Eleições Presidenciais 2025

Entre o centrão fatigado e a direita insurgente

As próximas eleições presidenciais de janeiro 2026 prometem um confronto inédito: o centrão político, que tem dominado a vida pública portuguesa nas últimas décadas, enfrentará uma direita populista em ascensão, que se apresenta como alternativa ao sistema.

O ato eleitoral colocará frente a frente candidatos independentes e outros com ligações partidárias claras, refletindo a divisão entre a política tradicional e novas formas de mobilização.
Entre os nomes mais falados estão António José Seguro e Marques Mendes, representantes do centrão, Gouveia e Melo, que se posiciona igualmente no centrão, e André Ventura, que lidera a candidatura mais abertamente ideológica e de rutura.

Pelo seu discurso e pelo partido que representa, André Ventura é o candidato que mais curiosidade e expectativa desperta entre os eleitores que procuram uma alternativa ao sistema. Embora ainda não sejam conhecidas todas as suas propostas para a Presidência da República, é possível antecipar o seu conteúdo a partir dos documentos programáticos do partido — nomeadamente as 100 Medidas Chega (2022) e o Programa Eleitoral para as Legislativas de 2025.

I. A matriz ideológica: nacionalismo, conservadorismo e populismo

Com base nesses documentos, é possível traçar o perfil ideológico do Chega como um movimento de matriz nacional-conservadora e populista de direita, que evoluiu de um conjunto de eixos programáticos genéricos para um programa de governo detalhado e coerente.
O Programa Eleitoral de 2025 consolida as ideias apresentadas nas 100 Medidas, reforçando os pilares da soberania nacional, da segurança interna e da rejeição das ideologias progressistas ou globalistas.

1. Nacionalismo e Soberanismo

Ambos os textos colocam a Soberania Nacional e os Interesses de Portugal no centro da ação política.

Patrícia de Melo Moreira/Getti images

2. Conservadorismo Social e Cultural

Esta é uma das dimensões mais consistentes do discurso político do partido.

  • Defesa da família tradicional: Apresentada como “a célula originária e fundamental da sociedade portuguesa”, a família deve, segundo o programa, ser protegida do “combate ideológico” promovido por políticas progressistas.
  • Rejeição da cultura woke: Condena a “propaganda da agenda LGBTI” e da “ideologia de género”, defendendo que o ensino deve preservar a visão tradicional dos papéis familiares e sexuais.
  • Valorização da História e Identidade: O ensino da História de Portugal deve recusar leituras revisionistas e assumir com orgulho o papel do país no mundo e na Lusofonia.
  • Caráter pró-vida: Defende a promoção de uma “cultura pró-vida”, propondo restrições à interrupção voluntária da gravidez, exceto em casos de violação, malformação fetal ou risco de vida da mãe.

3. Populismo Antissistema e Anticorrupção

O Chega apresenta-se como uma força de rutura contra o “sistema podre e corrupto” que, segundo o partido, tem governado o país.

  • Tolerância zero e endurecimento penal: Defende prisão perpétua para crimes graves e castração química para agressores sexuais reincidentes.
  • Combate à corrupção: Propõe agravamento das penas, perda da reforma e impedimento vitalício para políticos condenados exercerem cargos públicos ou transitar para empresas tuteladas.
  • Reforma política: Defende a redução do número de deputados (para 100-180) e a criação de um círculo nacional de compensação eleitoral.

4. Liberalismo Económico

Na economia, o partido aposta numa visão liberal e fiscalmente redutora, com foco na diminuição da intervenção estatal.

  • Simplificação fiscal: Propõe duas taxas de IRS (15% e 30%) e redução progressiva do IRC para 15%.
  • Abolição de impostos: Prevê a eliminação do IMI e do imposto sucessório para familiares diretos.
  • Rejeição do assistencialismo: O Rendimento Social de Inserção deve implicar contrapartidas em trabalho comunitário.

5. Pragmatismo Integrador (2025)

O programa de 2025 introduz medidas de caráter mais técnico, procurando integrar o discurso ideológico em soluções de governação:

  • Saúde: Propõe um modelo misto (ADSE Plus) que combine os setores público, privado e social.
  • Energia: Defende o desenvolvimento da energia nuclear (reatores SMR) para reforçar a soberania energética.
  • Infraestruturas: Propõe abolição de portagens, expansão ferroviária de alta velocidade e novo aeroporto.

II. O significado político da candidatura

Em síntese, os documentos do Chega traduzem uma ideologia nacionalista, conservadora e populista, que procura afirmar-se como resposta ao desgaste do sistema partidário tradicional.
O discurso da soberania, da ordem e do combate à corrupção funciona como eixo mobilizador de um eleitorado que se sente excluído ou desiludido com o “centrão”.

André Ventura, com esse programa, apresenta uma visão clara e coerente — o que, para muitos eleitores, é já uma forma de diferença.
Ainda faltam quase três meses para o ato eleitoral, e muito ruído mediático se fará sentir. Mas este exercício de leitura serve, modestamente, para clarificar o sentido político da sua candidatura e o contraste que ela estabelece com o sistema vigente.

Outros candidatos apresentarão certamente outras visões de Portugal.
O que estará em causa, em janeiro, é mais do que a eleição de um presidente — é o modelo de país que os portugueses desejam reafirmar ou transformar.

Bem hajam.

CHEGA

Quando em 9 de Abril de 2019 um grupo de portugueses deu entrada no tribunal constitucional de um pedido de autorização para fundar um novo partido político, estavam conscientes da necessidade de um projeto para dar mais voz e espaço politico para todo os portugueses que não sendo socialistas nas suas múltiplas versões: socialistas radicais, social-democratas ou socialistas liberais, necessitavam de uma representação que os representa-se junto das instituições democráticas existentes.

Portugal encontrava-se numa situação de desequilíbrio no que a representação das ideologias políticas predominantes na Europa diz respeito:

  • A Direita conservadora, nacionalista e cristã não tinha uma organização política que permitisse representar todos os portugueses que dela necessitavam;
  • O partido que mais se aproximava desta necessidade, acabara de perder qualquer influência desde 2015;
  • O socialismo, a cada ano, ia controlando mais e mais as instituições do regime e consequentemente a sociedade civil.

Assim, nasceu o novo partido de direita conservadora, defensor da identidade nacional e com o propósito de aceitar e se integrar na democracia liberal europeia: O partido CHEGA.

O Tribunal Constitucional aprovou a legalização deste partido e deste modo passou a ter todos os direitos e deveres que os restantes partidos têm na democracia portuguesa.

Foi assim que iniciou o seu processo de implantação em todo o território nacional e apresentou as linhas mestras do que queria ser e fazer. Sendo um partido novo num sistema politico estabilizado em que 2 partidos dominavam o poder desde a implantação da democracia e reconhecidos como sendo o ‘mainstream’ politico em Portugal, uma esquerda radical acomodada e tolerada pelo mainstream e uma direita inexistente, decidiu o CHEGA posicionar-se como um partido radical de direita em que o Populismo seria a estratégia a utilizar para uma progressiva influencia.

De acordo com estudiosos e especialistas europeus o Populismo não é uma ideologia, mas sim um meio diferente de fazer politica, em que a agenda destes partidos, de direita ou de esquerda, propõe-se trazer para a área da governação preocupações das populações e que não encontram resposta junto dos partidos do ‘mainstream’.

Este fenómeno de partidos radicais populistas de direita começou a ter expressão a partir do início deste século e generalizou-se em toda a Europa que pratica uma democracia liberal. Em Portugal chegou em 2019.

Os fundadores do CHEGA tiveram, assim, a possibilidade de estudar e preparar o partido para que tivessem a capacidade, desde o início, de receber a aceitação de um eleitorado que, pelos mais diversos motivos, não se reviam nos partidos existentes.

Estavam, também, preparados para a oposição e luta que os restantes partidos iriam dar e fazer. Tinha sido e continua a ser assim nos restantes países europeus, mas a “caravana” passa e continuará a passar.

Após o início da atividade, uma das principais prioridades foi a de iniciar uma implantação nacional, com estruturas fixas e militantes motivados ao invés de se acantonar em nichos territoriais.

As eleições Legislativas de 2019, a primeira vez que o CHEGA foi a votos, obtiveram um resultado condicente com o tempo de atividade, o conhecimento que os eleitores tinham e, ainda, a reduzida implantação territorial. Elegeu 1 Deputado para a Assembleia da República com 67.826 votos.

Em 2021, com dois anos de implantação no território nacional e uma atividade frenética no deputado único na Assembleia da República, o CHEGA apresenta candidatos nas Eleições Autárquicas desse ano em todo o território nacional. Os resultados são bons e promissores para o futuro.

  • 208.232 votos.
  • Tem mais 140.406 votos por comparação com a anterior votação nas Legislativas de 2019. Triplica o número de votos
  • Eleitos em 7 Distritos
  • Estava criada a base necessária para fazer crescer a implantação nacional

Um ano depois, em 2022, em consequência de uma conjuntura inesperada, o CHEGA não é surpreendido, no objetivo de crescer em implantação nacional, e nas eleições Legislativas de 2022, obteve um resultado de tal modo bom que se transformou no terceiro partido em número de votos e eleitos em Portugal:

  • 399.510 votos no total
  • Tem mais 191.278 votos por comparação com a anterior votação, apenas um ano antes, nas legislativas de 2021. Quase duplica o número de votos.
  • 12 Deputados eleitos.
  • Deputados eleitos em 8 Distritos no Continente
  • A implantação territorial estava confirmada

Este ano, depois da demissão do governo em Novembro de 2023, um ano depois de ter tomado posse, realizaram-se novas eleições legislativas e CHEGA com o resultado obtido abre o primeiro rombo no mainstream português.

Os resultados merecem um pouco mais de detalhe, assim:

  • É o partido mais votado no Distrito de Faro e Europa
  • É o segundo partido mais votado nos Distritos de Beja, Setúbal, Portalegre e fora da Europa
  • Nos restantes distritos do território Nacional é o terceiro partido mais votado.
  • É o partido mais votado em 9 Concelhos: Portimão, Lagoa, Silves, Albufeira, Loulé, Olhão, Salvaterra de Magos, Benavente e Elvas
  • É o partido mais votado em 85 freguesias distribuídas por 13 Distritos e 39 concelhos do território nacional

No diz respeito aos resultados das recentes eleições legislativas de 10 de Março, são:

5 Anos depois da sua fundação, o CHEGA vê confirmada a sua implantação nacional, com deputados eleitos em todos os círculos eleitorais, com exceção de Bragança, a confirmação como o 3º partido político na Assembleia da República e o fim do bipartidarismo que caracteriza o ‘mainstream’.

Estabelecida que está uma implantação nacional em estruturas, militantes e simpatizantes que rivaliza com os 2 partido do ‘mainstream’ em Portugal, vai o CHEGA ter um novo desafio este ano: as eleições para o Parlamento Europeu.

A tendência atual é para uma subida substancial, em termos gerais, nos Países que integram a EU, dos partidos radicais de direita populista. Se o CHEGA conseguir integrar esta tendência, passará, também, a ser um parceiro forte no contexto geral europeu, com a força dos deputados que elegerá e representarão Portugal no Parlamento Europeu.

No próxima ano realizam-se Eleições Autárquicas e, então, com um resultado, previsível, que estará em linha com os atuais, será possível acreditar que o ‘mainstream’ em Portugal conhecerá um consistente longo período de perca de influencia. A esquerda poderá já este ano iniciar a perca de influência em Portugal, com a soma dos resultados desta eleição e das 2 próximas, europeias e autárquicas.

Já Chega de esquerda.

Bem Hajam.

Eleições Legislativas 2024

Os resultados do território continental e ilhas, votantes em partidos do centrão, votantes em partidos de fora do centrão, os evangélicos, os abstencionistas

Os portugueses que votaram nas eleições do passado dia de Março (6.140.269 votantes) no território continental e ilhas da Madeira e Açores1 deram como resultado:

  • AD – 1.811.027 votos – 29.49% – 79 deputados
  • PS – 1.759.998 votos – 28,7% – 77 deputados
  • CHEGA – 1.108.797 votos – 18,1% – 48 deputados
  • IL – 312.064 votos – 5,1% – 8 deputados
  • BE – 274.029 votos – 4,5% – 5 deputados
  • CDU – 202.325 votos – 3,3% – 4 deputados
  • Livre – 199.888 votos – 3,3% 4 deputados
  • Pan – 118.579 votos – 1,9% – 1 deputado

Este resultado determinou uma diferença de 52.029 votos – 0,79% e 2 mandatos entre a AD (Aliança Democrática) e o PS (Partido Socialista) o que significa que existe um empate (quase) entre ambos os partidos. Com a soma dos resultados do círculo da Europa e de fora da Europa e pode-se manter esta atual correlação de forças ou não. Não obstante, o PS declarou-se vencido e reconheceu uma vitória da AD.

A abstenção foi de 3.131.210 eleitores, 33,77%, a menor desde os anos 80 do século passado mas igualmente significativa, 1/3 dos eleitores não votaram.

Estes resultados significam que os eleitores, como um todo votaram, entre a direita e a esquerda, maioritariamente na direita e deixaram bem claro que, por agora, a esquerda está fora:

Partidos/Aliançasvotos%Deputados
Direita
AD1.811.02729,4979
Chega1.108.79718,148
IL312.0645,18
Total3.231.88852,69135
Esquerda
PS1.759.99828,777
BE274.0294,55
CDU202.3253,34
Livre199.8881,94
Total2.436.24034,490

Esta realidade indicia que Portugal pode estar a começar a ter um alinhamento com a realidade da Europa. Desde finais do seculo passado que se vem intensificando uma influência cada vez maior de politicas e partidos políticos que contestam e substituem as conservadoras, no sentido em que se perpetuam sem se renovarem, das politicas e dos partidos do ‘mainstream’.

A Europa de hoje, que tem vivido a ser governada por partidos e sistemas políticos de democracia liberal, está a ser convidada a ser governada por partidos e políticas não-alinhadas com o ‘mainstream´ e que são por estes apelidas de políticas e partidos políticos de radicais e de direita.

A esquerda ´mainstream’ e muito mais a esquerda radical já foram ultrapassados e fazem parte do passado nos governos da Europa desenvolvida e liberal. Subsistem Portugal e a Espanha.

Finalmente, parece que em Portugal, após duas décadas depois do início do século XXI, parecem estar criadas as condições para acertar o passo com o que se passa com a generalidade dos Países Europeus em que estamos integrados e que são, globalmente, um exemplo de qualidade de vida e desenvolvimento para nós portugueses.

Este resultado, como veremos adiante, foi uma derrota para a esquerda moderada do centrão e, para a esquerda radical, a confirmação de outras derrotas recentes.

Os partidos do centrão em Portugal, PS e PSD (desta vez em versão AD), mantiveram o domínio dos votantes e juntos ainda constituem uma força líder em Portugal:

Partidos/AliançasVotos%Deputados
AD1.811.02729,4979
PS1.759.99828,777
Total3.571.02558,19156
    
202223.931.19772,56192

No entanto, por comparação com as eleições legislativas de 2022, o ‘mainstream’ em Portugal perdeu domínio e poder:

  • Menos 360.172 votos
  • Menos 14,37% de votos
  • Menos 36 deputados

Merece destaque o resultado do PS:

  • Menos 542.703 votos
  • Menos 13,8% de votos
  • Menos 43 deputados

Este resultado coloca o PS como o principal responsável pele perca de influência do ‘mainstream’ para os partidos radicais, com destaque total para o CHEGA e a direita radical em Portugal. O PSD (com o CDS e o PPM) manteve a posicções não comprometeu a influência do passado recente.

Assim como na generalidade dos Países Europeus, os eleitores em Portugal alargaram as suas opções de votos e reforçaram o partido radical de direita com um crescimento em número de votos e deputados. De modo diferente, mas mantendo a tendência que se verifica nos restantes países europeus, a esquerda radical no seu todo (pulverizada por três partidos) não cresceu e manteve os baixos níveis de votantes nas atuais eleições por comparação com o ano de 2022.

Os partidos que não integram o ‘mainstream’ em Portugal tiveram um crescimento grande com total relevo para o único partido radical de direita:

Partidos/Aliançasvotos%Deputados
Direita
Chega1.108.79718,148
Esquerda
BE274.0294,55
CDU202.3253,34
Livre199.8881,94
Total2676.2429,713

Por comparação com as legislativas de 2022, os partidos que não integram o ‘mainstream’, classificados como radicais, ganharam relevância:

  • Mais 830.625 votos
  • Mais 8,4% de votos
  • Mais 37 deputados

Em Portugal o ‘mainstream’ é constituído por 2 partidos, o PS e o PSD (socialistas liberais e sociais – democratas) que se posicionam num mesmo espaço político, o centro. No entanto, os partidos classificados como radicais formam duas tendências opostas e sem possibilidade de serem analisadas como um conjunto.

Deste modo, o partido CHEGA posiciona-se no espaço político de direita, conquistou um crescimento expressivo, de modo a colocar, num futuro próximo, o ‘mainstream’ em estado de alerta, o que é positivo porque vai obrigar a uma maior competência. O crescimento do CHEGA está em linha com a atual tendência do que se passa com a generalidade dos partidos radicais de Direita na Europa, o que faz antecipar um maior crescimento no curto prazo. As próximas eleições para o Parlamento europeu poderão confirmar.

No sentido oposto, os partidos BE, PCP e Livre, posicionam-se no espaço de esquerda radical, mantiveram o resultado de 2022:

  • Mais 276.583 votos
  • Menos 1 deputado
  • Menos 0,54% de votos

Apesar da forte queda do PS (‘mainstream’), do crescimento de eleitores e da abstenção face a 2022, o espaço político dos partidos radicais de esquerda manteve-se, globalmente, com a mesma influencia face ao todo. Estando este espaço político do radicalismo de esquerda em contraciclo com a tendência da Europa, pode-se antecipar um decrescimento no curto prazo. As próximas eleições para o parlamento europeu irão confirmar. 

De entre os partidos com menor influência, importa destacar o crescimento do ADN com 100.051 votos. Este partido apresenta a possibilidade de um crescimento, no futuro próximo, a considerar. A principal base de apoio influenciada por religiosos ‘evangélicos’, com grande aceitação junto de brasileiros naturalizados, tem tendência a crescer em Portugal e que será importante para uma implantação real em todo o território nacional.

Finalmente, talvez o mais relevante para os próximos atos eleitorais, foi a descida da abstenção em número de votos expressos e % de eleitores inscritos:

  • A abstenção diminuiu em 15,07% face às eleições legislativas de 2022

As eleições decorreram normalmente o que é de saudar, os eleitores manifestaram, com o voto, uma vontade de mudar a influencia dos partidos políticos e deseja-se que os próximos tempos proporcionem uma melhoria na qualidade de vida para a maioria da população e residentes estrangeiros.

Os próximos tempos clarificarão quais partidos utilizarão os votos e influencia que tiveram em favor de um benefício nacional e do seu povo e os que iniciarão ou continuarão a pensar prioritariamente em interesses próprios.

Bem hajam.

1 . Falta apurar os votos da Europa e resto da Europa – 4 mandatos a deputados

2. Resultados totais Nacionais

Nova política, Novos métodos e Novas ambições

Janeiro terminou com frenesim e expetativa nos resultados eleitorais e começou Fevereiro com a perspetiva de os partidos não socialistas terem 4 anos para mudar.

Das muitas citações disponíveis para a necessidade de mudar, utilize-se a que afirma: mesmos métodos igual a mesmos resultados. Se nas próximas eleições se pretende resultados diferentes dos alcançados em 30 de Janeiro, então vai ser necessário mudar métodos, melhor: estratégias.

Utilizando a ‘data’ referente às eleições deste século, não é necessário recuar mais, verifica-se que a soma de votos nos partidos antes citados, mostra uma regularidade cerca de 2.2 milhões de votos (excetuando em 2002 e 2011) e que estas votações não conseguem superar as que os partidos da área socialista conseguem, pelo que eles é que governam.

Quanto ao passado mais ou menos recente poderemos ficar por aqui, até porque as memórias deixadas não são de motivar alegrias.

O que este início de Fevereiro nos oferece, no que diz respeito a este assunto, é que os partidos não socialistas (#PSD, #CDS, #IL e #CHEGA) estão com realidades diferentes por comparação com as anteriores a 30 de Janeiro. Dois destes partidos estão em movimento descendente e os outros dois em movimento ascendente.

Este pode ser o momento para identificar qual o primeiro objetivo a alcançar: criar ‘escala’ no número de votos somando, o mais possível, a eleição de deputados nas próximas eleições.

Estamos muito longe de conseguir que todos ou parte destes partidos se disponham a juntar votos, no entanto é sobre mudar que se vai escrever aqui.

Todos sabemos que, para se apresentarem a eleições, os partidos elaboram as suas propostas eleitorais: uns mais criativos, substantivos, extensos ou nulos que outros. Também sabemos que utilizam diferentes meios de fazerem chegar as propostas eleitorais aos seus potenciais eleitores.

Foi assim por muitos anos e até parece que estes métodos são os suficientes pois que vão permitindo resultados melhores face aos resultados anteriores (IL e CHEGA), mas também permitem piores resultados (PSD e CDS).

Individualizando, na perspetiva aqui em destaque da conquista de mais eleitores, poder-se-á considerar que:

O #PSD, que tem uma implantação nacional, não funciona no que aos eleitores diz respeito: não contata, não comunica, não recolhe informação local, não prepara os seus militantes potenciais candidatos locais e, em conclusão não está presente junto da polução de uma forma permanente. Não se conquistam novos eleitores somente com aparições na última hora durante uma campanha eleitoral e com arruadas de uns poucos eleitores de sempre.

Este partido tem das melhores condições para conseguir bons resultados eleitorais:

  • Uma ideologia consolidada e aceite com uma base eleitoral significativa;
  • Recursos financeiros suficientes,
  • Uma bancada parlamentar em quantidade suficiente para ouvir e representar os eleitores de todos os círculos eleitorais;
  • Apresenta programas eleitorais com qualidade e responsáveis

Não obstante, na vence, não convence, não consegue manter um rumo consistente e a mensagem a novos potenciais eleitores não passa. Parece que não tem identificado o eleitorado que pretende conquistar e as equipas dirigentes não conseguem acertar nos melhores planos para os objetivos pretendidos.

Esta realidade não perspetiva um futuro diferente da situação atual.

O #CDS é aquele partido preguiçoso que não trabalha, não tira vantagem da reduzida implantação local, na ouve os eleitores, excluindo em períodos de campanha eleitoral, e o seu ‘programa’ vem declinando em aceitação faz algum tempo.

Lamenta-se e deseja-se que se reabilite. Ainda existem muitos i eleitores e a Democracia-Cristã merece uma representação forte e permanente.

Estes partidos, #PSD e #CDS, não foram suficientes e dececionaram todos os que pensaram numa mudança de rumo na liderança política portuguesa. Contudo, emergiram, de mínimos, dois outros partidos no espaço não socialista e essa é uma boa nova. 

A #Iniciativa Liberal-IL consegue uma representação parlamentar dentro dos objetivos divulgados pela liderança do partido o que significa que o trabalho desenvolvido foi intencional e com conhecimento dos métodos de conquista de ‘eleitores’:

  • Mostrou conhecer o território em que pretendia, preferencialmente, crescer eleitoralmente;
  • Identificou com rigor os perfis de ‘eleitores’ que pretendia conquistar;
  • Elaborou um ‘programa eleitoral’ ajustado ao perfil de eleitor pretendido;
  • Fixou-se em poucas ideias chave mas impactantes, um marketing moderno e uma campanha de rua jovem e positiva.

Este partido, em que os seus principais dirigentes têm origem no setor privado da economia, demonstrou que é possível arrancar com o liberalismo do início e criar uma implantação territorial e eleitoral suficiente para objetivos mais ambiciosos.

A Iniciativa Liberal sabe que existem 4 milhões de ‘eleitores’ que não votam e que representam um potencial de crescimento garantido. A experiencia adquirida, nos seus percursos profissionais, no setor privado da sociedade português, permite-lhes dominar as ferramentas da conquista eleitoral, pelo que previsivelmente o futura vai trazer mais sucesso para a IL e, por consequência, para o espaço não socialista.

O #CHEGA, que utilizou uma estratégia diferente da #IL, confirmou o que prometeu e merecia:

  • Em 2 anos tornou conhecido o nome do partido e do líder a uma escala territorial quase que total:
  • Apostou 100% nas pessoas com a angariação e formação do maior número possível de militantes;
  • Utilizou um discurso que vários segmentos de eleitores aprovam e de choque para os seus opositores, resultou em pleno: todos têm de falar do #CHEGA e do #André Ventura e se não for por bem que seja por mal;
  • Já conseguiu uma implantação local em grande parte do território nacional e com significativos eleitos locais;
  • Não privilegia nenhum perfil de ‘eleitor’ o que facilita a comunicação que poderá ser simples e entendida pelas pessoas comuns;
  • Tem os seus principais dirigentes com origem no setor privado da economia e, consequentemente, domina também as ferramentas de conquista do eleitor.

Este partido tem os seus objetivos de crescimento bem definidos e uma estratégia para os alcançar:

  • Crescer eleitoralmente junto dos eleitores que não votam e vai disputar este perfil de eleitor com a #IL;
  • Criar uma presença total no território nacional por forma a absorver eventuais eleitores por um possível esvaziamento do #PSD;
  • Moderação do discurso e da comunicação para uma melhor aceitação: este partido sabe que a partir de uma determinada fase do plano tem de ajustar a linguagem e as mensagens ao eleitorado que necessita para crescer.

Em conclusão:

  • São apresentados dois casos distintos dos 4 partidos que representam o espaço eleitoral dos eleitores não socialistas;
  • Um caso que agrupa os partidos #PSD e #CDS em curva descendente. O #PSD mantém um potencial grande de reversão para uma linha reta que dê suporte ao início de uma curva ascendente. O #CDS a lutar para a curva descendente não atingir o nível zero;
  • Estes partidos não são ativos permanentes na intenção de conquistar eleitores.
  • Um segundo caso que agrupa os partidos #IL e #CHEGA em curva ascendente;
  • O #IL tem potencial de crescimento, no curto prazo, moderado, o nicho de mercado do liberalismo não tem histórico no Portugal destes tempos pelo que, a tendência será a de consolidar e estruturar para um novo impulso de crescimento no futuro;
  • O #CHEGA tem bem claro que quer crescer muito e rapidamente, tem a estrutura de consolidação mais avançada. Ao ser generalista no crescimento pretendido pode absorver, em caso de grande procura, um maior número de eleitores num menor tempo. Tem capacidade de trabalho e tem bem claro o que tem de fazer, como fazer, recursos que necessita para fazer e com quem vai fazer;
  • Estes partidos são ativos permanentes na intenção de conquistar eleitores.

Poderá acontecer que num próximo ato eleitoral se venha a registar que este início de Fevereiro de 2022 marcou o princípio de uma frente eleitoral de partidos não socialistas de sucesso e vitória. Até que aconteça, deverá ser ao modo das empresas de sucesso: 3% de inteligência e 97% de trabalho e suor.

Bem Hajam

Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas do passado dia 30 de Janeiro foram surpreendentes face ao que os ‘analistas profissionais’ e empresas de sondagens prognosticaram: mais uma vez erraram.

O Partido Socialista ganhou e os partidos não socialistas foram insuficientes: o PS viu reforçada a sua bancada de deputados e vai poder governar em pleno nas suas capacidades e vontade própria, os partidos não socialistas vão ter 4 anos para se organizarem individual e coletivamente.

O quadro seguinte mostra que o número de votos dos 4 partidos não socialistas não aumentou no total geral face ao histórico das eleições anteriores desde o ano 2000:

O total de votos, com duas exceções, apresenta uma média constante de entre 2.1 e 2.3 milhões de votos em 5 de 7 atos eleitorais realizados neste século XXI.

As exceções são relativas aos anos de2002 e 2011 que resultaram de 2 governos de má memória para Portugal: António Guterres e José Sócrates. Os partidos PSD e CDS, únicos representantes do espaço não socialista de então, apresentaram-se a votos individualmente somando, respetivamente, cerca de 2.7 e 2,8 milhões.

Para estes dois singulares resultados eleitorais o PS deu um contributo significativo: Foi o ‘pantano’ em 2002 e a ‘insolvência (quase) nacional’ em 2011.

Os bons e promissores resultados eleitorais dos dois novos partidos (IL e CHEGA), nesta área não socialista, não somaram, face ao histórico anterior, tendo mesmo diminuído face a 2019. Poder-se-á, provavelmente, concluir que os partidos CHEGA e IL cresceram em número de votos em paridade com o número de votos que os partidos PSD e CDS diminuíram. Donde, para a causa de um espaço político não socialista, ficou tudo como antes.

Se no que respeita ao número de votos obtidos estamos esclarecidos, vejamos quanto ao número de deputados eleitos o que estas eleições nos mostram:

Este quadro mostra resultados aparentemente contraditórios:

  • Em 2015, os partidos não socialistas (PSD e CDS) concorreram coligados na maioria dos círculos eleitorais e com 2 milhões de votos elegeram 104 deputados;
  • Em 2019, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) concorreram individualmente na totalidade dos círculos eleitorais e com quase 2.3 milhões de votos elegeram 80 deputados e,
  • Em 2022, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) voltaram a concorrer individualmente na quase totalidade dos círculos eleitorais e com pouco mais de 2,2 milhões de votos elegeram 96 deputados.

Poderemos concluir, possivelmente, que a coligação formada nas eleições em 2015 entre o PSD e o CDS, apesar de um menor número de votos por comparação com as eleições de 2019 e agora em 2022, obteve um maior número de deputados por comparação com as eleições de 2019 e 2022. É o método de D’Hondt a funcionar e que não permite uma paridade de votos obtidos com deputados eleitos.

Esta realidade dá força aos que defendem, com o próprio incluído, que os atuais partidos, do espaço não socialista, deveriam pensar em coligações em determinados círculos eleitorais para futuras eleições legislativas e outras.

Finalmente, poderemos ver o quadro que mostra os resultados eleitorais destas eleições de 2022, no que a número de votos que não contribuíram para a eleição de deputados diz respeito, por círculo eleitoral com exceção dos 2 círculos da emigração:

  • Se, conforme cada círculo eleitoral, é possível eleger 1 deputado por cada conjunto de entre 19 e 22 mil votantes, o quadro diz-nos que o espaço dos partidos poderia ter elegido mais 5 deputados: Viseu, Coimbra, Portalegre, Beja e Aveiro. Em Lisboa, como sabemos, os 19,5 mil votos do CDS não foram suficientes;
  • Portalegre e Beja são bons exemplos: nenhum dos 4 partidos elegeu qualquer deputado.

 No texto publicado, antes destas eleições em Janeiro – https://viriatobatalha.blog/2022/01/ – deu-se destaque a esta realidade do voto que conta e do que não conta para a eleição de deputados. 

Muitas pessoas e alguns movimentos independentes dos partidos, do espaço não socialista, argumentam que é importante dar atenção a esta questão no quadro do sistema eleitoral D’Hondt. Os partidos deste espaço político deveriam incluir, nas suas futuras prioridades, esta temática.

Bem Hajam

Como (tentar) ganhar as Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas deste mês vão ter, em confronto direto e único, duas opções claras de futuro imediato para os portugueses: o socialismo com o apoio do comunismo e radicais ou, os partidos não socialistas.

É verdade que vão a votos vários partidos políticos e que os eleitores têm múltiplas opções de voto.

Não obstante, tudo se resume a duas únicas soluções: por vontade dos eleitores e, também, porque a generalidade dos restantes partidos não constituem uma real opção de liderança e, consequentemente, soluções para o futuro imediato.

No que respeita ao socialismo que nos é prometido já deu prova do que faz e, deste modo, não importa aqui escrever muito mais: tem os seus eleitores e outros que se encarreguem de os motivar ao voto.

Quanto aos eleitores não socialistas importa escrever um pouco. As opções de escolha são múltiplas e a tendência será de distribuir os votos pelos vários partidos em disputa.

Estes partidos encontram argumentos para marcar diferenças do seu opositor, qualquer um destes líderes sente o dever de vencer, qualquer um destes partidos políticos tem uma fila imensa de candidatos a deputados e, infelizmente, qualquer um destes partidos pensa primeiro em si e nos seus interesses. No fim e contas feita, no passado, só um tem ganho e os restantes procuram argumentos para justificar os resultados obtidos.

Os partidos do socialismo são farinha do mesmo saco, no entanto têm uma vantagem: somam mais eleitores e, apesar de divididos por vários líderes, voltarão a ganhar e a impor mais socialismo e por mais tempo.

Estarão, os não socialistas, conformados com a realidade de os socialistas elegerem mais deputados como temos vivido nos últimos anos? Possivelmente sim, é a democracia a funcionar e os que têm mais votos é que governam.

Resta-nos a resignação de ficar em casa e não ir votar? Possivelmente sim.

Será que é inteligente ver os 4 partidos não socialistas concentrados, cada um por si, a tentar conquistar mais uns pontos percentuais no resultado final nacional e, no fim, clamar por ter ficado na 3º posição ou lamentar ter ficado em último? Sou céptico quanto a uma resposta definitiva.

Ao invés, sou crente de que verdadeiramente importante é eleger deputados suficientes para impedir o socialismo de ter uma maioria de deputados,

Assim, o que será inteligente, por ser inovador, deverá passar por os 4 partidos não socialista procurarem, cada um por si, aumentar os votos, somando coletivamente para eleger um número de deputados igual ou superior a 216.

Sabemos que o número de deputados eleitos pode não corresponder, proporcionalmente, ao percentual nacional no resultado final das eleições. Esta realidade deriva do método utilizado para eleger deputados por círculo eleitoral individualmente considerado.

Nos círculos eleitorais em que os partidos não elegem nenhum deputado, os votos que obtém, nesses mesmos círculos, só contam para o percentual nacional. São votos úteis para efeito de contagem nacional e são votos inúteis para efeito de eleição de deputados.

Exemplo:

  • Os partidos CHEGA e Iniciativa Liberal tiveram, nas últimas eleições legislativas, 66,448 e 65.545 votos respetivamente;
  • Em Lisboa tiveram 22.053 e 27.166 votos respetivamente. Foram votos úteis:
  • Com estes votos estes partidos elegeram 1 deputado respetivamente
  • Os votos nos restantes círculos eleitorais (44.395 e 38.378) contaram para o percentual nacional e não contaram para eleger mais nenhum deputado. Foram votos inúteis.
Exemplo de votos inúteis

Um voto, num determinado partido, é útil quando provoca um efeito positivo real:

  • Se o voto permite o aumento do percentual nacional é útil para quem o recebe;
  • Se o voto não permite, por insuficiente, a eleição de um deputado, num círculo eleitoral, é inútil para quem o recebe.

Este exemplo, em conformidade com o exposto, demonstra que estes 2 partidos tiveram, para efeitos de eleição de deputados a um nível nacional 44.395 e 38.379 votos inúteis respetivamente.

 Todos sabemos que as eleições são para formar a Assembleia da Republica com a eleição de 230 deputados. Os deputados são eleitos em 18 círculos distritais nacionais, 2 círculos das regiões autónomas e 2 círculos da emigração. Cada círculo é composto por um determinado número de deputados.

Os resultados de deputados, não socialistas, eleitos nas últimas eleições de 2019 e 2015 apresentam o seguinte quadro:

  • Eleitos em 2019 pertencem a 4 listas de candidatos: PSD, CDS, IL, CHEGA
  • Eleitos em 2015 pertencem a 1 lista; PSD/CDS

Segmentando os resultados nacionais poderemos classificar os círculos eleitorais em 3 níveis diferentes:

Um primeiro nível de círculos eleitorais que elegem até 8 deputados e elegeram só deputados do PSD em 2019:

Nível 1
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019;
  • O PSD não elegeu em 2019 nenhum deputado nos círculos de Portalegre, Évora e Beja num total de 8 deputados a eleger. Em união com o CDS elegeu em 2015 3 deputados nestes círculos.
  • Os novos partidos IL, Chega e o CDS, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais.
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.

Um segundo nível de círculos eleitorais que elegem 9 ou mais deputados com as exceções de Porto e Lisboa

Nível 2
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019 e repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • O CDS, apesar do número de votos obtidos nos círculos eleitorais de Coimbra, Leiria, Santarém, Setúbal e Faro, não elegeu qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.
Nível 3
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 5 deputados do que em 2019, repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível e segundo níveis;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado no círculo eleitoral do Porto, tendo elegido 1 deputado em Lisboa cada partido;
  • Neste quadro o PSD e CDS tiveram deputados eleitos e os partidos IL e CHEGA tiveram os seus votos no círculo eleitoral do Porto inúteis.

Em conclusão:

  • O número de deputados não socialistas eleitos nas eleições legislativas de 2019 e 2015 mostram que quando os partidos uniram os votos elegeram mais deputados no total dos círculos eleitorais (2019 = 80 deputados e 2015 = 104);
  •  Nas eleições de 2019 só o PSD elegeu deputados nos círculos eleitorais apresentados no nível 1;
  • O número de votos inúteis é expressivo quando os partidos se apresentam individualmente;
  • Um voto só é útil, para quem o recebe, quando permite eleger mais deputados, quando não permite eleger deputado algum é sempre um voto inútil.
  • Em Portugal dá-se destaque ao percentual de votos alcançado no final de cada eleição, no entanto, as eleições de 2019 demonstraram que o importante fora os deputados eleitos pelo socialismo, o comunismo e o radicalismo de esquerda.

Virando a página, os partidos não socialistas que têm a pretensão de terem uma maioria na próxima legislatura deveriam concentrar-se no objetivo principal de criar as condições para elegerem, no seu conjunto, um mínimo de 116 deputados, assim:

  • Para esta pretensão existem 4 partidos políticos: PSD, CDS, IL e CHEGA com todos a concorrem individualmente;
  • O PSD elege deputados em todos os círculos eleitorais com a exceção de Portalegre, Évora, Beja que nas eleições de 2019 ficou a zeros. Tem todos os seus votos são úteis com as exceções apresentados em que os votos serão inúteis se não reverter o último resultado de 2019;
  • O CDS não elege deputados em todos os círculos eleitorais apresentados no quadro do nível um e, igualmente, em todos os círculos eleitorais do quadro do nível 2 com a exceção dos círculos de Braga e Aveiro. Mantendo os deputados nestes círculos eleitorais de Braga e Aveiro terá os seus votos úteis, nos restantes círculos eleitorais, não revertendo o último resultado 2019, terá todos os seus votos inúteis;
  • Os partidos IL e CHEGA são uma incógnita quanto á perspetiva de votos úteis ou inúteis no que se refere aos círculos eleitorais dos quadros nível 1 e 2 e só o resultado final dirá quantos deputados elegerão nestes círculos e em quantos círculos;
  • Lisboa e Porto são círculos eleitorais em que todos estes 4 partidos elegerão, previsivelmente, deputados pelo que todos os votos que receberem serão úteis.

A necessidade de os partidos, em cada círculo eleitoral, terem um determinado número mínimo de votos para elegerem um ou mais deputados deveria motivar os partidos, não socialistas, a uniões circulo a circulo para potenciar, pela união, a eleição de mais deputados eliminando um número grande de votos inúteis.

Uma das causa da abstenção será, certamente, a convicção que alguns eleitores têm, de apesar de votarem num determinado partido, de o seu voto não somar os votos suficientes para eleger um ou mais deputados no círculo eleitoral a que pertence.

Os eleitores dos partidos, antes referidos, deveriam ser sensibilizados, pelos partidos envolvidos, para esta realidade de os votos poderem ter consequências diferentes em cada um dos círculos eleitorais: voto útil é quando soma para eleger deputados.

Os círculos eleitorais da emigração não são incluídos neste texto por motivos entendidos como suficientes.

Bem hajam.

Eleições legislativas 2022 – Uma perspetiva

Os passados dias 27 e 28 de Novembro poderão vir a ser dias para recordar como o início consistente de uma viragem maioritária do eleitorado á direita.

No dia 27 o #PSD escolheu o seu líder, #Rui Rio, para se apresentar às eleições legislativas de 30 de Janeiro do próximo ano.

Rui Rio

No dia 28 o #Chega confirmou como líder #André Ventura, que vai ser o rosto do partido nas eleições já anunciadas.

André Ventura

Ambos vão ser importantes na afirmação política do espaço ideológico que se posiciona á direita dos socialistas, sejam quais forem.

Sendo pessoas diferentes, não deixem de ter características em comum: são patriotas, apoiantes de uma economia liberal, anti-socialistas, carismáticos, conhecem-se bem (possivelmente nas relações informais e privadas mantêm contactos) e, o mais importante, ambos pretendem liderar um novo rumo para Portugal.

Com este ponto de partida ambos vão trilhar percursos diferente, com eleitorados e propostas diferentes. É normal e desejável e o objetivo não deixa de ser comum: excluir o socialismo da área da governação.

Rui Rio, que leva vários anos a afirmar qual o posicionamento ideológica que pretende ter como eleitorado maioritário, apresentará um programa eleitoral que possa agradar ao seu eleitorado natural e investir no eleitorado do socialismo, principalmente o que vota PS.

Este programa eleitoral não afrontará ou ignorará os funcionários do sector público do estado e os pensionistas, nomeadamente os de mais baixas pensões e para quem a estabilidade e continuidade de atenção é indispensável. Este eleitorado tem um peso muito significativo no voto PS, tanto que foi quase que exclusivamente o garante que o partido teve nas últimas eleições.

É neste eleitorado que Rui Rio vai concentrar 50% do seu esforço. Tendo êxito obtém uma dupla vitória: consegue novos eleitores e, na proporção, esvazia o PS.

Os restantes 50% de esforço serão canalizados para a larga faixa de eleitorado que, desde 2015, não se vê representado no socialismo de António Costa e que é o sector privado: sejam os trabalhadores por conta de outrem, os que trabalham em nome individual ou os empresários de média ou pequena dimensão. Os grandes empresários, pela dimensão, sempre se sentem confortáveis com ou sem socialismo. Financiam ambas as partes.

Vamos ter um Rui Rio moderado no discurso mas contundente em áreas específicas: na área económica para o sector privado e nas áreas da saúde, ensino e sector social no sector público. Propostas concretas para nichos de eleitorado não fraturantes para o eleitorado a quem se dirige.

Vamos ter, também, o habitual em épocas de eleições: baixas de impostos e intenções de reformas do ‘sistema’.

Um plano ou projeto para Portugal no futuro certamente não vai acontecer desta vez. O sistema eleitoral e os ciclos de legislatura (4 anos) não permitem que se possa pensar global e abrangente para Portugal de uma forma credível. O passado democrático assim o demonstra.

O cidadão António Costa, na pele de primeiro-ministro, é que proclamava projetos e realidades para um futuro a 10,15,20 ou mais anos. Isso não existe e só ‘vendedores de ilusão´ é que o fazem. Nisso o PS tem alguns especialistas.

Rui Rio tem perfil de estadista, tem experiência política e profissional, pode ser que tenha adquirido as ferramentas para ser popular e, deste modo, conquistar a grande massa de eleitores que se move pelas questões mais simples do dia-a-dia.

Se Rui Rio conseguir eleitores suficientes para formar um governo estável dará um contributo grande para o que muitos designam como ‘refundação da direita´’ ao agregar todo um eleitorado que se movimente ao ‘centro’. Segundo alguns especialistas a maioria.

André Ventura e o partido Chega tem também um papel importante a desempenhar e que, de resto, já o vem vindo a fazer.

No passado recente havia a consciência, não expressa, de que muitos eleitores não se reviam nos partidos que, então, se propunham representá-los: o CDS e, porque não escrevê-lo, uma parte do PSD.

Estes eleitores que não tinham voz possivelmente engrossavam o número de abstencionistas ou votavam nas alternativas antes enunciadas, mas contrariados. Estes eleitores têm uma característica comum: são anti-socialismo.

Havia um vazio no espaço eleitoral da direita na democracia em Portugal que não se justificava. Esta realidade não fazia sentido e era necessário algo novo que mobiliza-se e agrega-se estes eleitores por forma a terem voz.

Foi o partido Chega ou poderia ter sido com outro nome e foi André Ventura como poderia ter sido um outro qualquer cidadão com o perfil para a empreitada.

A iniciativa foi bem-sucedida, o plano de implementação foi bem delineado e o resultado foi um partido novo que em 3 anos consegue posicionar-se com boas perspetivas de cobrir o espaço da direita que estava órfã de representação.

André Ventura aprendeu, ou já sabia, bem a lição: falar grosso, contra o ‘sistema’, algumas propostas fraturantes e esperar que a esquerda fizesse o trabalho de o dar a conhecer aos portugueses e de implantar o partido.

O que se passou faz lembrar o acontecido com a UBER e os taxistas: a UBER apareceu, afrontou os taxistas e estes na sua arrogância fizeram, com os incidentes que provocaram, o trabalho de anunciar a plataforma ao País. Resultado: a UBER é um sucesso.

André Ventura que tem neste momento uma base eleitoral identificada e estabilizada, prepara-se para a conquista do eleitorado que lhe assegure força suficiente paro o confronto político que se seguirá: suporte, em caso de necessidade, a um governo não socialista.

André Ventura vai propor ao eleitorado um programa económico liberal em linha com o que é habitual em partidos de direita na Europa, com afrontamento, ao invés do PSD, ao sector público do estado e uma pressão grande na área dos valores.

As atuais bandeiras do Chega estarão todas presentes não só para fixar o atual eleitorado como também cativar eleitorado que estava no CDS e PSD e que se revê nesses valores.

O futuro ditará quanto vale esta aposta na direita que estava sem representação.

A esquerda radical irá continuar a insultar este partido até que entenda que o seu problema não está numa nova direita mas sim numa ultrapassada esquerda que dizem representar.

António Costa com a esquerda radical

Não esquecemos os restantes dois partidos que se posicionam na Direita: a Iniciativa Liberal e o CDS.

Quanto aos liberais são, por enquanto, um nicho de eleitores com potencial de crescimento. No entanto, a prazo estarão condicionados pelo crescimento do Chega e a consolidação do PSD como partido de governo. O futuro ninguém o conhece e pode que esta opinião esteja completamente fora de sentido.

O CDS foi um partido importante no seu longo passado, mas que com a saída de Manuel Monteiro e o fim do seu projeto e, com a entrada de Paulo Portas atingiu o seu máximo para logo depois começar a sua queda.

Paulo Portas foi aquele eucalipto que tudo secou em redor e, a saída deste, levou o CDS de queda em queda até ao momento atual. Um partido sem gente experiente e de referência, dominado por jovens de uma geração em que tudo lhes parece fácil e se concentra no objetivo individual.

Terminando, esta perspetiva real ou ficcionada de Portugal, após as próximas eleições de Janeiro, enquadra-se no que é hoje a UE.

Uma realidade que não oferece ameaças ao ‘status’ dos países maioritários da UE e acaba com esta aventura socialista numa europa liberal.

Um espaço da direita que, em quase todos os países europeus, tem representação partidária e política nos respetivos parlamentos. É um normal na europa a existência de partidos radicais de direita.

Janeiro de 2022 vai ser, mais uma vez, o mês em que os eleitores vão escolher o futuro político de Portugal. Talvez que os que pretendem uma mudança superem os que preferem como está. Veremos.

Bem hajam.