente ou a espaços.

Desde sempre o radicalismo foi apresentado com o seu nome próprio, daí o nome radicalismo, ou com outros nomes consoante o interesse ou a moda do momento. O seculo XX viu popularizados nomes como extrema-esquerda ou extrema-direita. Os menos rigorosos ou mais ignorantes também lhes chamam Fascistas, Comunista, Maoistas e outros “istas”.

Não concordo, todas estas ideologias representaram, em tempo passado, sistemas de poder oficial e tiveram também os seus radicais.  

As manifestações radicais, contra os poderes políticos de cada momento evoluíram de extremamente violentas em termos físicos no passado para os dias de hoje em que, quase sempre, são de caracter verbal e pressão política. O objetivo é o de mudar o sistema político vigente no seu todo ou em parte, ao mesmo tempo que o radicalismo violento com consequências passou a ser criminalizado.

Feita esta nota introdutória, no caso de Portugal assisto, por parte de muitos dos que fazem opinião, a uma atitude perante o que se passou nos EUA recentemente despropositada e parcial: condenam o radicalismo da manifestação mas não condenam os efeitos criminosos do radicalismo.

Ao não separarem o que as imagens e relatos mostram: a imensa multidão que se manifestou contra algo que considerava injusto ou incorreto e a pequena multidão que ao invadir o Capitólio (dita casa da Democracia norte-americana) provocou morte, destruição e roubo.

Portugal, no seu passado recente conheceu muitas manifestações semelhantes (felizmente sem mortes) que provocaram destruição e roubo que não provocaram a indignação que hoje se verifica com o que se passou nos EUA.

Para os que em 1975 ainda não eram nascidos ou eram suficientemente jovens e que talvez representem hoje a maioria da população atual, recordo os acontecimentos de 27 de Setembro em que o consulado, a embaixada de Espanha em Portugal, assim como outras instalações consulares no nosso País, foram invadidos por radicais, destruídas e pilhadas.

Ainda no ano de 1975 mas em 12 de Novembro uma multidão de radicais e insurgentes provocou um cerco à Assembleia Constituinte de então, mantendo reféns os deputados que estavam a preparar a futura e atual Constituição da República de Portugal.

Então em Portugal como agora nos EUA as democracias de ambos os Países souberam e vão saber ultrapassar estes atos de radicais e fazer funcionar os respetivos sistemas políticos.

Existe uma diferença nestes dois atos radicais que é a consequência.

No caso de Portugal, na época, a indignação morreu solteira por parte das correntes de pensamento que hoje se indignam com o que se passou nos EUA e os responsáveis conhecidos pelos atos ficaram impunes quer criminalmente quer politicamente: hoje, alguns até são figurões de uma certa elite em Portugal.

No caso dos EUA, a indignação é geral e os responsáveis conhecidos irão ser julgados criminalmente (com penas exemplares estou certo) e politicamente serão ostracizados pelos seus pares.

O povo e os responsáveis políticos dos EUA não necessitam das manifestações de preocupação de Portugal, sabem com o que se preocupar e têm meios suficientes para resolver os problemas, mesmo este que efetivamente foi grave e nunca devia ter acontecido.

Quanto aos alguns comentadores da nossa praça será melhor que escolham para se babarem e destilarem ódio sobre o que invejam ou não gostam melhor seria que se entretecem com os “Venturas” cá da aldeia.

Bem hajam.

As Empresas saudáveis fazem as Economias crescer?

Sim, seu crente que um País que tem maioritariamente empresas capitalizadas, gestão no interesse das empresas, colaboradores profissionais e com bons produtos/serviços, tem certamente uma economia robusta e permanentemente a crescer.

PIB Holanda per Capita Ano 2000 (28.380€) a 2019 (46.710€) – Cresceu 28.380€ – exemplo de Economia saudável

A minha vida profissional foi exercida no sector privado em empresas saudáveis e pude testemunhar que eram empresas com crescimentos de clientes, em volume de bens/serviços vendidos e, consequentemente, crescimento de faturação ano após ano.

Os resultados que estas empresas conseguiam eram obtidos com boas práticas, sem fugas de qualquer natureza de ordem fiscal ou outra e com estratégias de remuneração e benefícios aos colaboradores sempre acima do praticado no nosso País. Era uma prática dessas empresas em qualquer País em que tivessem empresas.

Essas empresas continuam no mercado e fortes (porventura mais) tal como há 20 ou 30 anos atrás.

Também, durante a minha vida profissional conheci a face oposta, como clientes tive muitas empresas (a maioria) que eram empresas sempre em dificuldades (doentes), que não tinham boas práticas e fugas, sempre que possível, aos impostos e demais compromissos. Colaboradores mal preparados, sem formação para as funções que desempenhavam, mal remunerados. Colaboradores que espelhavam a qualidade da direção/gestão dessas empresas.

PIB Portugal per Capita – Ano 2000 (12.480€) a 2019 (20.740€) – Cresceu 8.260€ – Exemplo de Economia doente

Cedo aprendi duas verdades sobre estas realidades:

  • As empresas saudáveis têm bons colaboradores e, bons profissionais trabalham sempre em empresas saudáveis.
  • As empresas doentes deviam se tornar saudáveis para estarem em concorrência e igualdade de circunstâncias com as demais ou, não podendo por incapacidade dos seus responsáveis, deveriam fechar. Penso que existe uma regra (daquelas que nunca são cumpridas) que estabelece um determinado período de tempo consecutivo em que uma empresa pode apresentar resultados negativos.

Estas verdades são uma prática em qualquer País desenvolvido na Europa ou outro continente, porquê?

Porque os Países desenvolvidos para o serem precisam de Economias saudáveis.

Em Portugal também existem estas regras? Não

Existiram estas regras no passado? Não

Vão existir no futuro? Talvez, quando uma entidade exterior (UE por exemplo) tomar conta da Economia.

Chegados aqui importa recordar uma recente entrevista a um Socialista dos sete costados (penso eu) que milita no Partido desde os 18 anos e já está nos “entas”.

Ricardo Mourinho Félix de seu nome, com um curriculum académico bom, um curriculum profissional sempre no sector público (o habitual nos políticos do PS), secretário de estado nos governos AC e, agora, Vice-Presidente do BCE.

Ricardo Mourinho Félix appointed as Vice-President of the EIB
©Caroline Martin/EIB

Este Sr. Ricardo veio dizer que financiamentos europeus para empresas portuguesas doentes são de valor zero. De outra forma, não há financiamento para empresas inviáveis.

Depois explicou por palavras dele o que todas as pessoas que estão no sector privado sabem desde sempre: a fruta estragada não pode estar no mesmo cesto em que está a fruta sã.

Algumas ilações:

Foi necessário este Sr. começar com uma função no BCE para dizer acertadamente o que nunca disse em Portugal nas muitas funções oficiais que teve?

Será que este Sr. irá dizer aos seus camaradas que é tempo de terminar com o financiamento de empresas falidas ou a passo acelerado para?

Será que os seus camaradas vão poder acabar com os financiamentos às empresas dos amigos a quem devem favores e em que colocam os outros amigos que lhes pedem favores?

Vai ser difícil: voltamos ao tema da troca de favores, compadrios e por aí adiante.

Será que é possível Portugal vir a ter uma economia saudável e a crescer com estes governantes? Será que é melhor mudar de governantes?

Algumas previsões:

Esta compra maciça por parte do BCE de dívida portuguesa vai ter consequências que o governo em Portugal não vai conseguir contrariar?

Em consequência, poderemos vir a ter, cedo ou tarde (talvez cedo) uma entidade exterior a mandar nas políticas de apoio às empresas em Portugal?

E a dívida vai poder crescer sem limites como o Sr. Sócrates no passado e agora os seus seguidores gostam?

Por vezes é necessário que as coisas corram mal e bastante mal para que o bem possa acontecer. Era bom que estas pessoas que tão mal dirigem Portugal fossem afastadas e que outras mais competentes as substituíssem.

Talvez deste modo Portugal pudesse ver a luz de um crescimento económico sustentável.

Bem hajam.

Feliz Natal 2020

Que neste Natal,
eu possa lembrar dos que vivem em guerra,
e fazer por eles uma prece de paz.

Que eu possa lembrar dos que odeiam,
e fazer por eles uma prece de amor.

Que eu possa perdoar a todos que me magoaram,
e fazer por eles uma prece de perdão.

Que eu lembre dos desesperados,
e faça por eles uma prece de esperança.

Que eu esqueça as tristezas do ano que termina,
e faça uma prece de alegria.

Que eu possa acreditar que o mundo ainda pode ser melhor,
e faça por ele uma prece de fé.

Obrigada Senhor
Por ter alimento,
quando tantos passam o ano com fome.

Por ter saúde,
quando tantos sofrem neste momento.

Por ter um lar,
quando tantos dormem nas ruas.

Por ser feliz,
quando tantos choram na solidão.

Por ter amor,
quantos tantos vivem no ódio.

Pela minha paz,
quando tantos vivem o horror da guerra.

O Sr. Cabrita e o Ministro da Administração Interna

O Sr. Cabrita entende que não tem responsabilidades diretas no assassínio de um cidadão por 3 presumíveis criminosos e, consequentemente, não assume qualquer consequência para a sua vida privada.

Os possíveis assassinos vão ser presentes á justiça e esta, naturalmente, exercerá a sua função. Possivelmente serão condenados pelos atos que praticaram e cumprirão as penas a que forem condenados.

Até aqui nada de novo, regularmente pessoas são assassinadas pelas mais diversas razões e não me consta que exista constantemente um clamor público contra esta realidade. Todos confiamos que a justiça se faça.

Se o Sr. Cabrita fosse um cidadão comum ninguém se importaria com as atitudes que toma em qualquer momento.

TIAGO PETINGA/LUSA

Assim, o motivo deste post é o Ministro da Administração Interna que é uma “personagem a quem o Chefe de Estado confia a administração de um dos ramos da causa pública”

Deste modo quando um cidadão é nomeado para ser uma personagem está, em qualquer ato que pratique, a representar um papel determinado e passa a ter responsabilidades integrais sobre os acontecimentos, bons ou maus, que ocorrem no Ministério que tutela.

É consensual que os acontecimentos antes referidos, pela extrema gravidade e invulgaridade, afetam as responsabilidades políticas do Ministro.

O Ministério em causo, MAI, neste caso concreto está a ser acusado de uma administração da causa pública insuficiente por:

Reação tardia: acusam o Ministério de não ter sido célere na reação ao acontecimento,

Reação Insuficiente: não ter sido célere em assumir responsabilidades, em nome de Portugal, junto dos familiares diretos do cidadão assassinado.

O Ministro que tutela esta realidade, a que se juntam inverdades, informações contraditórias e demora não responsabilização da estrutura dirigente diretamente implicada nesta triste ocorrência, não colocou o seu lugar de responsável pelo MAI á disposição do Primeiro-ministro.

Pergunta-se se é uma exceção, na administração da causa pública, um detentor colocar o lugar á disposição quando se justifica, como é este o caso?

Não é exceção e acontece com regularidade. Não tem ideologia e, atravessa á vez, todos os governos.

Esta realidade de membros de governos não assumirem ética e politicamente responsabilidades pelos ministérios que tutelam quando a boa administração é posta em causa acontece porque, infelizmente, em Portugal alguns cidadãos, quando nomeados, não se colocam ao serviço da função mas, antes pelo contrário, colocam a função ao serviço do seu próprio interesse.

E o primeiro-Ministro que escolhe os Ministros providencia sempre que os Ministros pratiquem uma boa administração da causa pública?

E o Presidente da República, que dá posse a cada Ministro individualmente e testemunha o juramento de cada Ministro empossado, toma posição quando um Ministro não assegura a boa administração da causa pública?

Esta atitude dos reponsáveis políticos de não assumirem as responsabilidades inerentes aos cargos públicos que ocupam, de não se sentirem obrigados a dignificar com ética os Ministérios que dirigem é, a par de outros males da nossa democracia, uma das causas do lastimável estado português em que vamos vivendo.

Em Portugal existe, por parte de muitas pessoas, a prática de colocarem as funções que desempenham em benefício próprio e quando esta realidade acontece com políticos que têm funções de administração da causa pública a regra costuma ser a troca de influências com amigos, os camaradas do partido, o Patronato e Clientelismo.

Quando acontece, as pessoas, como o Sr. Cabrita, sentem-se á vontade e suficientemente impunes para não se colocarem ao serviço da função que representam.

Este Sr. Cabrita é amigo político e pessoal do Sr. Costa que, por coincidência, é PM e que tem o poder de decisão sobre si.No entanto, como o Sr. Costa é amigo do Sr. Cabrita, o dever de agir em conformidade com a função que representa não importa.

É do senso comum que quando a troca de influências é o dominante, a cumplicidade, o favor, a perca de independência quanto ao poder de decisão e a capacidade para fazer o que deve ser feito acontecem, o País sai prejudicado.

Por outro lado, sou crente quando o mérito, o dever de cumprir com as boas práticas, o assumir consequências quando as funções de administração pública o exigem, o País pode sair beneficiado.

Infelizmente, Portugal está cheio de Srs. Cabrita e Costa e a troca de favores, Patronato e Clientelismo dominam.

Sou céptico que sem mudar este perfil de Senhores, não será possível ter a esperança num País em que os cidadãos estejam ao serviço das funções. É uma pena.

Bem Hajam.

A prenda de Natal dos Portugueses

Portugal recebeu recentemente a notícia da disponibilidade de vacinas para a Covid 19 a partir do início de Janeiro de 2021. Foi a boa nova do ano que está a acabar e a melhor prenda para a população que está inquieta e preocupada com esta pandemia e para a qual o País não estava preparado como habitualmente não está preparado para qualquer acontecimento fora da rotina.

Antes do assunto que motiva este post, quero juntar a minha escrita á de muitos e muitos que têm elogiado o trabalho e a disponibilidade de todos os que, independentemente da profissão, se vêm superando nas suas obrigações e disponibilidade. Perante a emergência de se acudir ao perigo que a pandemia representava, todos os diretamente envolvidos, como um todo, responderam positivamente.

Não obstante, este problema de saúde pública provocado por uma imprevista pandemia veio mostrar que o País não está preparado para enfrentar situações extremas e possivelmente não poderá vir a estar nos anos mais próximos.

 O mais dramático é que esta realidade é estrutural: os recursos são escassos e os governantes insuficientes e falaciosos.

Insuficientes porque temos modelos de governação que sistematicamente não geram criação de riqueza e liquidez para investir em meios e falaciosos porque transmitem á população a ideia de que estão a dotar o Estado dos meios suficientes para acudir às necessidades da maioria, seja na saúde (como se verifica neste momento), seja na educação ou na justiça e, infelizmente, não é verdade.

Listas de espera algures em Portugal

Não fosse a visão que outros protagonistas tiveram no passado em nos integrar na União Europeia que, sem esta garantia da UE, estaríamos agora com uma realidade bem mais dramática e com pouca capacidade de reação. Sempre fui crente de que a nossa integração na UE foi benéfica para a organização, disciplina e rigor da nossa sociedade.

O que não entendo é este método de governar em que se desvalorizam as dificuldades e se anunciam soluções como se os recursos fossem infinitos e quando confrontados com a realidade as soluções anunciadas não aparecem.

Temos muitos políticos que enchem a boca com um Estado que assume proteção para as mais diversas necessidades, cobram-nos a todos, abastados e necessitados, impostos, taxas e taxinhas elevados com o argumento de esses recursos serem necessários para manter um Estado protetor.

No entanto, nos momentos em que os verdadeiramente insuficientes necessitam de um Estado protetor ele, o Estado, não tem capacidade para acorrer a essas pessoas porque os recursos confirmam-se como sempre escassos e, ao não serem bem geridos, nunca vão aparecer quando são necessários. A manta vai ser sempre curta como diz o povo.

Disseram-nos que iam encomendar vacinas suficientes para a população de uma forma geral, com uma taxa de cobertura de elevada. Foi uma das últimas falácias. Agora sabemos que foi a UE que se encarregou de encomendar e assegurar a logística da distribuição das vacinas pelos Estados membros, Portugal incluído. Vamos receber as vacinas que previamente nos foram destinadas. Quando chegar a hora de pagar as vacinas vai ser, novamente, a UE a assumir a responsabilidade junto dos respetivos fabricantes.

Deste modo, é a UE que vai assegurar aos portugueses todo o processo de acesso á vacina para a Covid 19 desde a encomenda até ao pagamento.

Sobre a notícia da prenda de Natal

Aos nossos governantes vai caber a responsabilidade de a administrar á população que como sabemos é semelhante á população de uma região como Londres por exemplo. Esperemos que esta responsabilidade, a de administrar a vacina, seja cumprida. Estou céptico quanto ao seu cumprimento.

Concluindo, a UE, não obstante as críticas de alguns, brindou-nos com uma prenda natalícia pela proximidade com a data. Sou crente em como as vacinas vão chegar nos tempos definidos e, assim sendo, este problema poderá ser bem enfrentado no próximo ano.

Bem hajam.

O acampamento junto da AR

Esta novidade de um grupo de pessoas montarem um acampamento em frente da Assembleia da República merece alguma reflexão por diversos motivos, entre estes porque se pode tornar uma moda e corremos o risco de vir a ter, em algum momento, um acampamento, tipo campismo selvagem, se vários grupos de pessoas decidirem protestar, por motivos diferentes, ao mesmo tempo.

Ao que parece não colide com nenhuma das muitas leis de ordem pública que temos, pelo que este potencial problema terá de ser resolvido de outra forma.

É do conhecimento geral que em Portugal muitas pessoas, empregados ou proprietários, estão a passar por enormes dificuldades em resultado das medidas de saúde pública em vigor. Mas antes já havia muitas pessoas e proprietários a passar por muitas dificuldades.

É do conhecimento público que o governo está a ajudar as pessoas e as empresas com múltiplas iniciativas mas todas com implicações na dívida pública, leia-se no dinheiro dos contribuintes residentes em Portugal e residentes na EU por via dos fundos enviados e a enviar para este efeito da ajuda extraordinária.

É do conhecimento geral que este grupo de pessoas que está a fazer este protesto, com acampamento montado em frente á Assembleia da República, são, na área de actividade em que têm empresas, proprietários com sucesso e bons resultados nos últimos anos.

Notícias, porventura falsas, dizem que todos, ou alguns, fazem questão de mostrar ou divulgar os elevados investimentos feitos quer em novas empresas quer em bens, inacessíveis ao trabalhador comum, de consumo para uso próprio.

Fiz uma vida profissional no sector privado e estou formatado para apoiar o sucesso expresso em lucro e fortalecimento financeiro das empresas.

Chegado a este ponto, não entendo porque estas pessoas montam uma tenda e se propõem fazer uma greve de fome com o argumento de quererem pedir apoios financeiros ao governo como se o dinheiro fosse do governo e não dos contribuintes.

Com altivez, estas pessoas esclarecem que não é só pelas dificuldades que atravessam, mas principalmente pelos empregados (enquanto lhes pagarem) e por todos os proprietários dos sectores de actividade em que trabalham.

Creio que é uma falácia, não têm os seus trabalhadores no acampamento e as associações empresariais a que pertencem, que representam os proprietários, têm estado em contacto permanente com o governo no sentido de conseguirem apoios para os seus associados.

Ser proprietário de uma empresa tem muitas implicações: as boas como os lucros e as menos boas como os encargos. Estas pessoas, que felizmente para eles viveram tempos de muitos lucros, deveriam prevenir os tempos de encargos. As crises acontecem e os cisnes negros poder surgir em qualquer momento. Desta vez foi a Pandemia da Covid 19, mas no futuro aparecerão outras crises.

A sabedoria popular diz que “em épocas de crise vão-se os anéis para ficarem os dedos”, Estas pessoas certamente acumularam alguns anéis, ou deveriam ter acumulado, para que agora pudessem ter uma almofada para enfrentar o mau momento.

Esta atitude de quando em dificuldade pedir ajuda ao governo não é saudável, repito que se trata de dinheiro de todos os contribuintes incluindo todos os que estão em dificuldades também.

Também não é aceitável que se monte um acampamento junto a um órgão de soberania para reivindicar dinheiros que os próprios deveriam ter acautelado. Apesar de jovens, ditos de sucesso, parece quererem impor o velho hábito de sugar ao Estado recursos que acabam sempre por faltar a situações muito mais graves e urgentes.

Estou céptico quanto á ideia de que os próprios tirem alguma conclusão positiva dos atos que estão a praticar e desejo que todas as pessoas empregados ou proprietários que passam por dificuldade as consigam superar por meios próprios e que o dinheiro dos contribuintes, que o governo está a disponibilizar, seja utilizado para ajudar sempre os mais dos mais necessitados.

Bem hajam

Valores – 1

Sou crente com a importância de ter valores.

Escrever sobre valores humanos ou “valores” pode ser um momento de reflexão para nós próprios ou para quem lê estas palavras. Cada cidadão tem os seus próprios valores e estes podem variar de um individuo para outro.

Alguns valores evoluíram a passo com o desenvolvimento da espécie humana. Valores que séculos atrás eram importantes nas comunidades de então, hoje porventura já não existem ou não são consensuais nas comunidades actuais.

Acresce que o desenvolvimento da humanidade ainda não apresenta uniformidade nos dias de hoje: por diversos motivos, ainda existem comunidades e regiões do globo em que a vida é diferente daquela com que nós convivemos no dia-a-dia.

Deste modo, irei concentrar-me nos valores que genericamente são reconhecidos no espaço em que vivemos: A Europa e as comunidades criadas nos restantes continentes com influência europeia.

Os povos europeus foram influenciados, desde os tempos do Império Romano, por uma cultura judaico-cristã que evoluiu a par com o desenvolvimento constante.

Não obstante, ficou a origem e a influência desde esses tempos e os valores que hoje temos como fundamentais e reconhecidos nas comunidades referidas são uma parte importante dessa influência judaico-cristã.

Os valores, como um todo, podem ser subdivididos em universais, morais, éticos, políticos, empresariais e muitos mais. Neste post escreverei sobre alguns dos valores que para mim tenho como importantes no meu comportamento e relacionamento com o meio que me envolve:

Honestidade– é um valor que consiste em agir de acordo com o que se pensa e sente de forma assertiva. Uma pessoa honesta é aquela que se mostra tanto na sua maneira de pensar como, consequentemente, nas ações que pratica.

Este valor é adquirido com o exemplo e o ensino. Acontece desde muito jovem no seio da família, ou no meio em que a criança é educada, e com o crescimento e as experiencias de vida de cada um vai-se solidificando no nosso carácter.  

É importante que sejamos honestos connosco para que, quando confrontados com a necessidade de a praticar, sejamos honestos com outros. Uma pessoa honesta tem mais facilidade em educar e criar descendentes honestos, ajudando a comunidade a ser mais honesta.

Este é um daqueles valores que parte do individúo para o colectivo.

Responsabilidade – é um valor que se refere ao cumprimento das obrigações contraídas seja em ambiente familiar, laboral, social ou um outro qualquer.

Responsabilidade implica, também, a capacidade de aceitar as consequências dos actos praticados. É uma característica positiva das pessoas que são capazes de se comprometer e agir oferecendo a garantia de assumir as consequências positivas ou não.

Este valor pode ser mais facilmente reconhecido numa pessoa honesta. De algum modo estes dois valores complementam-se.

A responsabilidade individual deve ser ensinada às crianças através do treino na assumpção de compromissos e consequências.

Tolerância – é um valor definido como “Respeito e consideração pelas ideias, crenças ou práticas de outros, mesmo quando diferentes ou contrárias às nossas”.

A tolerância é fundamental nos dias de hoje em que temos acesso a múltiplas realidades e o conhecimento é cada vez mais abrangente.

Acresce que as comunidades tornam-se cada dia mais materializadas e competitivas entre si. A disputa e o individualismo fomentam a intolerância e esta causa danos em todos os ambientes, sejam familiares, profissionais ou sociais.

Os anteriores valores, responsabilidade e honestidade habitualmente acompanham a vida de uma pessoa desde que adquiridos num tempo próprio. A tolerância não tanto.

É conveniente que, permanentemente, nos questionemos se estamos a ser tolerantes com todas as circunstâncias da nossa vida.

Vivemos uns tempos em que muitos reclamam de uma permanente falta de valores colectivos nos mais diversos contextos. Compete-nos avaliar as pessoas e os actos, também, á luz destes valores e com certeza poderemos individualmente ou colectivamente retirar conclusões.

Um cesto de fruta sã que tenha poucas frutas podres pode ser utilizado se retirarmos as frutas podres, mas um cesto que tenha as frutas podres não nos permite retirar as poucas que estejam sãs. Depende de todos a escolha do cesto.

Bem hajam.

1º Dezembro

Em 1 de Dezembro no ano de 1640 é restabelecida a Independência de Portugal como país soberano depois de 60 anos em que fez parte do Império Espanhol.

Era a época das Monarquias, em que os reis eram nomeados por sucessão dinástica independentemente da sua nacionalidade.

Foi o que sucedeu em 1580 quando o Rei Sebastião de Portugal faleceu na sequência da batalha de Alcácer-Quibir e se abriu uma crise quanto á sucessão do rei.

Então, havendo 3 hipóteses de sucessão, esta foi decidida por Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) da dinastia de Habsburgo.

Esta dinastia teve 3 reis em Portugal: Filipe I, Filipe II e Filipe III que governaram o reino de Portugal em simultâneo com o reino de Espanha (a chamada União Ibérica) e outros reinos europeus e ultramarinos.

Este período de 1580 a 1640 foi gerador de insatisfação junto da nobreza e do povo de Portugal e veio a culminar com um golpe militar que restabeleceu a independência de Portugal e instaurou a quarta dinastia portuguesa, a casa de Bragança.

Após o golpe militar a população festejou efusivamente

Apesar da monarquia constitucional já comemorar o dia 1º de Dezembro, uma das primeiras decisões da República Portuguesa, em 1910, foi passá-lo a feriado nacional.

Desde então, esta data é comemorada institucionalmente com maior ou menor fervor consoante as épocas. Nos dias de hoje sou céptico quanto ao fervor popular. No que respeita a este evento sou crente que mudou definitivamente e história de Portugal a partir daquele momento.

Registo da aclamação do novo rei em azulejo

Aqui fica o registo.

Com data mais recente e contemporâneo de muitos dos portugueses, comemora-se também a assinatura do Tratado de Lisboa em 2009.

Este acontecimento fez alterar muitas disposições da União Europeia e tem sido um referencial desde então até aos nossos dias.

Sou céptico quanto ao fervor popular com este acontecimento apesar dos 11 anos que comemoram o tratado.

Aqui fica o registo.

Bem hajam

Crente ou céptico?

Um primeiro post de Blog deve ser a apresentação do propósito que me proponho alcançar. Este Blog será um registo e partilha de Crenças e, por oposição, Cepticismos que acumulei ao longo da minha vida nas suas múltiplas facetas.

Todo o ser humano deve ser crente e tem, presumo, a obrigação de ser céptico. Sou Crente porque, desde logo, assumo valores e princípios em que creio. Sou Céptico porque não gosto de crer em tudo o que me interessa sem antes me certificar .Também sou indiferente, mas os temas a que sou indiferente não vão ter espaço neste blog.

Enquanto jovem iniciei a minha percepção das múltiplas possibilidades de crenças que me rodeavam, desde logo as crenças associadas á família e aos amigos. Então, o cepticismo quase não que existia, não estava associado ao meu meio envolvente que, como na generalidade dos jovens de então, era pequeno. Depois veio a actividade profissional e mais tarde iniciei uma família e vieram filhos.

A actividade que profissional que escolhi, a de comercial que hoje se intitula de B2B, implicava interagir com pessoas diversas: na educação, no conhecimento, nos propósitos e nas crenças e cepticismos que demonstravam.

Foi neste ponto que iniciei a minha afirmação como adulto e foi, também, como que uma nova vida. A infância e a juventude eram passado, era o tempo de utilizar as crenças acumuladas e preparar-me para o cepticismo futuro.

De um menino filho único, com todas as implicações que caracterizam os filhos únicos, iniciei uma realidade em que passei a ser uma ínfima parte de um todo completamente novo. Foi difícil e desafiante, suportei a parte difícil e empenhei-me no desafio que se me apresentava. Neste ponto foram-me úteis as crenças transmitas pelos meus pais de resiliência perante dificuldades e empenho frente aos desafios. Assim tem sido ao longo dos meus anos, com vitórias e derrotas.

Foram anos em que me concentrei nas responsabilidades que fui assumindo ao longo da carreira profissional a par das responsabilidades que me impus na protecção, apoio e educação da minha família.

As responsabilidades profissionais já terminaram e os filhos já criaram as suas próprias famílias, estando no ponto em que me encontrei noutros tempos.

Agora é tempo de viver de outra maneira com realidades novas como este blog que me proponho construir. Irei escrever sobre as actuais realidades que me motivam crenças e cepticismos. É um novo desafio.

Bem Hajam.

Orçamento de Estado 2021 – Crente ou Céptico?

A actualidade convida a escrever algumas linhas sobre a recente aprovação do Orçamento de Estado para o próximo ano, correndo o risco de repetir muito do que já foi escrito pelos múltiplos interessados e comentadores vários .

Como ponto prévio, o orçamento de Estado é um documento que elenca um conjunto de despesas e receitas previstas para o ano de 2021, pelo que é uma soma de intenções e, também, um meio de trabalho.

É um documento importante por enunciar as prioridades de investimento e os encargos fixos no que respeita a despesas e as prioridades em termos de impostos, taxas e taxinhas no que diz respeito a receitas.

Em teoria o orçamento de Estado reflete rigor no seu conteúdo: enuncia as opções de investimento, se as despesas correntes vão diminuir ou aumentar e no que respeita a receitas se a carga fiscal ou diminui.O cumprimento do orçamento, ou não, diz ao cidadão comum se os seus executores são rigorosos nos propósitos que por responsabilidade própria apresentaram ao povo por intermédia da Assembleia da República.

Este valor do rigor é importante para a avaliação que muitos cidadãos fazem dos seus governantes. Infelizmente na prática e nas últimas legislaturas os orçamentos têm sido traduzidas em execuções completamente distintas do orçamentado o que, consequentemente, provoca descrédito nos seus executores ou dito de outra forma: os políticos encarregados de governar os dinheiros públicos.

Como se verifica recorrentemente, existem argumentos para todos os desvios mas o que vale é que no fecho de contas a execução orçamental pouco ou nada tem a ver com o orçamento inicialmente aprovado para execução.

Esta realidade tem provocado ano após ano deficits, aumentos da dívida pública e maiores encargos para os contribuintes sem que a receita aplicada em despesas correntes e investimentos apresentem uma melhoria das condições gerais do País e dos seus cidadãos.

Para o próximo ano sou céptico quanto ao rigor no cumprimento do orçamento agora aprovado, os executores são os mesmos que no passado recente revelaram ausência total deste valor e por esta realidade da COVID 19.

Em conclusão, uma parte da população vai enfrentar realidades difíceis, senão mesmo desesperantes. Portugueses irão rebelar-se contra outros Portugueses.

Como dizia um transmontano que muito estimei: é necessário que os responsáveis paguem “as vacas aos donos”.

Bem hajam.