Conservadorismo e Soberanismo IV

Os valores fundacionais destes dois ismos

Chegados ao fim deste conjunto de textos, fica a pergunta essencial: os valores que sustentam o conservadorismo e o soberanismo são uma ameaça à democracia — ou são, pelo contrário, a sua base esquecida?

Depois de olharmos para as suas manifestações no mundo, para a diversidade europeia e para o modo como a esquerda e a direita os interpretam, torna-se claro que estes dois ismos partilham um mesmo núcleo ético: a defesa do limite, da continuidade e da responsabilidade.

Não são ideias contra a liberdade — são tentativas de lhe dar forma e permanência.

Uma biblioteca histórica — símbolo da continuidade, da tradição e da sabedoria acumulada das gerações

O Conservadorismo — a ordem moral da liberdade

O conservadorismo, entendido no seu sentido mais profundo, não é resistência à mudança, mas recusa do esquecimento.
Assenta em valores que não pertencem a um partido, mas a uma experiência histórica comum:

ValorSentido essencial
TradiçãoA sabedoria acumulada das gerações; a herança que liga passado e futuro.
OrdemA estrutura que permite à liberdade existir sem se autodestruir.
PrudênciaA consciência de que o progresso sem medida é apenas outra forma de caos.
Moralidade objetivaA crença de que existem princípios de bem e de justiça que não dependem da moda.
ContinuidadeA noção de que a civilização é um fio de responsabilidades, não um recomeço permanente.

O conservador acredita que a liberdade precisa de raízes:

  • Sem tradição, a inovação torna-se capricho; sem memória, a justiça torna-se impulso; sem ordem, a democracia torna-se ruído.
  • Conservar, neste sentido, é proteger o que permite mudar com sentido.

Um parlamento nacional — símbolo da autodeterminação democrática e da responsabilidade coletiva

O Soberanismo — a dignidade da autodeterminação

O soberanismo nasce da convicção de que a democracia só existe onde há um povo que decide.
Não é necessariamente nacionalista, mas afirma que a legitimidade política vem de dentro, não de fora.
Os seus valores são os da autonomia responsável:

ValorSentido essencial
AutodeterminaçãoO direito de um povo governar-se e escolher o seu caminho.
IdentidadeO reconhecimento de uma história, cultura e língua que formam uma comunidade.
Responsabilidade nacionalSer soberano não é apenas ter poder — é ter deveres perante o bem comum.
Dignidade coletivaA soberania é uma forma de respeito próprio dos povos livres.
LimiteSaber até onde se pode delegar sem deixar de existir como sujeito político.

O soberanismo é, assim, a tradução política do desejo de continuidade: que a comunidade possa decidir o seu destino sem se dissolver em estruturas impessoais.

Quando se torna extremista, degenera em isolamento; mas quando é equilibrado, é a forma adulta da liberdade coletiva.

O ponto de encontro — limite e responsabilidade

Apesar das diferenças, conservadorismo e soberanismo convergem num mesmo princípio moral: a verdadeira liberdade exige limites e vínculos, e o conservador preocupa-se com os limites morais da ação humana; o soberanista, com os limites políticos da autoridade externa. Ambos rejeitam a ilusão de um mundo sem fronteiras nem memória.

DimensãoConservadorismoSoberanismoValor comum
Fundamento moralTradição e prudênciaIdentidade e deverContinuidade
Dimensão socialComunidade e ordemCoesão e solidariedadeResponsabilidade
Relação com o tempoValoriza o passado como guiaValoriza o presente como decisãoMemória ativa
Risco extremoImobilismo e moralismoIsolacionismo e populismoDesequilíbrio
Virtude centralModeraçãoAutonomiaLiberdade responsável

Estes dois ismos, quando mantêm o equilíbrio, são antídotos contra a amnésia histórica e contra o império da técnica.
Recordam-nos que governar é também conservar, e que conservar é também escolher.

Entre ameaça e necessidade

O que faz destes valores uma possível “ameaça” não é o seu conteúdo, mas a forma como são instrumentalizados.
O conservadorismo torna-se perigoso quando confunde ordem com rigidez, quando transforma a moral em imposição e o passado em dogma.
O soberanismo degenera quando substitui a responsabilidade pela desconfiança, ou a identidade pelo ressentimento.

Mas, nas suas formas maduras, ambos são condições de equilíbrio para a democracia:

  • O conservadorismo dá-lhe alma moral;
  • O soberanismo dá-lhe corpo político.

Sem o primeiro, a democracia perde referências; sem o segundo, perde autonomia.
Ambos juntos, quando temperados pela razão e pela consciência do outro, defendem a liberdade contra os excessos do seu próprio tempo.

Uma fronteira europeia contemporânea — símbolo dos limites que protegem a liberdade e da responsabilidade que sustenta a democracia

Conclusão — herdar, não repetir

Estes dois ismos não pedem regressos nem muralhas.
Pedem enraizamento — a capacidade de recordar o que nos fez ser quem somos, para escolher melhor o que queremos ser.
O conservadorismo lembra-nos que a história é um mestre silencioso; o soberanismo, que a liberdade não se delega.

Num tempo em que a técnica promete tudo e o poder se desloca para longe, talvez conservar e ser soberano seja apenas a forma civilizada de continuar a ser humano.

Não são uma ameaça: são uma advertência.
Uma lembrança de que toda a civilização que esquece as suas raízes perde também o rumo.

Bem Haja

Leituras recomendadas:

• Alasdair MacIntyre — Depois da Virtude

• Yuval Levin — O Grande Debate
• Robert Nisbet — A procura pela Comunidade
• Dani Rodrik — O Paradoxo da Globalização


Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas que me interessam enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a colaboração de IA

Conservadorismo e Soberanismo II

A visão europeia destes dois ismos

Depois de observarmos como o conservadorismo e o soberanismo se manifestam nas diferentes regiões do mundo, é tempo de voltar o olhar para a Europa.
É neste continente que estes dois ismos ganharam forma política moderna — e também onde se tornaram mais ambíguos.
A Europa democrática é, ao mesmo tempo, o berço e o laboratório da conciliação entre identidade e liberdade, memória e modernidade, nação e integração.

Mas, se partilham um mesmo quadro civilizacional, os países europeus interpretam de modos muito diferentes o que significa conservar e o que significa ser soberano.

A Assembleia Nacional, em Paris — símbolo da tradição
republicana e do orgulho cívico francês

França — o orgulho republicano

Na França, o conservadorismo assume uma forma peculiar: é republicano e cívico, não aristocrático.
Desde a Revolução Francesa, a Nação é entendida como o povo soberano, e não como uma linhagem ou tradição religiosa.
O conservador francês conserva a República (os valores de liberté, égalité, fraternité)— e desconfia tanto da tirania como da fragmentação.
O soberanismo, por sua vez, tem raízes no gaullismo, na defesa de uma França independente das superpotências e das instituições supranacionais.
É um soberanismo orgulhoso, mas não isolacionista: pretende autonomia dentro da cooperação, uma França que decide, mas participa.

Portão de Brandemburgo em Berlim, iluminado à noite, representando a história e a cultura alemã.
A Porta de Brandemburgo — marco histórico da
prudência alemã e da reconstrução democrática do pós-guerra

Alemanha — a contenção da memória

O caso alemão é quase o inverso.
A tragédia do século XX deixou uma marca profunda: o nacionalismo passou a ser visto com suspeita moral.
O conservadorismo alemão tornou-se constitucional e prudente, centrado no Estado de direito, na economia social de mercado e na integração europeia.
A Alemanha pós-guerra substituiu a exaltação nacional por uma forma de patriotismo cívico, que valoriza mais a responsabilidade do que o orgulho.
O soberanismo, aqui, é residual — a União Europeia é vista não como ameaça, mas como garantia de estabilidade e redenção histórica.
É o caso de um país que conserva para não repetir, e cede soberania para não perder a paz.

O Parlamento em Westminster — símbolo da tradição constitucional  e do soberanismo parlamentar britânico

Reino Unido — o soberanismo pragmático

O Reino Unido foi sempre uma exceção europeia.
O conservadorismo britânico é empírico e gradualista: confia na tradição, mas ajusta-a quando necessário.
A monarquia, o parlamentarismo e o direito, que se pratica por hábito, são exemplos de instituições que evoluíram sem rutura.
O soberanismo, porém, é aqui muito mais firme.
O Brexit foi a expressão contemporânea dessa mentalidade insular: uma defesa da soberania parlamentar e do controlo democrático sobre as decisões políticas.
Não se tratou apenas de identidade cultural, mas de autogoverno e responsabilidade.
Mesmo dividida internamente, a sociedade britânica continua a acreditar que a liberdade começa em casa.

O Palazzo Montecitorio, em Roma — sede da Câmara dos Deputados e expressão da identidade política plural da Itália

Itália — identidade fragmentada, soberania emotiva

A Itália é o país onde o conservadorismo é mais cultural do que político.
A unificação tardia e as diferenças regionais deram-lhe uma identidade plural, por vezes contraditória.
O conservador italiano defende a herança artística, a família, o catolicismo social e a vida comunitária.
O soberanismo, por outro lado, tem sido popular e reativo, surgindo em momentos de crise — contra Bruxelas, contra a imigração, contra a globalização.
Movimentos como a Lega ou Fratelli d’Italia exprimem um soberanismo emocional, que mistura orgulho nacional com desconfiança externa.
É a busca de uma Itália “normal”, mas soberana, num mundo que lhe parece cada vez mais desordenado.

O Congresso dos Deputados, em Madrid — símbolo da unidade constitucional num país de identidades diversas

Espanha — o dilema das nações internas

Em Espanha, conservadorismo e soberanismo convivem de forma tensa.
O conservadorismo espanhol é institucional e constitucional, defensor da unidade do Estado e da monarquia parlamentar.
Mas a história recente mostra o outro lado: os nacionalismos regionais (catalão, basco, galego) que reivindicam soberania própria.
Assim, o soberanismo espanhol é duplo e conflituoso: centralista no poder nacional, autonomista nas periferias.
O conservador quer preservar a unidade; o soberanista regional quer redefini-la.
O resultado é um equilíbrio frágil entre a coesão do Estado e a diversidade das identidades.

Assembleia da República, representando a estabilidade  e continuidade democrática portuguesa

Portugal — serenidade histórica, soberania discreta

Portugal tem uma das identidades mais antigas e estáveis da Europa.
O seu conservadorismo é histórico e moderado, mais cultural do que partidário: preserva a língua, o território, a história e a continuidade do Estado.
O soberanismo português raramente se manifesta em tom combativo — prefere a cooperação equilibrada, tanto com a União Europeia como com o mundo lusófono.
Ainda assim, em momentos de crise, emerge um instinto soberanista discreto: na defesa do mar, da agricultura, da língua, ou da independência económica.
É um soberanismo de dignidade e memória, não de confronto.
Portugal conserva por afeto e resiste por hábito.

Síntese europeia — unidade na diversidade

Em conjunto, a Europa mostra que não existe um único modelo de conservadorismo nem de soberanismo.
Cada país expressa estes valores à sua maneira:

  • França combina orgulho republicano com autonomia diplomática;
  • Alemanha substitui orgulho por responsabilidade;
  • Reino Unido defende a liberdade pela soberania;
  • Itália busca identidade na emoção popular;
  • Espanha equilibra unidade e pluralidade;
  • Portugal preserva serenamente a sua continuidade histórica.

Esta diversidade não é fraqueza: é sinal de vitalidade.
Mostra que, na Europa democrática, estes dois ismos são compatíveis com a liberdade, desde que moderados pela razão e ancorados em instituições legítimas.
O perigo não está nas doutrinas, mas no esquecimento do equilíbrio que as sustenta.

Bem Haja.

Leituras recomendadas:

·  Charles de GaulleO fio da espada  (soberania francesa)

·  Zbigniew BrzezinskiO grande tabuleiro (Europa e equilíbrio estratégico)

·  Anthony GiddensA Terceira via (para perceber o papel da UE)

·  Timothy Garton AshA lanterna mágica (Europa Central)

·  HabermasA constelação pós-nacional (contra a soberania clássica)

Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas que me interessam enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a participação de IA

Conservadorismo e Soberanismo I

A visão universal destes dois ismos

A ideia de soberania e de pertença acompanha a história de todas as civilizações

Vivemos num tempo em que as palavras antigas voltam a ganhar vida. Termos como conservadorismo e soberanismo, durante décadas confinados a debates teóricos ou partidários, regressam hoje ao discurso público com nova força. Para uns, representam a defesa da identidade e da liberdade dos povos; para outros, são sinais de fechamento e de desconfiança perante o mundo.
Antes de julgar, talvez importe compreender. Que significam, afinal, estes dois ismos quando observados à escala global? E será que têm os mesmos valores em todos os lugares onde se manifestam?

Ideias universais, expressões locais

Tanto o conservadorismo como o soberanismo nascem de um mesmo instinto humano: a necessidade de preservar o que dá sentido à comunidade.

O primeiro foca-se na continuidade moral e cultural; o segundo, na autonomia política e na autodeterminação coletiva.
Ambos partem da convicção de que a liberdade não é plena se a sociedade perde as suas raízes ou a capacidade de decidir por si. Mas, embora universais no impulso, estes dois ismos assumem formas muito diferentes consoante o lugar e o tempo.

Pensemos o que acontece nos mais diversos continentes:

O edifício do Reichstag, em Berlim — símbolo da reconstrução democrática e da prudência europeia.

A Europa e a memória do limite

Na Europa, o conservadorismo tem uma longa história ligada à defesa da ordem, da tradição e da prudência política.

Depois das guerras e das ditaduras do século XX, este foi reformulado como conservadorismo democrático: uma ética da moderação, que valoriza a liberdade individual sem destruir o tecido moral que a sustenta.

O soberanismo europeu, por seu lado, é mais recente. Surgiu como reação à integração supranacional e à globalização económica.

É a tentativa de reequilibrar o poder entre as instituições europeias e os Estados, recordando que a democracia só existe onde há um povo que decide.

A Europa é, portanto, o continente onde estes dois ismos coexistem em tensão: a prudência conservadora e a autonomia soberanista, ambas procurando proteger o que resta da soberania moral e política das nações democráticas.

O Capitólio, em Washington, D.C. — símbolo do patriotismo cívico e da fé constitucional norte-americana.

Os Estados Unidos e o patriotismo cívico

Nos Estados Unidos, o conservadorismo é inseparável da religião civil americana — a crença na liberdade como missão e na Constituição como símbolo sagrado.

Aqui, ser conservador não significa resistir à mudança, mas preservar o espírito fundador: a fé na liberdade individual e na responsabilidade pessoal.

O soberanismo americano, por sua vez, manifesta-se sob a forma de excecionalismo. Os EUA veem-se como guardiões do próprio destino e hesitam em submeter-se a instituições internacionais.

Deste modo, o nacionalismo americano é cívico, não étnico; missionário, não defensivo.
Onde o europeu vê ameaça, o americano vê propósito.

Monumento a Bolívar e San Martín, em Guayaquil — símbolo da soberania e da união latino-americana.

A América Latina e a soberania como dignidade

Na América Latina, a palavra soberania tem ressonâncias de luta e emancipação. O continente nasceu de guerras de independência e de uma constante afirmação contra influências externas, primeiro coloniais, depois económicas.

O conservadorismo, aqui, é frequentemente cultural e religioso, ligado à tradição católica e à defesa da família; enquanto o soberanismo é popular e social, um grito de dignidade das maiorias contra a dependência e a desigualdade.

Em países como a Argentina, o México ou o Brasil, a ideia de nação mistura-se com a de justiça social.

É um soberanismo emocional e moral, mais do que institucional — uma forma de dizer: “somos um povo e merecemos respeito”.

O Templo do Céu, em Pequim — símbolo da harmonia entre tradição e poder civilizacional na Ásia.

A Ásia e o renascimento das civilizações

Na Ásia, estes dois ismos assumem um tom diferente — civilizacional e pragmático.

Na China, o Partido Comunista legitima-se através de um discurso de renascimento nacional: “tornar grande de novo a nação chinesa”.

Na Índia, o conservadorismo confunde-se com o hindutva (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hindutva), a ideia de que a civilização hindu é a alma da nação moderna.

No Japão e na Coreia do Sul, o conservadorismo é tecnocrático e meritocrático, centrado na preservação da ordem social e no orgulho cultural.

Em todos estes casos, o soberanismo é menos democrático e mais estratégico: soberania como força e como destino, mais do que como escolha popular. A legitimidade nasce da estabilidade, não do voto.

Pontos em comum e diferenças essenciais

Apesar de tanta diversidade, há um conjunto de valores universais que atravessa estes dois ismos, onde quer que surjam:

  • A identidade como fundamento da comunidade;
  • A autodeterminação como direito político;
  • A memória como fonte de legitimidade;
  • A ordem como condição da liberdade;
  • E a dignidade coletiva como expressão da soberania.

O que muda é a hierarquia desses valores:
.A Europa prioriza a liberdade equilibrada pela memória;
.Os Estados Unidos, a liberdade como destino;
.A América Latina, a dignidade social;
.A Ásia, a ordem e o orgulho civilizacional.

São, por assim dizer, diferentes alfabetos de uma mesma linguagem moral.

Conclusão: raízes e horizontes

Olhar para estes dois ismos à escala universal ajuda a desfazer preconceitos: nem todo o conservadorismo é reacionário; nem todo o soberanismo é isolacionista.

Ambos expressam a vontade de preservar o que dá forma à liberdade: um sentido de pertença, uma herança partilhada, um território político que o tempo legitimou.
Quando moderados pela razão e abertos à responsabilidade, o conservadorismo e o soberanismo são forças de coesão, não de rutura.

Talvez por isso continuem a regressar, cada vez que a humanidade sente que está a perder o chão.

Bem Hajam

Leituras recomendadas:

– Edmund Burke — Reflexões sobre a Revolução em França (1790) — a obra fundadora do conservadorismo moderno.

– Russell Kirk — A mentalidade Conservadora (1953) — texto central do pensamento conservador anglo-saxónico.

– Roger Scruton — Como ser um conservador (2014) — defesa contemporânea do conservadorismo como amor pelo que é familiar.

– Pierre Manent — a Razão das Nações (2006) — reflexão sobre a Europa e a nação como espaço moral e político.

– Michael Oakeshott — Racionalismo em Política (1962) — crítica à política baseada em abstrações, defendendo a experiência herdada.

Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a particpação de AI