
As recentes notícias de que um ex-Primeiro Ministro pode vir a ser julgado por crimes de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de influências foi uma realidade que vai marcar negativamente este período do regime político em que vivemos, existem outras realidades que igualmente estão a marcar negativamente o regime político.
Mas concentremo-nos nesta que já é suficientemente grave.
Como sabemos um primeiro-ministro é nomeado por um partido/os político/os e não diretamente pelo voto dos cidadãos.
Compete a quem o nomeia cuidar de que a pessoa nomeada cumpre os requisitos e valores indispensáveis para não comprometer o cargo.

De igual modo os protagonistas que permitem e viabilizam a nomeação de um primeiro-ministro são responsáveis pelo desempenho do titular nomeado e em funções.
Esta é uma das essências do regime político atual: pessoas são eleitas para desemprenhar determinadas funções e são corresponsáveis pelos atos das pessoas que nomeiam.
Não querendo ficar responsáveis, muitas vezes cúmplices por omissão, têm o dever de se demarcar, denunciar e, em última instancia, revogar a nomeação que antes terão viabilizado.
É assim que a prática política deve funcionar: autoridade igual a responsabilidade igual a consequência.
Não é deste modo que a prática política do regime funciona.
Este regime tem vindo a ser, cada vez mais, dirigido por grupos de pessoas que se apropriam dos partidos do chamado “centrão”, vão tendo acesso ao poder á vez, nomeiam para os cargos do governo e outros quem entendem, tendencialmente os personagens da confiança e, quando algo corre mal e a justiça é chamada a exercer funções é simples, diz-se que á justiça o que é da justiça. Assunto arrumado e venha o próximo.

Não devia ser assim e esperemos que o fim esteja próximo.
Penso que a essência democrática nunca será posta em causa se for possível responsabilizar, exonerar e afastar da vida pública todos os personagens nomeados por outros personagens seus cúmplices ou não e que os personagens nomeantes sejam igualmente responsabilizados e desautorizados de viabilizar novamente seja quem for.
Tem de acabar esta realidade de a participação dos cidadão para o regime se reduzir a eleições de 4 em 4 anos votando em partidos políticos.
Ao fim destes anos todos desde o 25 Abril ficou por demais demonstrado que os partidos são compostos por pessoas honestas e corruptas, por espertos e tolos ou por inteligentes e ignorantes.
Ser militante de um partido ou amigo de um dirigente (os chamados independentes) por si só não é suficiente para se ser eleito ou nomeado para um qualquer cargo público e por maioria de razão para o cargo de primeiro-ministro.
É necessário que cada eleito ou nomeado seja rastreado quanto á sua competência, capacidade e responsabilidade, mas também quanto á sua pegada passada. Alguém competente mas desonesto não pode deter cargos públicos, assim como o inverso.
Um Primeiro Ministro deve exercer o seu cargo de forma Ética com Honestidade e Competência
CIdadão eleitor
É necessário também criar meios de verificar os métodos que os partidos usam para colocar os seus nomeados.
Os cidadãos nunca vão confiar nos políticos que protagonizam este regime: são muitos os exemplos de pessoas que desprestigiam os cargos para que são nomeados, ficam impunes e voltam a ser nomeados para outros cargos.
Quase sempre basta ter um cartão de partido ou ser amigo de alguém com poder no partido.
Este regime ter colocado como primeiro-ministro um personagem que no exercício das suas funções veio a ser indiciado por crimes públicos não foi uma exceção mas sim o expoente máximo de muitos e muitos casos criminosos ou não que vêm acontecendo ao longo de muitos anos.

Ou os partidos políticos nomeiam personagens, para representar o cidadão comum, competentes e com valores suficientes para nomear responsáveis públicos com iguais valores e quando erram assumem responsabilidades ou então será melhor mudar o sistema atual.
Invocar a Democracia para justificar o estado atual do regime político é uma ofensa aos democratas honestos, responsáveis e consequentes, já não colhe.
“Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários”
Maria José Morgado
Bem Hajam



