Como (tentar) ganhar as Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas deste mês vão ter, em confronto direto e único, duas opções claras de futuro imediato para os portugueses: o socialismo com o apoio do comunismo e radicais ou, os partidos não socialistas.

É verdade que vão a votos vários partidos políticos e que os eleitores têm múltiplas opções de voto.

Não obstante, tudo se resume a duas únicas soluções: por vontade dos eleitores e, também, porque a generalidade dos restantes partidos não constituem uma real opção de liderança e, consequentemente, soluções para o futuro imediato.

No que respeita ao socialismo que nos é prometido já deu prova do que faz e, deste modo, não importa aqui escrever muito mais: tem os seus eleitores e outros que se encarreguem de os motivar ao voto.

Quanto aos eleitores não socialistas importa escrever um pouco. As opções de escolha são múltiplas e a tendência será de distribuir os votos pelos vários partidos em disputa.

Estes partidos encontram argumentos para marcar diferenças do seu opositor, qualquer um destes líderes sente o dever de vencer, qualquer um destes partidos políticos tem uma fila imensa de candidatos a deputados e, infelizmente, qualquer um destes partidos pensa primeiro em si e nos seus interesses. No fim e contas feita, no passado, só um tem ganho e os restantes procuram argumentos para justificar os resultados obtidos.

Os partidos do socialismo são farinha do mesmo saco, no entanto têm uma vantagem: somam mais eleitores e, apesar de divididos por vários líderes, voltarão a ganhar e a impor mais socialismo e por mais tempo.

Estarão, os não socialistas, conformados com a realidade de os socialistas elegerem mais deputados como temos vivido nos últimos anos? Possivelmente sim, é a democracia a funcionar e os que têm mais votos é que governam.

Resta-nos a resignação de ficar em casa e não ir votar? Possivelmente sim.

Será que é inteligente ver os 4 partidos não socialistas concentrados, cada um por si, a tentar conquistar mais uns pontos percentuais no resultado final nacional e, no fim, clamar por ter ficado na 3º posição ou lamentar ter ficado em último? Sou céptico quanto a uma resposta definitiva.

Ao invés, sou crente de que verdadeiramente importante é eleger deputados suficientes para impedir o socialismo de ter uma maioria de deputados,

Assim, o que será inteligente, por ser inovador, deverá passar por os 4 partidos não socialista procurarem, cada um por si, aumentar os votos, somando coletivamente para eleger um número de deputados igual ou superior a 216.

Sabemos que o número de deputados eleitos pode não corresponder, proporcionalmente, ao percentual nacional no resultado final das eleições. Esta realidade deriva do método utilizado para eleger deputados por círculo eleitoral individualmente considerado.

Nos círculos eleitorais em que os partidos não elegem nenhum deputado, os votos que obtém, nesses mesmos círculos, só contam para o percentual nacional. São votos úteis para efeito de contagem nacional e são votos inúteis para efeito de eleição de deputados.

Exemplo:

  • Os partidos CHEGA e Iniciativa Liberal tiveram, nas últimas eleições legislativas, 66,448 e 65.545 votos respetivamente;
  • Em Lisboa tiveram 22.053 e 27.166 votos respetivamente. Foram votos úteis:
  • Com estes votos estes partidos elegeram 1 deputado respetivamente
  • Os votos nos restantes círculos eleitorais (44.395 e 38.378) contaram para o percentual nacional e não contaram para eleger mais nenhum deputado. Foram votos inúteis.
Exemplo de votos inúteis

Um voto, num determinado partido, é útil quando provoca um efeito positivo real:

  • Se o voto permite o aumento do percentual nacional é útil para quem o recebe;
  • Se o voto não permite, por insuficiente, a eleição de um deputado, num círculo eleitoral, é inútil para quem o recebe.

Este exemplo, em conformidade com o exposto, demonstra que estes 2 partidos tiveram, para efeitos de eleição de deputados a um nível nacional 44.395 e 38.379 votos inúteis respetivamente.

 Todos sabemos que as eleições são para formar a Assembleia da Republica com a eleição de 230 deputados. Os deputados são eleitos em 18 círculos distritais nacionais, 2 círculos das regiões autónomas e 2 círculos da emigração. Cada círculo é composto por um determinado número de deputados.

Os resultados de deputados, não socialistas, eleitos nas últimas eleições de 2019 e 2015 apresentam o seguinte quadro:

  • Eleitos em 2019 pertencem a 4 listas de candidatos: PSD, CDS, IL, CHEGA
  • Eleitos em 2015 pertencem a 1 lista; PSD/CDS

Segmentando os resultados nacionais poderemos classificar os círculos eleitorais em 3 níveis diferentes:

Um primeiro nível de círculos eleitorais que elegem até 8 deputados e elegeram só deputados do PSD em 2019:

Nível 1
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019;
  • O PSD não elegeu em 2019 nenhum deputado nos círculos de Portalegre, Évora e Beja num total de 8 deputados a eleger. Em união com o CDS elegeu em 2015 3 deputados nestes círculos.
  • Os novos partidos IL, Chega e o CDS, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais.
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.

Um segundo nível de círculos eleitorais que elegem 9 ou mais deputados com as exceções de Porto e Lisboa

Nível 2
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019 e repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • O CDS, apesar do número de votos obtidos nos círculos eleitorais de Coimbra, Leiria, Santarém, Setúbal e Faro, não elegeu qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.
Nível 3
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 5 deputados do que em 2019, repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível e segundo níveis;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado no círculo eleitoral do Porto, tendo elegido 1 deputado em Lisboa cada partido;
  • Neste quadro o PSD e CDS tiveram deputados eleitos e os partidos IL e CHEGA tiveram os seus votos no círculo eleitoral do Porto inúteis.

Em conclusão:

  • O número de deputados não socialistas eleitos nas eleições legislativas de 2019 e 2015 mostram que quando os partidos uniram os votos elegeram mais deputados no total dos círculos eleitorais (2019 = 80 deputados e 2015 = 104);
  •  Nas eleições de 2019 só o PSD elegeu deputados nos círculos eleitorais apresentados no nível 1;
  • O número de votos inúteis é expressivo quando os partidos se apresentam individualmente;
  • Um voto só é útil, para quem o recebe, quando permite eleger mais deputados, quando não permite eleger deputado algum é sempre um voto inútil.
  • Em Portugal dá-se destaque ao percentual de votos alcançado no final de cada eleição, no entanto, as eleições de 2019 demonstraram que o importante fora os deputados eleitos pelo socialismo, o comunismo e o radicalismo de esquerda.

Virando a página, os partidos não socialistas que têm a pretensão de terem uma maioria na próxima legislatura deveriam concentrar-se no objetivo principal de criar as condições para elegerem, no seu conjunto, um mínimo de 116 deputados, assim:

  • Para esta pretensão existem 4 partidos políticos: PSD, CDS, IL e CHEGA com todos a concorrem individualmente;
  • O PSD elege deputados em todos os círculos eleitorais com a exceção de Portalegre, Évora, Beja que nas eleições de 2019 ficou a zeros. Tem todos os seus votos são úteis com as exceções apresentados em que os votos serão inúteis se não reverter o último resultado de 2019;
  • O CDS não elege deputados em todos os círculos eleitorais apresentados no quadro do nível um e, igualmente, em todos os círculos eleitorais do quadro do nível 2 com a exceção dos círculos de Braga e Aveiro. Mantendo os deputados nestes círculos eleitorais de Braga e Aveiro terá os seus votos úteis, nos restantes círculos eleitorais, não revertendo o último resultado 2019, terá todos os seus votos inúteis;
  • Os partidos IL e CHEGA são uma incógnita quanto á perspetiva de votos úteis ou inúteis no que se refere aos círculos eleitorais dos quadros nível 1 e 2 e só o resultado final dirá quantos deputados elegerão nestes círculos e em quantos círculos;
  • Lisboa e Porto são círculos eleitorais em que todos estes 4 partidos elegerão, previsivelmente, deputados pelo que todos os votos que receberem serão úteis.

A necessidade de os partidos, em cada círculo eleitoral, terem um determinado número mínimo de votos para elegerem um ou mais deputados deveria motivar os partidos, não socialistas, a uniões circulo a circulo para potenciar, pela união, a eleição de mais deputados eliminando um número grande de votos inúteis.

Uma das causa da abstenção será, certamente, a convicção que alguns eleitores têm, de apesar de votarem num determinado partido, de o seu voto não somar os votos suficientes para eleger um ou mais deputados no círculo eleitoral a que pertence.

Os eleitores dos partidos, antes referidos, deveriam ser sensibilizados, pelos partidos envolvidos, para esta realidade de os votos poderem ter consequências diferentes em cada um dos círculos eleitorais: voto útil é quando soma para eleger deputados.

Os círculos eleitorais da emigração não são incluídos neste texto por motivos entendidos como suficientes.

Bem hajam.