Eutanásia – NÃO ou sim

Hoje, vai a votação a última versão, que o parlamento apresenta aos deputados, sobre a aprovação de uma lei que permite a qualquer cidadão solicitar que lhe seja aplicada a eutanásia 1.

Este é um assunto sobre o qual muito se tem escrito e, possivelmente, se continuará a escrever independentemente do resultado da votação parlamentar de hoje.

Pedro Passos Coelho, ex-Primeiro Ministro e político de referência para muitos portugueses, publica hoje no jornal Observador um texto sobre este assunto da eutanásia.

Este texto, além de representar um pensamento fundado do próprio autor, representa certamente o pensamento de muitos portugueses que não concordam com uma lei que permita a eutanásia.

Assim, com o respeito devido e todos os créditos ao autor, Pedro Passos Coelho, se reproduz na integra para conhecimento de quem interessado.

Bem Hajam.

https://observador.pt/opiniao/eutanasia-uma-decisao-demasiado-radical/

Eutanásia – uma decisão (demasiado) radical

Era bom que se soubesse que haverá quem não se conforma nem desiste de, no futuro próximo, pôr em cima da mesa a reversão da decisão que o parlamento se prepara para tomar, como numa democracia madura

O Parlamento prepara-se para aprovar, pela terceira vez, uma iniciativa de vários partidos para despenalizar e legalizar a eutanásia. É sabido que a última decisão parlamentar acabou por colher o veto do Presidente da República em razão de o Tribunal Constitucional a ter considerado desconforme com a Constituição em aspetos, aliás, para os quais várias opiniões juridicamente fundamentadas tinham chamado a atenção publicamente. O fim antecipado da anterior legislatura, precipitado pela decisão do mesmo Presidente, fez com que a nova tentativa só agora pudesse voltar a ser ensaiada pelos deputados. Veremos se o Presidente verá razões para voltar a suscitar a intervenção do Tribunal e, nesse caso, qual a declaração que este último emitirá sobre o texto que foi já aprovado na especialidade esta semana. Dado que não sou constitucionalista nem desejo discutir a constitucionalidade, não me manifesto sobre as eventuais desconformidades que ainda assim possam permanecer ou outras que eventualmente possam agora surgir no novo texto legal. A minha intenção é de natureza diferente e relaciona-se com a questão política de fundo.

Sou contra a legalização e despenalização da eutanásia por razões e dúvidas que tive já oportunidade de expor publicamente quando a primeira decisão parlamentar foi tomada. Tenho fundadas dúvidas, e as maiores reservas, de que as razões comumente invocadas para dar suporte a este novo regime – ser consequente com o respeito pela dignidade humana, com o reconhecimento pelo direito fundamental à autodeterminação e livre desenvolvimento da personalidade ou com a necessidade de mostrar misericórdia ou compaixão ativa perante o “sofrimento de grande intensidade” – sejam apropriadamente usadas para introduzir uma alteração tão radical na nossa sociedade como aquela que os deputados se propõem realizar.

A dignidade humana é inerente à pessoa. Deve ser invocada para defender e respeitar a pessoa enquanto tal e a vida em si mesma. Saber viver, ou morrer, com dignidade não é um sucedâneo óbvio ou imediato, mas uma questão de consistência com os valores que partilhamos. Não se perde a dignidade pelos infortúnios que a vida nos possa trazer nem se resgata dignidade simplesmente por não aceitar ou desejar viver uma vida que possa parecer ter perdido o sentido de ser vivida. Parece-me mesmo que há algo de perverso em se poder usar o conceito de dignidade humana para executar um regime público que ajuda a pôr fim à vida.

O direito à autodeterminação também não deveria ser entendido como um instrumento ao serviço do suicídio organizado socialmente. Percebe-se a intenção de usar conceitos e expressões da letra constitucional para evitar acórdãos desfavoráveis, mas no contexto da eutanásia a sua evocação soa abusiva. Como valor positivo, o reconhecimento à autodeterminação é a consagração formal do exercício do direito a ser (autónomo, independente, a ser-se quem é ou se deseja ser) e a ver respeitado tal direito. Como valor negativo importaria no reconhecimento formal ao direito individual a não ser e da respetiva aceitação social. A questão pode ser filosoficamente estimulante e pertinente, mas a extensão do reconhecimento desse direito a uma espécie de contrapartida constituída por uma obrigação social de ajudar alguém a não ser só pode ser uma corrupção, legal e filosófica, do direito à autodeterminação. Por mais defensor que seja, e sou, do princípio da liberdade, tenho dificuldade em aceitar que a extrema e, seguramente, desesperada decisão de alguém em pôr termo à sua própria vida possa entender-se como um direito a reclamar dos outros a obrigação de contribuir ativamente para ver concretizada tal decisão.

Finalmente, a questão da compaixão perante o “sofrimento” (físico ou psicológico). Mais do que as questões anteriores, esta parece ser a que socialmente mais continua a merecer a reflexão por parte das pessoas, e percebe-se que seja assim. Desde logo porque quase todos podem ter vivenciado situações de sofrimento de alguém chegado, seja porque a idade avançada trouxe esse desfecho, seja porque o infortúnio de uma doença oncológica, por exemplo, não conseguiu ser vencido. Poderia ter sido de outra maneira? Mas também porque cada um olha para o seu próprio futuro e receia ver-se confrontado com o mesmo desfecho. Terá de ser assim, ou poderá ser de outro modo? Estas possíveis perguntas compreendem-se muito bem e serão, no final de tudo, aquelas que angustiam mais as pessoas em geral. No entanto, não havendo respostas fáceis para estas perguntas, é possível conceber um sistema social em que o sofrimento seja amplamente evitado ou diminuído sem que as pessoas tenham de ser confrontadas com a necessidade de pedirem a morte, não para exercerem livremente a sua autodeterminação nem para se sentirem dignas na forma como vivem uma vida que está a chegar ao seu fim, mas para poderem viver o que lhes resta com o menor sofrimento possível, como é decente que se possa desejar. Parece-me claro que uma sociedade como a que temos hoje só não se organiza ou orienta nesse sentido se não o desejar ou não lhe conceder a prioridade devida. Realmente não há hoje razões para não oferecer a quem precisa pelo menos os cuidados médicos paliativos adequados que evitam muito do sofrimento.

Porque será que, em vez de serem exigentes perante os governos e a administração, no sentido de estes orientarem as prioridades naquele sentido, persistem tantos deputados em concentrar esforços em insistir numa solução que, no fundo, encaminha as pessoas para pedirem para morrer? E sendo esta uma alteração tão radical no modo como organizamos a vida e o seu fim, por que razão se escondem os partidos de modo geral na consciência de cada um para delegarem na iniciativa de deputados estas iniciativas, na vez de se apresentarem eles mesmos aos eleitores com propostas claras nestes assuntos? Repare-se que não discuto que a decisão de cada deputado nesta matéria é sempre uma questão de consciência individual. Mas uma coisa é aceitar a objeção de consciência neste tipo de decisão, outra é afirmar que não se tem uma conceção destas matérias enquanto partido e deixar que sejam os deputados por si mesmos a decidir o que a sua consciência indicar.

Não mudei de opinião nestes anos sobre isto. Não sendo um defensor de soluções referendárias neste tipo de matéria, compreendo que os que não se conformam com estas mudanças demasiado radicais procurem uma instância de recurso ou apelo para as evitar. Mas então faria sentido que pudessem assumir uma posição política substantiva na matéria enquanto movimentos políticos, porque é isso que fortalece o movimento de quem está contra e pede aos eleitores que não sufraguem esse caminho.

Como referi no início, não sei qual será o destino constitucional desta nova decisão do parlamento. Respeitarei, como sempre fiz, as decisões que formalmente vierem a ser adotadas. Insisto que não lanço qualquer opróbrio sobre as intenções de quem há anos insiste nestas mudanças e não desiste delas. O facto de não estar de acordo com tais ideias não me impede de reconhecer o direito que o parlamento tem de se pronunciar e deliberar sobre elas. Mas, não sendo questões passageiras e sem implicações maiores, devem merecer uma atenção política frontal de quem delas discorda. Estão os deputados que votarão favoravelmente a eutanásia persuadidos de que lutam por instituir um regime progressista e liberal, mais respeitador da dignidade humana? Não me custa aceitar que assim possa ser. Mas estou persuadido de que estão enganados nesse propósito. E quando olho para os poucos países onde tais mudanças se efetuaram e onde esse “progresso” chegou, mais razões acumulo para desconfiar da bondade dessa solução e para a rejeitar no meu país. Mais me convenço de que as boas intenções se abastardam com facilidade e de que mais nos encaminhamos para a desumanização orwelliana. Na anterior versão da lei pretendia-se antecipar a morte em razão de um “sofrimento intolerável” perante uma “doença fatal”, e agora já só se pretende reconhecer o direito a pedir a morte em razão de um “sofrimento de grande intensidade” perante uma “doença grave e incurável”? Sim, podemos julgar saber como a mudança começa, mas também sabemos como tem acabado, e sabemos isso quando olhamos para as experiências dos outros.

Mais do que esperar por uma decisão do Tribunal Constitucional, caso o Presidente da República sinta que deve suscitar a verificação preventiva de constitucionalidade ou caso um número adequado de deputados sinta que o deve fazer de modo sucessivo, o que desejaríamos era que os partidos que estão contra esta “revolução” de organização da eutanásia se comprometessem transparentemente em lutar pela sua revogação caso venham a lograr conquistar uma maioria de deputados no futuro. Era bom que se soubesse que haverá quem também não se conforma nem desiste de, no futuro próximo, colocar em cima da mesa a reversão desta decisão que o parlamento se prepara para tomar. Oferece certamente mais confiança para futuro e é claramente a democracia madura a funcionar.

1 Eutanásia é o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa https://pt.wikipedia.org/wiki/Eutan%C3%A1sia

A polícia e o Digital

Como quase sempre acontece em Portugal, a inovação digital e a rapidez em a colocar ao serviço do bem público e de uma boa administração pública não acontecem e, quase sempre, parece que não estamos integrados num espaço territorial de vanguarda que é a UE.

Em matéria de inovação digital e utilização dessa mesma inovação o Estado reage tarde, apesar dos exemplos e iniciativas que acontecem nos Países que utilizamos como exemplos em muitas outras iniciativas.

A recente notícia de que o Governo pondera equipar a polícia com micro camaras no fardamento usual dos agentes em serviço no exterior trouxe-me á memória factos de 2009 ocorridos em Londres no Reino Unido.

Modelo de camara video com som

Não sei quando o governo de Londres decidiu equipar os seus polícias com micro camaras, mas em 2009 já era uma realidade comum e genericamente aceite pelos cidadãos.

Tenho duas memórias daquela época relacionadas com camaras e micro camaras de vídeo e policias, uma quase que caricata mas significativa na demonstração da utilidade deste equipamento e relaciona-se com a proibição de deitar lixo ao chão.

É do conhecimento geral que em Londres só é possível fumar na rua, que existem cinzeiros estrategicamente instalados na vai pública para que os fumadores possam depositar as beatas e que algumas pessoas têm o hábito de deitar as beatas ao chão.

Polícia londrino com camara video incorporada no fardamento

Acontece que num dia de muito frio, ao sair de estação de metro de Stratford, um cidadão acendeu um cigarro e depois de o fumar deitou a beata ao chão, apesar de alguns cinzeiros de rua no local.

Então, um polícia dirigiu-se a esse cidadão e começou um discurso sobre a infração cometida e, de entre os vários argumentos utilizados, informou o infrator de que tinha uma camara no fardamento e que o acto estava registado em vídeo.

Após o esclarecimento sobre a proibição de deitar lixo ao chão, o polícia passou a respetiva multa de 80£ e finalizou o seu trabalho com a recomendação de não reincidir pois que a partir daquele momento passaria a ter um registo permanente da infração cometida.

Características da camara de video

No que respeita a que os policias venham a ter micro camaras de vídeo no seu equipamento, esta medida aparece com um atraso de mais de 10 anos por comparação com Londres e nem se entende a hesitação que parece haver quanto á utilidade que pode trazer ao desempenho da acção policial: é eficaz pela evidência que permite registar o acto praticado pelo cidadão no exato momento em que acontece e fica para memória futura em necessidade de confirmar eventual acusação e penalização do infrator.

É também dissuasora de muitos actos praticados em que o cidadão pode contestar eventuais erros de acusação ou infração por falta de prova concreta.

A concretizar-se esta iniciativa a polícia sai reforçada na sua autoridade e terá seguramente um impacto positivo na pequena criminalidade ou infrações que regularmente acontecem.

A outra memória tem que ver com uma notícia nada abonatória para a polícia e que estava relacionada com actos violentos praticados por agentes da polícia no interior de um posto de polícia para com uma cidadã que tinha sido transportada para o edificio para averiguações.

Importa esclarecer que em Londres quando a polícia intervém na via pública e quando confrontada com um qualquer problema, o envolvido ou envolvidos são transportados para a o posto de polícia e, então, todas as questões são aí esclarecidas. A polícia nunca trata de problemas e disputas com a autoridade na via pública.

Imagem captada por camara video no interior de um posto de polícia

Voltando ao assunto da cidadã em questão, acontece que estava embriagada e a dificultar a ação dos agentes. Deste modo, um ou vários agentes, perante a recusa ou impossibilidade de a cidadã se deslocar pelos seus meios, decidiram arrasta-la pelo chão de um local para outro.

Por consequência, esta cidadã decidiu fazer publicidade do que lhe tinha acontecido e a polícia foi chamada á responsabilidade por práticas indevidas e inaceitáveis á luz dos valores existentes.

Como foi feita a demonstração do que tinha acontecido e denunciado pela ofendida? Os edificios de polícia estão equipadas com camaras vídeo em todos os espaços utilizados pelos não agentes: celas, corredores, local de atendimento, etc.

Naturalmente que o acontecido estava registado e foi fácil comprovar a denúncia de maus tratos, identificaram os infratores e aplicaram os regulamentos com a respectiva punição.

Imagem captada de uma agressão a um polícia no interior de um posto de polícia

Sou otimista quanto á necessidade de equipar os postos de policia com sistemas de vídeo nas áreas em que os cidadãos podem estar ou circular e já deveria ter sido concretizada: mais uma vez porque permite o registo do comportamento dos cidadãos quer em contexto de detenção em cela, quer em contexto de estarem detidos para procedimentos vários.

Tem, também, a vantagem de ser dissuasor de comportamentos indevidos pela polícia e que em alguns casos implicam violência.

Um País desenvolvido tem o dever de proteger não só os seus polícias dos cidadãos, mas também os cidadãos dos excessos que alguns polícias praticam como por exemplo o recente caso no Aeroporto de Lisboa em que um cidadão morreu.

Se existissem camaras de vídeo no local em que o cidadão esteve detido e veio a falecer certamente que o que aconteceu não aconteceria, ou então não seria necessário um ano para se tentar comprovar o que provocou a morte do cidadão em causa.

Sou cético para com o reconhecimento do Estado da necessidade de equipar instalações de forças de autoridade.

A defesa incondicional dos direitos humanos e respeito pela autoridade do Estado são valores que, infelizmente, ainda vão demorar a ser praticados em Portugal e o exemplo do que acontece no Reino Unido nesta matéria desde há muitos anos pouco importa aos legisladores e políticos que temos.

Termino com uma inovação digital que está a ser utilizada pela polícia de Londres: camaras de vídeo de reconhecimento facial instaladas em locais públicos.

Exemplo de tecnologia digital de reconhecimento facial

A BBC NEWS publicou em 30 de janeiro de 2020 uma notícia em que escrevia sobre este assunto, junto um pequeno resumo e o link do site para melhor esclarecimento.

“A Polícia Metropolitana anunciou que usará câmaras de reconhecimento facial ao vivo pela primeira vez nas ruas de Londres. As câmaras ficarão com listas personalizadas de suspeitos procurados por crimes graves e violentos elaborados a cada vez…. as câmaras devem ser colocadas em ação dentro de um mês….o comissário assistente Nick Ephgrave disse que o Met tem “o dever” de usar novas tecnologias para manter as pessoas seguras, acrescentando que a pesquisa mostrou que o público apoiou a mudança….Ephgrave disse que o sistema também pode ser usado para localizar crianças desaparecidas ou adultos vulneráveis.”

https://www.bbc.com/news/uk-51237665

Viatura móvel da polícia equipada com camaras de reconhecimento facial

Ao ritmo a que estas inovações são introduzidas em Portugal, possivelmente só quando a UE tomar conta da segurança do estado e dos cidadãos portugueses, europeus e não europeus residentes em Portugal é que poderemos ambicionar a ter decisões sobre este assunto.

Bem hajam

O Centro, os Extremos e a UE

O centro político do PS, o PSD e o CDS, o extremo de esquerda do PCP, o BE e o extremo de direita do CHEGA são os principais atores da atividade política portuguesa. A EU começa (deseja-se) a ser o regulador desta atividade.

Nos anos que levamos do atual regime político, alguma propaganda sempre afirmou que o regime deveria ser protagonizado pelos partidos ditos ao centro, apoiada desde logo pelos diretamente interessados mas também por grupos e pessoas individualmente consideradas como a “inteligência”  e a dita “elite” do País.

Todas estas pessoas apoiadas nos partidos PS, PSD e a tempos CDS têm vivido num autêntico oásis de domínio, tráfico de influência, corrupção, uso indevido de recursos económicos e sociais.

Alguns dos protagonistas do século XXI

Alguns vão justificando como sendo efeitos colaterais ou os custos da democracia e assim vão vivendo com esta realidade e adiando o fim que esperemos esteja para breve.

Não sabemos qual a percentagem da população que se serve abundantemente e sem regra dos recursos de Portugal, mas sabemos que no todo da população é certamente uma percentagem pequena e que a grande maioria está como que aprisionada por este centro político que existe para se fartar a si próprio e aos seus.

O papel e intervenção dos extremos políticos, até á bem poucos anos exclusivamente de esquerda e, mais recentemente, também de direita tem historicamente uma atuação política exclusivamente de protesto contra o centro que tem dominado a vida politica nestes anos de democracia.

Alguns dos protagonistas do século XXI

Como os partidos radicais de esquerda têm programas e propostas politicas que a realidade demonstra não serem adequados ao tempo em que vivemos e ao espaço geográfico em que Portugal está inserido, por consequência têm eleitoralmente uma expressão pequena.

Os partidos radicais de esquerda nos últimos anos perderam a capacidade do protesto e o recente partido radical de direita está ainda num processo de implantação e afirmação de identidade naturalmente ainda com pouca influência.

Chegados aqui temos um regime democrático ocupado politicamente por partidos que dizem se posicionar ao centro político e que á vez vão governando e servindo-se a si próprios e aos seus comparsas dos recursos que a população em geral vai criando: são os partidos de poder

Temos também os partidos de extrema-esquerda e, agora, de extrema-direita que são votados a uma escassa expressão eleitoral e em que a sua voz só é útil para denunciar e protestar.

Sou céltico e parece que estamos bloqueados e votados como povo a um empobrecimento lento mas de sentido único.

No entanto devemos ter esperança no futuro e que algo aconteça e retire de cena esta política, estes dirigentes, estas sanguessugas que vêm, em nome de um interesse nacional, empobrecendo lentamente um País e um povo.

Felizmente que um outro parceiro, a UE, parece querer iniciar uma maior influencia no modo como Portugal e outros Países são governados.

O gigantesco financiamento com alguns fundos grátis e outros em condições consideradas muito vantajosas para Portugal vai ser, e bem, fiscalizado na sua execução pela própria UE. É uma imposição que visa garantir que estes fundos serão totalmente aplicados nos projetos que Portugal vai ter de apresentar para uma aprovação.

Assim, tudo parece que no futuro fundos que venham da EU para projetos e investimentos em Portugal, passarão a ser monitorizados diretamente pelas instituições da UE.

Responsáveis europeus atentos aos responsáveis portugueses

Sou crente e talvez que com estas decisões se inicie um processo de afastamento daqueles que desde á muitos anos se apropriam de muitos dos fundos que têm vindo da UE desde a adesão de Portugal.

Sou crente também que talvez com estas decisões se estanque e puna todos os que através de teias de tráfico de influências que sempre levam a más aplicações de fundos, com resultados indesejados e com prejuízo para os dinheiros dos contribuintes europeus enviados para Portugal.

São muitos milhares de milhões que têm sido entregues aos políticos da nossa terra e com insuficiente controlo por parte das entidades competentes. Sobram as denúncias, as evidências e os factos que suportam esta decisão da UE ter decidido que esta realidade deve terminar.

Bem sei que pelo meio deste lamaçal de má aplicação de fundos europeus, existem também investimentos bem-feitos, com resultados e protagonizados por pessoas sérias, interessadas no desenvolvimento e acima de tudo que respeitam os contribuintes europeus e os fundos que receberam e continuarão a receber. Mas esta realidade do cumprimento e das boas práticas é, ou deveria ser, o “normal”.

O que se espera da UE é que consiga ou imponha este ”normal” a todos os fundos que Portugal doravante vai receber independentemente dos fins a que se destinam.

Benvinda esta decisão da UE de impor regras e fiscalizar a aplicação de fundos. Talvez que no futuro se consiga o mesmo para Portugal. Deus queira.

Bem Hajam.

As Empresas saudáveis fazem as Economias crescer?

Sim, seu crente que um País que tem maioritariamente empresas capitalizadas, gestão no interesse das empresas, colaboradores profissionais e com bons produtos/serviços, tem certamente uma economia robusta e permanentemente a crescer.

PIB Holanda per Capita Ano 2000 (28.380€) a 2019 (46.710€) – Cresceu 28.380€ – exemplo de Economia saudável

A minha vida profissional foi exercida no sector privado em empresas saudáveis e pude testemunhar que eram empresas com crescimentos de clientes, em volume de bens/serviços vendidos e, consequentemente, crescimento de faturação ano após ano.

Os resultados que estas empresas conseguiam eram obtidos com boas práticas, sem fugas de qualquer natureza de ordem fiscal ou outra e com estratégias de remuneração e benefícios aos colaboradores sempre acima do praticado no nosso País. Era uma prática dessas empresas em qualquer País em que tivessem empresas.

Essas empresas continuam no mercado e fortes (porventura mais) tal como há 20 ou 30 anos atrás.

Também, durante a minha vida profissional conheci a face oposta, como clientes tive muitas empresas (a maioria) que eram empresas sempre em dificuldades (doentes), que não tinham boas práticas e fugas, sempre que possível, aos impostos e demais compromissos. Colaboradores mal preparados, sem formação para as funções que desempenhavam, mal remunerados. Colaboradores que espelhavam a qualidade da direção/gestão dessas empresas.

PIB Portugal per Capita – Ano 2000 (12.480€) a 2019 (20.740€) – Cresceu 8.260€ – Exemplo de Economia doente

Cedo aprendi duas verdades sobre estas realidades:

  • As empresas saudáveis têm bons colaboradores e, bons profissionais trabalham sempre em empresas saudáveis.
  • As empresas doentes deviam se tornar saudáveis para estarem em concorrência e igualdade de circunstâncias com as demais ou, não podendo por incapacidade dos seus responsáveis, deveriam fechar. Penso que existe uma regra (daquelas que nunca são cumpridas) que estabelece um determinado período de tempo consecutivo em que uma empresa pode apresentar resultados negativos.

Estas verdades são uma prática em qualquer País desenvolvido na Europa ou outro continente, porquê?

Porque os Países desenvolvidos para o serem precisam de Economias saudáveis.

Em Portugal também existem estas regras? Não

Existiram estas regras no passado? Não

Vão existir no futuro? Talvez, quando uma entidade exterior (UE por exemplo) tomar conta da Economia.

Chegados aqui importa recordar uma recente entrevista a um Socialista dos sete costados (penso eu) que milita no Partido desde os 18 anos e já está nos “entas”.

Ricardo Mourinho Félix de seu nome, com um curriculum académico bom, um curriculum profissional sempre no sector público (o habitual nos políticos do PS), secretário de estado nos governos AC e, agora, Vice-Presidente do BCE.

Ricardo Mourinho Félix appointed as Vice-President of the EIB
©Caroline Martin/EIB

Este Sr. Ricardo veio dizer que financiamentos europeus para empresas portuguesas doentes são de valor zero. De outra forma, não há financiamento para empresas inviáveis.

Depois explicou por palavras dele o que todas as pessoas que estão no sector privado sabem desde sempre: a fruta estragada não pode estar no mesmo cesto em que está a fruta sã.

Algumas ilações:

Foi necessário este Sr. começar com uma função no BCE para dizer acertadamente o que nunca disse em Portugal nas muitas funções oficiais que teve?

Será que este Sr. irá dizer aos seus camaradas que é tempo de terminar com o financiamento de empresas falidas ou a passo acelerado para?

Será que os seus camaradas vão poder acabar com os financiamentos às empresas dos amigos a quem devem favores e em que colocam os outros amigos que lhes pedem favores?

Vai ser difícil: voltamos ao tema da troca de favores, compadrios e por aí adiante.

Será que é possível Portugal vir a ter uma economia saudável e a crescer com estes governantes? Será que é melhor mudar de governantes?

Algumas previsões:

Esta compra maciça por parte do BCE de dívida portuguesa vai ter consequências que o governo em Portugal não vai conseguir contrariar?

Em consequência, poderemos vir a ter, cedo ou tarde (talvez cedo) uma entidade exterior a mandar nas políticas de apoio às empresas em Portugal?

E a dívida vai poder crescer sem limites como o Sr. Sócrates no passado e agora os seus seguidores gostam?

Por vezes é necessário que as coisas corram mal e bastante mal para que o bem possa acontecer. Era bom que estas pessoas que tão mal dirigem Portugal fossem afastadas e que outras mais competentes as substituíssem.

Talvez deste modo Portugal pudesse ver a luz de um crescimento económico sustentável.

Bem hajam.

O Sr. Cabrita e o Ministro da Administração Interna

O Sr. Cabrita entende que não tem responsabilidades diretas no assassínio de um cidadão por 3 presumíveis criminosos e, consequentemente, não assume qualquer consequência para a sua vida privada.

Os possíveis assassinos vão ser presentes á justiça e esta, naturalmente, exercerá a sua função. Possivelmente serão condenados pelos atos que praticaram e cumprirão as penas a que forem condenados.

Até aqui nada de novo, regularmente pessoas são assassinadas pelas mais diversas razões e não me consta que exista constantemente um clamor público contra esta realidade. Todos confiamos que a justiça se faça.

Se o Sr. Cabrita fosse um cidadão comum ninguém se importaria com as atitudes que toma em qualquer momento.

TIAGO PETINGA/LUSA

Assim, o motivo deste post é o Ministro da Administração Interna que é uma “personagem a quem o Chefe de Estado confia a administração de um dos ramos da causa pública”

Deste modo quando um cidadão é nomeado para ser uma personagem está, em qualquer ato que pratique, a representar um papel determinado e passa a ter responsabilidades integrais sobre os acontecimentos, bons ou maus, que ocorrem no Ministério que tutela.

É consensual que os acontecimentos antes referidos, pela extrema gravidade e invulgaridade, afetam as responsabilidades políticas do Ministro.

O Ministério em causo, MAI, neste caso concreto está a ser acusado de uma administração da causa pública insuficiente por:

Reação tardia: acusam o Ministério de não ter sido célere na reação ao acontecimento,

Reação Insuficiente: não ter sido célere em assumir responsabilidades, em nome de Portugal, junto dos familiares diretos do cidadão assassinado.

O Ministro que tutela esta realidade, a que se juntam inverdades, informações contraditórias e demora não responsabilização da estrutura dirigente diretamente implicada nesta triste ocorrência, não colocou o seu lugar de responsável pelo MAI á disposição do Primeiro-ministro.

Pergunta-se se é uma exceção, na administração da causa pública, um detentor colocar o lugar á disposição quando se justifica, como é este o caso?

Não é exceção e acontece com regularidade. Não tem ideologia e, atravessa á vez, todos os governos.

Esta realidade de membros de governos não assumirem ética e politicamente responsabilidades pelos ministérios que tutelam quando a boa administração é posta em causa acontece porque, infelizmente, em Portugal alguns cidadãos, quando nomeados, não se colocam ao serviço da função mas, antes pelo contrário, colocam a função ao serviço do seu próprio interesse.

E o primeiro-Ministro que escolhe os Ministros providencia sempre que os Ministros pratiquem uma boa administração da causa pública?

E o Presidente da República, que dá posse a cada Ministro individualmente e testemunha o juramento de cada Ministro empossado, toma posição quando um Ministro não assegura a boa administração da causa pública?

Esta atitude dos reponsáveis políticos de não assumirem as responsabilidades inerentes aos cargos públicos que ocupam, de não se sentirem obrigados a dignificar com ética os Ministérios que dirigem é, a par de outros males da nossa democracia, uma das causas do lastimável estado português em que vamos vivendo.

Em Portugal existe, por parte de muitas pessoas, a prática de colocarem as funções que desempenham em benefício próprio e quando esta realidade acontece com políticos que têm funções de administração da causa pública a regra costuma ser a troca de influências com amigos, os camaradas do partido, o Patronato e Clientelismo.

Quando acontece, as pessoas, como o Sr. Cabrita, sentem-se á vontade e suficientemente impunes para não se colocarem ao serviço da função que representam.

Este Sr. Cabrita é amigo político e pessoal do Sr. Costa que, por coincidência, é PM e que tem o poder de decisão sobre si.No entanto, como o Sr. Costa é amigo do Sr. Cabrita, o dever de agir em conformidade com a função que representa não importa.

É do senso comum que quando a troca de influências é o dominante, a cumplicidade, o favor, a perca de independência quanto ao poder de decisão e a capacidade para fazer o que deve ser feito acontecem, o País sai prejudicado.

Por outro lado, sou crente quando o mérito, o dever de cumprir com as boas práticas, o assumir consequências quando as funções de administração pública o exigem, o País pode sair beneficiado.

Infelizmente, Portugal está cheio de Srs. Cabrita e Costa e a troca de favores, Patronato e Clientelismo dominam.

Sou céptico que sem mudar este perfil de Senhores, não será possível ter a esperança num País em que os cidadãos estejam ao serviço das funções. É uma pena.

Bem Hajam.

A prenda de Natal dos Portugueses

Portugal recebeu recentemente a notícia da disponibilidade de vacinas para a Covid 19 a partir do início de Janeiro de 2021. Foi a boa nova do ano que está a acabar e a melhor prenda para a população que está inquieta e preocupada com esta pandemia e para a qual o País não estava preparado como habitualmente não está preparado para qualquer acontecimento fora da rotina.

Antes do assunto que motiva este post, quero juntar a minha escrita á de muitos e muitos que têm elogiado o trabalho e a disponibilidade de todos os que, independentemente da profissão, se vêm superando nas suas obrigações e disponibilidade. Perante a emergência de se acudir ao perigo que a pandemia representava, todos os diretamente envolvidos, como um todo, responderam positivamente.

Não obstante, este problema de saúde pública provocado por uma imprevista pandemia veio mostrar que o País não está preparado para enfrentar situações extremas e possivelmente não poderá vir a estar nos anos mais próximos.

 O mais dramático é que esta realidade é estrutural: os recursos são escassos e os governantes insuficientes e falaciosos.

Insuficientes porque temos modelos de governação que sistematicamente não geram criação de riqueza e liquidez para investir em meios e falaciosos porque transmitem á população a ideia de que estão a dotar o Estado dos meios suficientes para acudir às necessidades da maioria, seja na saúde (como se verifica neste momento), seja na educação ou na justiça e, infelizmente, não é verdade.

Listas de espera algures em Portugal

Não fosse a visão que outros protagonistas tiveram no passado em nos integrar na União Europeia que, sem esta garantia da UE, estaríamos agora com uma realidade bem mais dramática e com pouca capacidade de reação. Sempre fui crente de que a nossa integração na UE foi benéfica para a organização, disciplina e rigor da nossa sociedade.

O que não entendo é este método de governar em que se desvalorizam as dificuldades e se anunciam soluções como se os recursos fossem infinitos e quando confrontados com a realidade as soluções anunciadas não aparecem.

Temos muitos políticos que enchem a boca com um Estado que assume proteção para as mais diversas necessidades, cobram-nos a todos, abastados e necessitados, impostos, taxas e taxinhas elevados com o argumento de esses recursos serem necessários para manter um Estado protetor.

No entanto, nos momentos em que os verdadeiramente insuficientes necessitam de um Estado protetor ele, o Estado, não tem capacidade para acorrer a essas pessoas porque os recursos confirmam-se como sempre escassos e, ao não serem bem geridos, nunca vão aparecer quando são necessários. A manta vai ser sempre curta como diz o povo.

Disseram-nos que iam encomendar vacinas suficientes para a população de uma forma geral, com uma taxa de cobertura de elevada. Foi uma das últimas falácias. Agora sabemos que foi a UE que se encarregou de encomendar e assegurar a logística da distribuição das vacinas pelos Estados membros, Portugal incluído. Vamos receber as vacinas que previamente nos foram destinadas. Quando chegar a hora de pagar as vacinas vai ser, novamente, a UE a assumir a responsabilidade junto dos respetivos fabricantes.

Deste modo, é a UE que vai assegurar aos portugueses todo o processo de acesso á vacina para a Covid 19 desde a encomenda até ao pagamento.

Sobre a notícia da prenda de Natal

Aos nossos governantes vai caber a responsabilidade de a administrar á população que como sabemos é semelhante á população de uma região como Londres por exemplo. Esperemos que esta responsabilidade, a de administrar a vacina, seja cumprida. Estou céptico quanto ao seu cumprimento.

Concluindo, a UE, não obstante as críticas de alguns, brindou-nos com uma prenda natalícia pela proximidade com a data. Sou crente em como as vacinas vão chegar nos tempos definidos e, assim sendo, este problema poderá ser bem enfrentado no próximo ano.

Bem hajam.

O acampamento junto da AR

Esta novidade de um grupo de pessoas montarem um acampamento em frente da Assembleia da República merece alguma reflexão por diversos motivos, entre estes porque se pode tornar uma moda e corremos o risco de vir a ter, em algum momento, um acampamento, tipo campismo selvagem, se vários grupos de pessoas decidirem protestar, por motivos diferentes, ao mesmo tempo.

Ao que parece não colide com nenhuma das muitas leis de ordem pública que temos, pelo que este potencial problema terá de ser resolvido de outra forma.

É do conhecimento geral que em Portugal muitas pessoas, empregados ou proprietários, estão a passar por enormes dificuldades em resultado das medidas de saúde pública em vigor. Mas antes já havia muitas pessoas e proprietários a passar por muitas dificuldades.

É do conhecimento público que o governo está a ajudar as pessoas e as empresas com múltiplas iniciativas mas todas com implicações na dívida pública, leia-se no dinheiro dos contribuintes residentes em Portugal e residentes na EU por via dos fundos enviados e a enviar para este efeito da ajuda extraordinária.

É do conhecimento geral que este grupo de pessoas que está a fazer este protesto, com acampamento montado em frente á Assembleia da República, são, na área de actividade em que têm empresas, proprietários com sucesso e bons resultados nos últimos anos.

Notícias, porventura falsas, dizem que todos, ou alguns, fazem questão de mostrar ou divulgar os elevados investimentos feitos quer em novas empresas quer em bens, inacessíveis ao trabalhador comum, de consumo para uso próprio.

Fiz uma vida profissional no sector privado e estou formatado para apoiar o sucesso expresso em lucro e fortalecimento financeiro das empresas.

Chegado a este ponto, não entendo porque estas pessoas montam uma tenda e se propõem fazer uma greve de fome com o argumento de quererem pedir apoios financeiros ao governo como se o dinheiro fosse do governo e não dos contribuintes.

Com altivez, estas pessoas esclarecem que não é só pelas dificuldades que atravessam, mas principalmente pelos empregados (enquanto lhes pagarem) e por todos os proprietários dos sectores de actividade em que trabalham.

Creio que é uma falácia, não têm os seus trabalhadores no acampamento e as associações empresariais a que pertencem, que representam os proprietários, têm estado em contacto permanente com o governo no sentido de conseguirem apoios para os seus associados.

Ser proprietário de uma empresa tem muitas implicações: as boas como os lucros e as menos boas como os encargos. Estas pessoas, que felizmente para eles viveram tempos de muitos lucros, deveriam prevenir os tempos de encargos. As crises acontecem e os cisnes negros poder surgir em qualquer momento. Desta vez foi a Pandemia da Covid 19, mas no futuro aparecerão outras crises.

A sabedoria popular diz que “em épocas de crise vão-se os anéis para ficarem os dedos”, Estas pessoas certamente acumularam alguns anéis, ou deveriam ter acumulado, para que agora pudessem ter uma almofada para enfrentar o mau momento.

Esta atitude de quando em dificuldade pedir ajuda ao governo não é saudável, repito que se trata de dinheiro de todos os contribuintes incluindo todos os que estão em dificuldades também.

Também não é aceitável que se monte um acampamento junto a um órgão de soberania para reivindicar dinheiros que os próprios deveriam ter acautelado. Apesar de jovens, ditos de sucesso, parece quererem impor o velho hábito de sugar ao Estado recursos que acabam sempre por faltar a situações muito mais graves e urgentes.

Estou céptico quanto á ideia de que os próprios tirem alguma conclusão positiva dos atos que estão a praticar e desejo que todas as pessoas empregados ou proprietários que passam por dificuldade as consigam superar por meios próprios e que o dinheiro dos contribuintes, que o governo está a disponibilizar, seja utilizado para ajudar sempre os mais dos mais necessitados.

Bem hajam

Valores – 1

Sou crente com a importância de ter valores.

Escrever sobre valores humanos ou “valores” pode ser um momento de reflexão para nós próprios ou para quem lê estas palavras. Cada cidadão tem os seus próprios valores e estes podem variar de um individuo para outro.

Alguns valores evoluíram a passo com o desenvolvimento da espécie humana. Valores que séculos atrás eram importantes nas comunidades de então, hoje porventura já não existem ou não são consensuais nas comunidades actuais.

Acresce que o desenvolvimento da humanidade ainda não apresenta uniformidade nos dias de hoje: por diversos motivos, ainda existem comunidades e regiões do globo em que a vida é diferente daquela com que nós convivemos no dia-a-dia.

Deste modo, irei concentrar-me nos valores que genericamente são reconhecidos no espaço em que vivemos: A Europa e as comunidades criadas nos restantes continentes com influência europeia.

Os povos europeus foram influenciados, desde os tempos do Império Romano, por uma cultura judaico-cristã que evoluiu a par com o desenvolvimento constante.

Não obstante, ficou a origem e a influência desde esses tempos e os valores que hoje temos como fundamentais e reconhecidos nas comunidades referidas são uma parte importante dessa influência judaico-cristã.

Os valores, como um todo, podem ser subdivididos em universais, morais, éticos, políticos, empresariais e muitos mais. Neste post escreverei sobre alguns dos valores que para mim tenho como importantes no meu comportamento e relacionamento com o meio que me envolve:

Honestidade– é um valor que consiste em agir de acordo com o que se pensa e sente de forma assertiva. Uma pessoa honesta é aquela que se mostra tanto na sua maneira de pensar como, consequentemente, nas ações que pratica.

Este valor é adquirido com o exemplo e o ensino. Acontece desde muito jovem no seio da família, ou no meio em que a criança é educada, e com o crescimento e as experiencias de vida de cada um vai-se solidificando no nosso carácter.  

É importante que sejamos honestos connosco para que, quando confrontados com a necessidade de a praticar, sejamos honestos com outros. Uma pessoa honesta tem mais facilidade em educar e criar descendentes honestos, ajudando a comunidade a ser mais honesta.

Este é um daqueles valores que parte do individúo para o colectivo.

Responsabilidade – é um valor que se refere ao cumprimento das obrigações contraídas seja em ambiente familiar, laboral, social ou um outro qualquer.

Responsabilidade implica, também, a capacidade de aceitar as consequências dos actos praticados. É uma característica positiva das pessoas que são capazes de se comprometer e agir oferecendo a garantia de assumir as consequências positivas ou não.

Este valor pode ser mais facilmente reconhecido numa pessoa honesta. De algum modo estes dois valores complementam-se.

A responsabilidade individual deve ser ensinada às crianças através do treino na assumpção de compromissos e consequências.

Tolerância – é um valor definido como “Respeito e consideração pelas ideias, crenças ou práticas de outros, mesmo quando diferentes ou contrárias às nossas”.

A tolerância é fundamental nos dias de hoje em que temos acesso a múltiplas realidades e o conhecimento é cada vez mais abrangente.

Acresce que as comunidades tornam-se cada dia mais materializadas e competitivas entre si. A disputa e o individualismo fomentam a intolerância e esta causa danos em todos os ambientes, sejam familiares, profissionais ou sociais.

Os anteriores valores, responsabilidade e honestidade habitualmente acompanham a vida de uma pessoa desde que adquiridos num tempo próprio. A tolerância não tanto.

É conveniente que, permanentemente, nos questionemos se estamos a ser tolerantes com todas as circunstâncias da nossa vida.

Vivemos uns tempos em que muitos reclamam de uma permanente falta de valores colectivos nos mais diversos contextos. Compete-nos avaliar as pessoas e os actos, também, á luz destes valores e com certeza poderemos individualmente ou colectivamente retirar conclusões.

Um cesto de fruta sã que tenha poucas frutas podres pode ser utilizado se retirarmos as frutas podres, mas um cesto que tenha as frutas podres não nos permite retirar as poucas que estejam sãs. Depende de todos a escolha do cesto.

Bem hajam.

1º Dezembro

Em 1 de Dezembro no ano de 1640 é restabelecida a Independência de Portugal como país soberano depois de 60 anos em que fez parte do Império Espanhol.

Era a época das Monarquias, em que os reis eram nomeados por sucessão dinástica independentemente da sua nacionalidade.

Foi o que sucedeu em 1580 quando o Rei Sebastião de Portugal faleceu na sequência da batalha de Alcácer-Quibir e se abriu uma crise quanto á sucessão do rei.

Então, havendo 3 hipóteses de sucessão, esta foi decidida por Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) da dinastia de Habsburgo.

Esta dinastia teve 3 reis em Portugal: Filipe I, Filipe II e Filipe III que governaram o reino de Portugal em simultâneo com o reino de Espanha (a chamada União Ibérica) e outros reinos europeus e ultramarinos.

Este período de 1580 a 1640 foi gerador de insatisfação junto da nobreza e do povo de Portugal e veio a culminar com um golpe militar que restabeleceu a independência de Portugal e instaurou a quarta dinastia portuguesa, a casa de Bragança.

Após o golpe militar a população festejou efusivamente

Apesar da monarquia constitucional já comemorar o dia 1º de Dezembro, uma das primeiras decisões da República Portuguesa, em 1910, foi passá-lo a feriado nacional.

Desde então, esta data é comemorada institucionalmente com maior ou menor fervor consoante as épocas. Nos dias de hoje sou céptico quanto ao fervor popular. No que respeita a este evento sou crente que mudou definitivamente e história de Portugal a partir daquele momento.

Registo da aclamação do novo rei em azulejo

Aqui fica o registo.

Com data mais recente e contemporâneo de muitos dos portugueses, comemora-se também a assinatura do Tratado de Lisboa em 2009.

Este acontecimento fez alterar muitas disposições da União Europeia e tem sido um referencial desde então até aos nossos dias.

Sou céptico quanto ao fervor popular com este acontecimento apesar dos 11 anos que comemoram o tratado.

Aqui fica o registo.

Bem hajam