Autárquicas 2025

O Centrão resiste, mas o terreno político está a mudar

As eleições autárquicas do passado domingo (13.10.25) decorreram sem grandes surpresas, voltando a registar a disputa habitual entre o PSD, com 58 coligações, e o PS, com 2 coligações. Desta vez, foi o PSD — com mais coligações — que levou a vantagem, conquistando 136 presidências de câmara, enquanto o PS ficou com 128. Juntos, estes dois partidos garantiram 264 presidências em 308 municípios, confirmando o domínio do chamado #centrão político, que continua a alternar o poder local sem grandes ruturas.

Independentes em crescimento

Apesar da hegemonia dos partidos tradicionais, as candidaturas independentes reforçaram a sua presença, elegendo vinte presidentes de câmara. As listas de cidadãos não vinculados a partidos continuam a crescer, o que reforça a ideia de que o valor individual do candidato é determinante nas autárquicas — motivo pelo qual estas eleições são frequentemente consideradas incomparáveis com outros atos eleitorais.

Extrema Esquerda em queda

A extrema-esquerda continua em perda de eleitores e influência. A CDU perdeu presidências em municípios historicamente seus e viu reduzir-se o apoio do seu eleitorado tradicional. Independentemente do tipo de eleição, as perdas sucedem-se:

O Bloco de Esquerda não conseguiu eleger qualquer autarca — caminha para um fim político que tarda em chegar. O Partido Livre teve o mesmo desfecho. Ambos praticamente não existem a nível autárquico, sem quadros nem estrutura local que lhes permita participar na gestão municipal.

CDS resiste e coliga-se

O #CDS-PP manteve as presidências herdadas das autárquicas de 2021 e integrou 55 coligações municipais com eleitos. Bravo — uma nota de resistência para um partido que, apesar das dificuldades nacionais, continua a marcar presença local.

Chega: de zero a três câmaras

O partido que mais expectativas criou nestas eleições foi o #Chega. Os seus resultados foram expressivos, com aumentos de votos nos diversos órgãos autárquicos que multiplicam por três ou até por treze os valores de 2021. Partindo de zero mandatos executivos há quatro anos, o partido conquistou agora três presidências de câmara e treze presidências de junta de freguesia, num total de 1 961 autarcas eleitos:

Implantação nacional crescente

Com exceção do distrito de Viseu, todos os restantes distritos e regiões autónomas contam com vereadores do Chega — 135 no total. Nas assembleias de freguesia, o partido elegeu representantes em todo o país, somando 1 175 autarcas.

Foram muitos os comentários sobre estes resultados — alguns depreciativos, com adjetivos em excesso e pouca substância — talvez por desconhecimento ou, simplesmente, por preconceito.

Quatro anos para consolidar o terreno

Em 2021, a presença autárquica do Chega era ainda residual. Estes quatro anos permitiram aos seus autarcas ganhar raízes e aceitação junto das populações locais. A estratégia do partido foi clara: apresentar candidatos em praticamente todos os concelhos com potencial eleitoral. O objetivo, anunciado em 2021, foi concretizado em 2025.

Naturalmente, seria difícil competir em visibilidade com o PSD e o PS, que têm décadas de experiência no terreno. Ainda assim, o resultado alcançado deve ser visto — penso eu — como uma boa plataforma para 2029.

O que esperar de 2029

O Chega tem agora quatro anos para avaliar o desempenho dos seus autarcas, melhorar a formação e preparar candidaturas mais sólidas. Se conseguir consolidar esta estrutura local, poderá tornar-se um verdadeiro partido de implantação autárquica nacional.

E, se assim for, em 2029 poderemos assistir a uma disputa autárquica tripartida — PSD, PS e Chega —, o que poderá elevar a qualidade dos candidatos e dos futuros eleitos.

Em síntese

• O centrão mantém a hegemonia, mas o terreno começa a mexer.
• O crescimento dos independentes mostra que o eleitor local valoriza cada vez mais as pessoas do que os partidos.
• À esquerda, há sinais de retração profunda.
• À direita, o PSD reforça-se e o Chega emerge como novo ator com peso real nas autarquias.

Bem Hajam