Eleições na Madeira 2024

Realizaram-se no passado dia 26 de Maio 2024 eleições legislativas para a zona Autonómica da Madeira em que o partido mais votado foi o PPD/PSD, a extrema- esquerda foi varrida do parlamento e um partido local de independentes, JPP-Juntos pelo Povo, conseguiu a terceira posição no número de mandatos eleitos para a Assembleia Regional da Madeira.

              *Total de eleitores: 254.522

Destas eleições resultou que:

  • Total de eleitores 254.522 dos quais 133.909 votaram para eleger 47 deputados por vários partidos, uma média de 2.849 votos/deputado.
  • 5.921 de votos ficaram dispersos por vários partidos sem que elegessem qualquer deputado.
  • Verificando qual a % de votos que cada partido conseguiu sobre os cidadãos com direito de voto, os eleitores, temos que o partido que conseguiu a maior % foi o PPD/PSD com 19,29 e o partido que conseguiu a menor % foi o PAN com 0,99. É esta a representação efetiva de cada partido.

Os partidos radicais de esquerda tiveram nestas eleições o seu maior desaire, não conseguindo eleger qualquer deputado, os eleitores parece terem concluído que estes já não fazem falta. Analisando a evolução da implantação dos partidos radicais de esquerda em votos expressos: CDU, BE e LIVRE nos últimos 10 anos (eleições de 2015 a 2024) verificamos que:

Ao invés, o partido radical de direita CHEGA, desde que se apresentou a eleições na região autónoma da Madeira pela primeira vez em 2019, teve um crescimento eleitoral enorme e ao nível do crescimento que teve ao nível nacional seja em eleições legislativas ou autárquicas. Este partido conseguiu quebrar a hegemonia eleitoral do centrão em Portugal, (PPD/PSD, PS e CDS/PP) e num futuro próximo ser uma alternativa eleitoral para um número cada vez maior de leitores em Portugal.

Na região autónoma da Madeira já é o terceiro partido nacional em capacidade eleitoral.

Os partidos denominados do ‘centrão’ (PPD/PSD, PS e CDS/PP) não obtiveram um bom resultado no seu conjunto, se analisarmos a evolução destes 3 partidos em coligações ou separadamente nos últimos 10 anos verificamos que:

O partido local caracterizado como Populista de centro JPP- Juntos pelo Povo, tem também contribuído para um esvaziamento da política do centrão. Obteve um excelente resultado, foi a terceira força politica mais votada nestas eleições e apresenta um excelente crescimento nos últimos 10 anos:

Este partido é uma influencia grande na política madeirense e com o resultado obtido nestas eleições pode ajudar na mudança que muitos cidadãos esperam acontecer.

A IL e o PAN com uma representatividade, em % do total de eleitores de 1,36 e 0,99 respetivamente, não têm expressão neste momento.

O resultado destas eleições constitui um desafio para a continuação da hegemonia do centrão que perdura desde o início da Democracia em Portugal, ou se o partido CHEGA e o local JPP conseguem lograr influência permanente. Veremos o que os ventos da Madeira nos trazem.

Bem hajam.

Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas do passado dia 30 de Janeiro foram surpreendentes face ao que os ‘analistas profissionais’ e empresas de sondagens prognosticaram: mais uma vez erraram.

O Partido Socialista ganhou e os partidos não socialistas foram insuficientes: o PS viu reforçada a sua bancada de deputados e vai poder governar em pleno nas suas capacidades e vontade própria, os partidos não socialistas vão ter 4 anos para se organizarem individual e coletivamente.

O quadro seguinte mostra que o número de votos dos 4 partidos não socialistas não aumentou no total geral face ao histórico das eleições anteriores desde o ano 2000:

O total de votos, com duas exceções, apresenta uma média constante de entre 2.1 e 2.3 milhões de votos em 5 de 7 atos eleitorais realizados neste século XXI.

As exceções são relativas aos anos de2002 e 2011 que resultaram de 2 governos de má memória para Portugal: António Guterres e José Sócrates. Os partidos PSD e CDS, únicos representantes do espaço não socialista de então, apresentaram-se a votos individualmente somando, respetivamente, cerca de 2.7 e 2,8 milhões.

Para estes dois singulares resultados eleitorais o PS deu um contributo significativo: Foi o ‘pantano’ em 2002 e a ‘insolvência (quase) nacional’ em 2011.

Os bons e promissores resultados eleitorais dos dois novos partidos (IL e CHEGA), nesta área não socialista, não somaram, face ao histórico anterior, tendo mesmo diminuído face a 2019. Poder-se-á, provavelmente, concluir que os partidos CHEGA e IL cresceram em número de votos em paridade com o número de votos que os partidos PSD e CDS diminuíram. Donde, para a causa de um espaço político não socialista, ficou tudo como antes.

Se no que respeita ao número de votos obtidos estamos esclarecidos, vejamos quanto ao número de deputados eleitos o que estas eleições nos mostram:

Este quadro mostra resultados aparentemente contraditórios:

  • Em 2015, os partidos não socialistas (PSD e CDS) concorreram coligados na maioria dos círculos eleitorais e com 2 milhões de votos elegeram 104 deputados;
  • Em 2019, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) concorreram individualmente na totalidade dos círculos eleitorais e com quase 2.3 milhões de votos elegeram 80 deputados e,
  • Em 2022, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) voltaram a concorrer individualmente na quase totalidade dos círculos eleitorais e com pouco mais de 2,2 milhões de votos elegeram 96 deputados.

Poderemos concluir, possivelmente, que a coligação formada nas eleições em 2015 entre o PSD e o CDS, apesar de um menor número de votos por comparação com as eleições de 2019 e agora em 2022, obteve um maior número de deputados por comparação com as eleições de 2019 e 2022. É o método de D’Hondt a funcionar e que não permite uma paridade de votos obtidos com deputados eleitos.

Esta realidade dá força aos que defendem, com o próprio incluído, que os atuais partidos, do espaço não socialista, deveriam pensar em coligações em determinados círculos eleitorais para futuras eleições legislativas e outras.

Finalmente, poderemos ver o quadro que mostra os resultados eleitorais destas eleições de 2022, no que a número de votos que não contribuíram para a eleição de deputados diz respeito, por círculo eleitoral com exceção dos 2 círculos da emigração:

  • Se, conforme cada círculo eleitoral, é possível eleger 1 deputado por cada conjunto de entre 19 e 22 mil votantes, o quadro diz-nos que o espaço dos partidos poderia ter elegido mais 5 deputados: Viseu, Coimbra, Portalegre, Beja e Aveiro. Em Lisboa, como sabemos, os 19,5 mil votos do CDS não foram suficientes;
  • Portalegre e Beja são bons exemplos: nenhum dos 4 partidos elegeu qualquer deputado.

 No texto publicado, antes destas eleições em Janeiro – https://viriatobatalha.blog/2022/01/ – deu-se destaque a esta realidade do voto que conta e do que não conta para a eleição de deputados. 

Muitas pessoas e alguns movimentos independentes dos partidos, do espaço não socialista, argumentam que é importante dar atenção a esta questão no quadro do sistema eleitoral D’Hondt. Os partidos deste espaço político deveriam incluir, nas suas futuras prioridades, esta temática.

Bem Hajam