Conservadorismo e Soberanismo  IV

Os valores fundacionais destes dois ismos

Chegados ao fim deste conjunto de textos, fica a pergunta essencial: os valores que sustentam o conservadorismo e o soberanismo são uma ameaça à democracia — ou são, pelo contrário, a sua base esquecida?

Depois de olharmos para as suas manifestações no mundo, para a diversidade europeia e para o modo como a esquerda e a direita os interpretam, torna-se claro que estes dois ismos partilham um mesmo núcleo ético: a defesa do limite, da continuidade e da responsabilidade.

Não são ideias contra a liberdade — são tentativas de lhe dar forma e permanência.

Uma biblioteca histórica — símbolo da continuidade, da tradição e da sabedoria acumulada das gerações

O Conservadorismo — a ordem moral da liberdade

O conservadorismo, entendido no seu sentido mais profundo, não é resistência à mudança, mas recusa do esquecimento.
Assenta em valores que não pertencem a um partido, mas a uma experiência histórica comum:

ValorSentido essencial
TradiçãoA sabedoria acumulada das gerações; a herança que liga passado e futuro.
OrdemA estrutura que permite à liberdade existir sem se autodestruir.
PrudênciaA consciência de que o progresso sem medida é apenas outra forma de caos.
Moralidade objetivaA crença de que existem princípios de bem e de justiça que não dependem da moda.
ContinuidadeA noção de que a civilização é um fio de responsabilidades, não um recomeço permanente.

O conservador acredita que a liberdade precisa de raízes:

  • Sem tradição, a inovação torna-se capricho; sem memória, a justiça torna-se impulso; sem ordem, a democracia torna-se ruído.
  • Conservar, neste sentido, é proteger o que permite mudar com sentido.

Um parlamento nacional — símbolo da autodeterminação democrática e da responsabilidade coletiva

O Soberanismo — a dignidade da autodeterminação

O soberanismo nasce da convicção de que a democracia só existe onde há um povo que decide.
Não é necessariamente nacionalista, mas afirma que a legitimidade política vem de dentro, não de fora.
Os seus valores são os da autonomia responsável:

ValorSentido essencial
AutodeterminaçãoO direito de um povo governar-se e escolher o seu caminho.
IdentidadeO reconhecimento de uma história, cultura e língua que formam uma comunidade.
Responsabilidade nacionalSer soberano não é apenas ter poder — é ter deveres perante o bem comum.
Dignidade coletivaA soberania é uma forma de respeito próprio dos povos livres.
LimiteSaber até onde se pode delegar sem deixar de existir como sujeito político.

O soberanismo é, assim, a tradução política do desejo de continuidade: que a comunidade possa decidir o seu destino sem se dissolver em estruturas impessoais.

Quando se torna extremista, degenera em isolamento; mas quando é equilibrado, é a forma adulta da liberdade coletiva.

O ponto de encontro — limite e responsabilidade

Apesar das diferenças, conservadorismo e soberanismo convergem num mesmo princípio moral: a verdadeira liberdade exige limites e vínculos, e o conservador preocupa-se com os limites morais da ação humana; o soberanista, com os limites políticos da autoridade externa. Ambos rejeitam a ilusão de um mundo sem fronteiras nem memória.

DimensãoConservadorismoSoberanismoValor comum
Fundamento moralTradição e prudênciaIdentidade e deverContinuidade
Dimensão socialComunidade e ordemCoesão e solidariedadeResponsabilidade
Relação com o tempoValoriza o passado como guiaValoriza o presente como decisãoMemória ativa
Risco extremoImobilismo e moralismoIsolacionismo e populismoDesequilíbrio
Virtude centralModeraçãoAutonomiaLiberdade responsável

Estes dois ismos, quando mantêm o equilíbrio, são antídotos contra a amnésia histórica e contra o império da técnica.
Recordam-nos que governar é também conservar, e que conservar é também escolher.

Entre ameaça e necessidade

O que faz destes valores uma possível “ameaça” não é o seu conteúdo, mas a forma como são instrumentalizados.
O conservadorismo torna-se perigoso quando confunde ordem com rigidez, quando transforma a moral em imposição e o passado em dogma.
O soberanismo degenera quando substitui a responsabilidade pela desconfiança, ou a identidade pelo ressentimento.

Mas, nas suas formas maduras, ambos são condições de equilíbrio para a democracia:

  • O conservadorismo dá-lhe alma moral;
  • O soberanismo dá-lhe corpo político.

Sem o primeiro, a democracia perde referências; sem o segundo, perde autonomia.
Ambos juntos, quando temperados pela razão e pela consciência do outro, defendem a liberdade contra os excessos do seu próprio tempo.

Uma fronteira europeia contemporânea — símbolo dos limites que protegem a liberdade e da responsabilidade que sustenta a democracia

Conclusão — herdar, não repetir

Estes dois ismos não pedem regressos nem muralhas.
Pedem enraizamento — a capacidade de recordar o que nos fez ser quem somos, para escolher melhor o que queremos ser.
O conservadorismo lembra-nos que a história é um mestre silencioso; o soberanismo, que a liberdade não se delega.

Num tempo em que a técnica promete tudo e o poder se desloca para longe, talvez conservar e ser soberano seja apenas a forma civilizada de continuar a ser humano.

Não são uma ameaça: são uma advertência.
Uma lembrança de que toda a civilização que esquece as suas raízes perde também o rumo.

Bem Haja

Leituras recomendadas:

• Alasdair MacIntyre — Depois da Virtude

• Yuval Levin — O Grande Debate
• Robert Nisbet — A procura pela Comunidade
• Dani Rodrik — O Paradoxo da Globalização


Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas que me interessam enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a colaboração de IA

Conservadorismo e Soberanismo  III

A leitura ideológica destes dois ismos

Na Europa democrática, o confronto entre esquerda e direita não se faz apenas de políticas ou programas.
O que as distingue, cada vez mais, é a visão moral e simbólica do que a sociedade deve conservar — e do que deve poder decidir.
É neste terreno que estes dois ismos, o conservadorismo e o soberanismo, assumem sentidos distintos conforme o olhar ideológico.

Ambos partem da mesma inquietação: a sensação de que a globalização, a burocracia e a tecnologia dissolveram o espaço político onde o cidadão se reconhece.
Mas a resposta é diferente: para a esquerda, a soberania deve proteger as pessoas; para a direita, deve proteger a cultura.

O Parlamento Grego durante o período da crise — símbolo da reivindicação de soberania democrática na Europa do sul

A esquerda e o soberanismo democrático

A esquerda europeia tem uma relação complexa com a ideia de nação.
Durante grande parte do século XX, preferiu o internacionalismo — a solidariedade entre povos, acima das fronteiras.
O nacionalismo era visto como instrumento burguês, um disfarce das desigualdades sociais.

Contudo, nas últimas décadas, e sobretudo após a crise financeira de 2008, algo mudou.
Os partidos e movimentos de esquerda começaram a falar em soberania democrática — o direito de um povo decidir as suas políticas económicas e sociais sem imposições externas.

Na Grécia, o Syriza; em Espanha, o Podemos; em Portugal, parte da esquerda socialista e do Bloco de Esquerda; e em Itália, setores próximos da esquerda pós-comunista — todos resgataram o conceito de autodeterminação popular.
Não para exaltar a nação, mas para restituir ao Estado o poder de proteger os mais fracos.

Para esta esquerda, a soberania é instrumento de justiça social: serve para garantir trabalho, serviços públicos, segurança económica.
O conservadorismo, pelo contrário, é-lhe suspeito — visto como defesa do status quo, das hierarquias e da moral tradicional.
A esquerda europeia conserva, sim, mas a memória das lutas sociais, não as estruturas da tradição.

O Parlamento Húngaro — em vários países da Europa Central, a direita soberanista defende a proteção cultural e institucional como fundamento da comunidade nacional

A direita e o nacionalismo cívico

Na direita, o movimento é o inverso.
O conservadorismo continua a ser a linguagem moral da ordem e da continuidade, e o soberanismo, a linguagem política da independência.
Mas há divisões internas.

A direita liberal e democrata-cristã (como a do pós-guerra) vê no conservadorismo um princípio de equilíbrio: a defesa da moral pública, da família e das instituições, sem rejeitar o pluralismo.
Aceita a integração europeia como meio de estabilidade e de paz.
O seu soberanismo é moderado e cooperativo — defende a autonomia nacional, mas dentro das regras comuns.

Já a nova direita soberanista, que cresce em vários países (França, Itália, Hungria, Polónia, Espanha e Portugal), reivindica um tom mais assertivo.
Denuncia o que considera a erosão cultural e democrática provocada pela globalização e pela centralização em Bruxelas.
Para estes movimentos, ser soberano é reconstruir a comunidade moral e política, recuperar fronteiras, autoridade e pertença.

O seu conservadorismo é identitário, e o seu soberanismo é reivindicativo.
Ambos procuram devolver à nação o papel de sujeito histórico — não apenas uma peça da engrenagem internacional.

O Parlamento Europeu, em Estrasburgo — a Europa procura equilibrar autonomia nacional e integração política

Convergências e divergências

Entre a esquerda e a direita europeias, há mais pontos de contacto do que parece.
Ambas falam em autonomia, ambas criticam o poder distante e tecnocrático, e ambas invocam a soberania como forma de recuperar o controlo do destino coletivo.
Mas divergem no fundamento moral da sua soberania:

DimensãoEsquerda DemocráticaDireita Conservadora
Finalidade da soberaniaProteção social e justiça económicaDefesa da identidade e da cultura
Visão da comunidadeUniversalista e solidáriaNacional e orgânica
Relação com a tradiçãoCrítica ou seletivaValorizadora e moral
Soberanismo dominanteDemocrático e popularPolítico e cultural
Perigo percebidoA opressão internaA dissolução externa

No fundo, ambas tentam salvar o mesmo valor: a liberdade política, mas entendem-na de forma oposta.
Para a esquerda, a liberdade é coletiva e material — depende de igualdade e bem-estar.
Para a direita, é moral e institucional — depende de ordem e pertença.

A Europa entre dois medos

A Europa vive hoje entre dois medos complementares:

  • o medo da rutura social, que anima a esquerda;
  • e o medo da dissolução cultural, que inspira a direita.

Os dois olhares descrevem faces diferentes da mesma ansiedade: a perda de controlo.
Num mundo dominado por forças económicas e tecnológicas globais, estes dois ismos aparecem como tentativas de reenraizar o poder e o sentido — um em nome do povo, o outro em nome da civilização.

O desafio, porém, é que ambos podem resvalar:

  • o soberanismo democrático, se levado ao extremo, pode tornar-se populismo económico;
  • o conservadorismo identitário, se fechado sobre si, pode transformar-se em exclusivismo moral.

A fronteira entre virtude e risco está na moderação — a virtude clássica da política europeia.

Conclusão: o reencontro com a responsabilidade

A leitura ideológica do conservadorismo e do soberanismo mostra que não são monopólio de nenhuma corrente política.
São expressões de uma inquietação mais profunda: a de saber se o ser humano pode continuar a viver livre sem perder raízes.
A esquerda teme a desigualdade; a direita teme o vazio moral.
Ambas temem a perda de sentido.

Talvez por isso, em tempos de fragmentação, estes dois ismos voltam a unir o que o século XX separou: o sentimento de comunidade e a exigência de autogoverno.
A questão não é de partido, mas de responsabilidade civilizacional.
E essa, ainda que com nomes diferentes, é uma causa comum.

Bem Haja.

Leituras recomendadas:

  • Chantal Mouffe —Por um Populismo de Esquerda
  • Thomas Fazi — Retomando o Estado
  • Pierre Manent — A Razão das Nações
  • Ryszard Legutko — O Demónio na Democracia

Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas que me interessam enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a colaboração de IA

Conservadorismo e Soberanismo II

A visão europeia destes dois ismos

Depois de observarmos como o conservadorismo e o soberanismo se manifestam nas diferentes regiões do mundo, é tempo de voltar o olhar para a Europa.
É neste continente que estes dois ismos ganharam forma política moderna — e também onde se tornaram mais ambíguos.
A Europa democrática é, ao mesmo tempo, o berço e o laboratório da conciliação entre identidade e liberdade, memória e modernidade, nação e integração.

Mas, se partilham um mesmo quadro civilizacional, os países europeus interpretam de modos muito diferentes o que significa conservar e o que significa ser soberano.

A Assembleia Nacional, em Paris — símbolo da tradição
republicana e do orgulho cívico francês

França — o orgulho republicano

Na França, o conservadorismo assume uma forma peculiar: é republicano e cívico, não aristocrático.
Desde a Revolução Francesa, a Nação é entendida como o povo soberano, e não como uma linhagem ou tradição religiosa.
O conservador francês conserva a República (os valores de liberté, égalité, fraternité)— e desconfia tanto da tirania como da fragmentação.
O soberanismo, por sua vez, tem raízes no gaullismo, na defesa de uma França independente das superpotências e das instituições supranacionais.
É um soberanismo orgulhoso, mas não isolacionista: pretende autonomia dentro da cooperação, uma França que decide, mas participa.

Portão de Brandemburgo em Berlim, iluminado à noite, representando a história e a cultura alemã.
A Porta de Brandemburgo — marco histórico da
prudência alemã e da reconstrução democrática do pós-guerra

Alemanha — a contenção da memória

O caso alemão é quase o inverso.
A tragédia do século XX deixou uma marca profunda: o nacionalismo passou a ser visto com suspeita moral.
O conservadorismo alemão tornou-se constitucional e prudente, centrado no Estado de direito, na economia social de mercado e na integração europeia.
A Alemanha pós-guerra substituiu a exaltação nacional por uma forma de patriotismo cívico, que valoriza mais a responsabilidade do que o orgulho.
O soberanismo, aqui, é residual — a União Europeia é vista não como ameaça, mas como garantia de estabilidade e redenção histórica.
É o caso de um país que conserva para não repetir, e cede soberania para não perder a paz.

O Parlamento em Westminster — símbolo da tradição constitucional  e do soberanismo parlamentar britânico

Reino Unido — o soberanismo pragmático

O Reino Unido foi sempre uma exceção europeia.
O conservadorismo britânico é empírico e gradualista: confia na tradição, mas ajusta-a quando necessário.
A monarquia, o parlamentarismo e o direito, que se pratica por hábito, são exemplos de instituições que evoluíram sem rutura.
O soberanismo, porém, é aqui muito mais firme.
O Brexit foi a expressão contemporânea dessa mentalidade insular: uma defesa da soberania parlamentar e do controlo democrático sobre as decisões políticas.
Não se tratou apenas de identidade cultural, mas de autogoverno e responsabilidade.
Mesmo dividida internamente, a sociedade britânica continua a acreditar que a liberdade começa em casa.

O Palazzo Montecitorio, em Roma — sede da Câmara dos Deputados e expressão da identidade política plural da Itália

Itália — identidade fragmentada, soberania emotiva

A Itália é o país onde o conservadorismo é mais cultural do que político.
A unificação tardia e as diferenças regionais deram-lhe uma identidade plural, por vezes contraditória.
O conservador italiano defende a herança artística, a família, o catolicismo social e a vida comunitária.
O soberanismo, por outro lado, tem sido popular e reativo, surgindo em momentos de crise — contra Bruxelas, contra a imigração, contra a globalização.
Movimentos como a Lega ou Fratelli d’Italia exprimem um soberanismo emocional, que mistura orgulho nacional com desconfiança externa.
É a busca de uma Itália “normal”, mas soberana, num mundo que lhe parece cada vez mais desordenado.

O Congresso dos Deputados, em Madrid — símbolo da unidade constitucional num país de identidades diversas

Espanha — o dilema das nações internas

Em Espanha, conservadorismo e soberanismo convivem de forma tensa.
O conservadorismo espanhol é institucional e constitucional, defensor da unidade do Estado e da monarquia parlamentar.
Mas a história recente mostra o outro lado: os nacionalismos regionais (catalão, basco, galego) que reivindicam soberania própria.
Assim, o soberanismo espanhol é duplo e conflituoso: centralista no poder nacional, autonomista nas periferias.
O conservador quer preservar a unidade; o soberanista regional quer redefini-la.
O resultado é um equilíbrio frágil entre a coesão do Estado e a diversidade das identidades.

Assembleia da República, representando a estabilidade  e continuidade democrática portuguesa

Portugal — serenidade histórica, soberania discreta

Portugal tem uma das identidades mais antigas e estáveis da Europa.
O seu conservadorismo é histórico e moderado, mais cultural do que partidário: preserva a língua, o território, a história e a continuidade do Estado.
O soberanismo português raramente se manifesta em tom combativo — prefere a cooperação equilibrada, tanto com a União Europeia como com o mundo lusófono.
Ainda assim, em momentos de crise, emerge um instinto soberanista discreto: na defesa do mar, da agricultura, da língua, ou da independência económica.
É um soberanismo de dignidade e memória, não de confronto.
Portugal conserva por afeto e resiste por hábito.

Síntese europeia — unidade na diversidade

Em conjunto, a Europa mostra que não existe um único modelo de conservadorismo nem de soberanismo.
Cada país expressa estes valores à sua maneira:

  • França combina orgulho republicano com autonomia diplomática;
  • Alemanha substitui orgulho por responsabilidade;
  • Reino Unido defende a liberdade pela soberania;
  • Itália busca identidade na emoção popular;
  • Espanha equilibra unidade e pluralidade;
  • Portugal preserva serenamente a sua continuidade histórica.

Esta diversidade não é fraqueza: é sinal de vitalidade.
Mostra que, na Europa democrática, estes dois ismos são compatíveis com a liberdade, desde que moderados pela razão e ancorados em instituições legítimas.
O perigo não está nas doutrinas, mas no esquecimento do equilíbrio que as sustenta.

Bem Haja.

Leituras recomendadas:

·  Charles de Gaulle — O fio da espada  (soberania francesa)

·  Zbigniew Brzezinski — O grande tabuleiro (Europa e equilíbrio estratégico)

·  Anthony Giddens — A Terceira via (para perceber o papel da UE)

·  Timothy Garton Ash — A lanterna mágica (Europa Central)

·  Habermas — A constelação pós-nacional (contra a soberania clássica)

Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas que me interessam enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a participação de IA

Conservadorismo e Soberanismo I

A visão universal destes dois ismos

A ideia de soberania e de pertença acompanha a história de todas as civilizações

Vivemos num tempo em que as palavras antigas voltam a ganhar vida. Termos como conservadorismo e soberanismo, durante décadas confinados a debates teóricos ou partidários, regressam hoje ao discurso público com nova força. Para uns, representam a defesa da identidade e da liberdade dos povos; para outros, são sinais de fechamento e de desconfiança perante o mundo.
Antes de julgar, talvez importe compreender. Que significam, afinal, estes dois ismos quando observados à escala global? E será que têm os mesmos valores em todos os lugares onde se manifestam?

Ideias universais, expressões locais

Tanto o conservadorismo como o soberanismo nascem de um mesmo instinto humano: a necessidade de preservar o que dá sentido à comunidade.

O primeiro foca-se na continuidade moral e cultural; o segundo, na autonomia política e na autodeterminação coletiva.
Ambos partem da convicção de que a liberdade não é plena se a sociedade perde as suas raízes ou a capacidade de decidir por si. Mas, embora universais no impulso, estes dois ismos assumem formas muito diferentes consoante o lugar e o tempo.

Pensemos o que acontece nos mais diversos continentes:

O edifício do Reichstag, em Berlim — símbolo da reconstrução democrática e da prudência europeia.

A Europa e a memória do limite

Na Europa, o conservadorismo tem uma longa história ligada à defesa da ordem, da tradição e da prudência política.

Depois das guerras e das ditaduras do século XX, este foi reformulado como conservadorismo democrático: uma ética da moderação, que valoriza a liberdade individual sem destruir o tecido moral que a sustenta.

O soberanismo europeu, por seu lado, é mais recente. Surgiu como reação à integração supranacional e à globalização económica.

É a tentativa de reequilibrar o poder entre as instituições europeias e os Estados, recordando que a democracia só existe onde há um povo que decide.

A Europa é, portanto, o continente onde estes dois ismos coexistem em tensão: a prudência conservadora e a autonomia soberanista, ambas procurando proteger o que resta da soberania moral e política das nações democráticas.

O Capitólio, em Washington, D.C. — símbolo do patriotismo cívico e da fé constitucional norte-americana.

Os Estados Unidos e o patriotismo cívico

Nos Estados Unidos, o conservadorismo é inseparável da religião civil americana — a crença na liberdade como missão e na Constituição como símbolo sagrado.

Aqui, ser conservador não significa resistir à mudança, mas preservar o espírito fundador: a fé na liberdade individual e na responsabilidade pessoal.

O soberanismo americano, por sua vez, manifesta-se sob a forma de excecionalismo. Os EUA veem-se como guardiões do próprio destino e hesitam em submeter-se a instituições internacionais.

Deste modo, o nacionalismo americano é cívico, não étnico; missionário, não defensivo.
Onde o europeu vê ameaça, o americano vê propósito.

Monumento a Bolívar e San Martín, em Guayaquil — símbolo da soberania e da união latino-americana.

A América Latina e a soberania como dignidade

Na América Latina, a palavra soberania tem ressonâncias de luta e emancipação. O continente nasceu de guerras de independência e de uma constante afirmação contra influências externas, primeiro coloniais, depois económicas.

O conservadorismo, aqui, é frequentemente cultural e religioso, ligado à tradição católica e à defesa da família; enquanto o soberanismo é popular e social, um grito de dignidade das maiorias contra a dependência e a desigualdade.

Em países como a Argentina, o México ou o Brasil, a ideia de nação mistura-se com a de justiça social.

É um soberanismo emocional e moral, mais do que institucional — uma forma de dizer: “somos um povo e merecemos respeito”.

O Templo do Céu, em Pequim — símbolo da harmonia entre tradição e poder civilizacional na Ásia.

A Ásia e o renascimento das civilizações

Na Ásia, estes dois ismos assumem um tom diferente — civilizacional e pragmático.

Na China, o Partido Comunista legitima-se através de um discurso de renascimento nacional: “tornar grande de novo a nação chinesa”.

Na Índia, o conservadorismo confunde-se com o hindutva (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hindutva), a ideia de que a civilização hindu é a alma da nação moderna.

No Japão e na Coreia do Sul, o conservadorismo é tecnocrático e meritocrático, centrado na preservação da ordem social e no orgulho cultural.

Em todos estes casos, o soberanismo é menos democrático e mais estratégico: soberania como força e como destino, mais do que como escolha popular. A legitimidade nasce da estabilidade, não do voto.

Pontos em comum e diferenças essenciais

Apesar de tanta diversidade, há um conjunto de valores universais que atravessa estes dois ismos, onde quer que surjam:

  • A identidade como fundamento da comunidade;
  • A autodeterminação como direito político;
  • A memória como fonte de legitimidade;
  • A ordem como condição da liberdade;
  • E a dignidade coletiva como expressão da soberania.

O que muda é a hierarquia desses valores:
.A Europa prioriza a liberdade equilibrada pela memória;
.Os Estados Unidos, a liberdade como destino;
.A América Latina, a dignidade social;
.A Ásia, a ordem e o orgulho civilizacional.

São, por assim dizer, diferentes alfabetos de uma mesma linguagem moral.

Conclusão: raízes e horizontes

Olhar para estes dois ismos à escala universal ajuda a desfazer preconceitos: nem todo o conservadorismo é reacionário; nem todo o soberanismo é isolacionista.

Ambos expressam a vontade de preservar o que dá forma à liberdade: um sentido de pertença, uma herança partilhada, um território político que o tempo legitimou.
Quando moderados pela razão e abertos à responsabilidade, o conservadorismo e o soberanismo são forças de coesão, não de rutura.

Talvez por isso continuem a regressar, cada vez que a humanidade sente que está a perder o chão.

Bem Hajam

Leituras recomendadas:

– Edmund Burke — Reflexões sobre a Revolução em França (1790) — a obra fundadora do conservadorismo moderno.

– Russell Kirk — A mentalidade Conservadora (1953) — texto central do pensamento conservador anglo-saxónico.

– Roger Scruton — Como ser um conservador (2014) — defesa contemporânea do conservadorismo como amor pelo que é familiar.

– Pierre Manent — a Razão das Nações (2006) — reflexão sobre a Europa e a nação como espaço moral e político.

– Michael Oakeshott — Racionalismo em Política (1962) — crítica à política baseada em abstrações, defendendo a experiência herdada.

Nota do autor:

Este texto não tem pretensões académicas. É uma reflexão pessoal sobre temas enquanto cidadão e observador do nosso tempo.

Este texto teve a particpação de AI

Eleições Presidenciais 2025

Entre o centrão fatigado e a direita insurgente

As próximas eleições presidenciais de janeiro 2026 prometem um confronto inédito: o centrão político, que tem dominado a vida pública portuguesa nas últimas décadas, enfrentará uma direita populista em ascensão, que se apresenta como alternativa ao sistema.

O ato eleitoral colocará frente a frente candidatos independentes e outros com ligações partidárias claras, refletindo a divisão entre a política tradicional e novas formas de mobilização.
Entre os nomes mais falados estão António José Seguro e Marques Mendes, representantes do centrão, Gouveia e Melo, que se posiciona igualmente no centrão, e André Ventura, que lidera a candidatura mais abertamente ideológica e de rutura.

Pelo seu discurso e pelo partido que representa, André Ventura é o candidato que mais curiosidade e expectativa desperta entre os eleitores que procuram uma alternativa ao sistema. Embora ainda não sejam conhecidas todas as suas propostas para a Presidência da República, é possível antecipar o seu conteúdo a partir dos documentos programáticos do partido — nomeadamente as 100 Medidas Chega (2022) e o Programa Eleitoral para as Legislativas de 2025.

I. A matriz ideológica: nacionalismo, conservadorismo e populismo

Com base nesses documentos, é possível traçar o perfil ideológico do Chega como um movimento de matriz nacional-conservadora e populista de direita, que evoluiu de um conjunto de eixos programáticos genéricos para um programa de governo detalhado e coerente.
O Programa Eleitoral de 2025 consolida as ideias apresentadas nas 100 Medidas, reforçando os pilares da soberania nacional, da segurança interna e da rejeição das ideologias progressistas ou globalistas.

1. Nacionalismo e Soberanismo

Ambos os textos colocam a Soberania Nacional e os Interesses de Portugal no centro da ação política.

Patrícia de Melo Moreira/Getti images

2. Conservadorismo Social e Cultural

Esta é uma das dimensões mais consistentes do discurso político do partido.

  • Defesa da família tradicional: Apresentada como “a célula originária e fundamental da sociedade portuguesa”, a família deve, segundo o programa, ser protegida do “combate ideológico” promovido por políticas progressistas.
  • Rejeição da cultura woke: Condena a “propaganda da agenda LGBTI” e da “ideologia de género”, defendendo que o ensino deve preservar a visão tradicional dos papéis familiares e sexuais.
  • Valorização da História e Identidade: O ensino da História de Portugal deve recusar leituras revisionistas e assumir com orgulho o papel do país no mundo e na Lusofonia.
  • Caráter pró-vida: Defende a promoção de uma “cultura pró-vida”, propondo restrições à interrupção voluntária da gravidez, exceto em casos de violação, malformação fetal ou risco de vida da mãe.

3. Populismo Antissistema e Anticorrupção

O Chega apresenta-se como uma força de rutura contra o “sistema podre e corrupto” que, segundo o partido, tem governado o país.

  • Tolerância zero e endurecimento penal: Defende prisão perpétua para crimes graves e castração química para agressores sexuais reincidentes.
  • Combate à corrupção: Propõe agravamento das penas, perda da reforma e impedimento vitalício para políticos condenados exercerem cargos públicos ou transitar para empresas tuteladas.
  • Reforma política: Defende a redução do número de deputados (para 100-180) e a criação de um círculo nacional de compensação eleitoral.

4. Liberalismo Económico

Na economia, o partido aposta numa visão liberal e fiscalmente redutora, com foco na diminuição da intervenção estatal.

  • Simplificação fiscal: Propõe duas taxas de IRS (15% e 30%) e redução progressiva do IRC para 15%.
  • Abolição de impostos: Prevê a eliminação do IMI e do imposto sucessório para familiares diretos.
  • Rejeição do assistencialismo: O Rendimento Social de Inserção deve implicar contrapartidas em trabalho comunitário.

5. Pragmatismo Integrador (2025)

O programa de 2025 introduz medidas de caráter mais técnico, procurando integrar o discurso ideológico em soluções de governação:

  • Saúde: Propõe um modelo misto (ADSE Plus) que combine os setores público, privado e social.
  • Energia: Defende o desenvolvimento da energia nuclear (reatores SMR) para reforçar a soberania energética.
  • Infraestruturas: Propõe abolição de portagens, expansão ferroviária de alta velocidade e novo aeroporto.

II. O significado político da candidatura

Em síntese, os documentos do Chega traduzem uma ideologia nacionalista, conservadora e populista, que procura afirmar-se como resposta ao desgaste do sistema partidário tradicional.
O discurso da soberania, da ordem e do combate à corrupção funciona como eixo mobilizador de um eleitorado que se sente excluído ou desiludido com o “centrão”.

André Ventura, com esse programa, apresenta uma visão clara e coerente — o que, para muitos eleitores, é já uma forma de diferença.
Ainda faltam quase três meses para o ato eleitoral, e muito ruído mediático se fará sentir. Mas este exercício de leitura serve, modestamente, para clarificar o sentido político da sua candidatura e o contraste que ela estabelece com o sistema vigente.

Outros candidatos apresentarão certamente outras visões de Portugal.
O que estará em causa, em janeiro, é mais do que a eleição de um presidente — é o modelo de país que os portugueses desejam reafirmar ou transformar.

Bem hajam.

Francisco Pinto Balsemão: o poder discreto da palavra e da influência

Uma reflexão sobre o homem que moldou a política e os media em Portugal

Discreto na presença e firme nas convicções, Francisco Pinto Balsemão foi uma das figuras mais singulares da vida pública portuguesa. Entre a política e o jornalismo, construiu uma obra onde o poder se exercia com reserva, o debate com inteligência e o tempo com prudência — virtudes raras, sobretudo num país ainda em transição para a democracia quando o seu nome começou a destacar-se.

Carácter e estilo pessoal
A sobriedade e o sentido ético foram marcas constantes na forma como Balsemão enfrentou a vida pública. Nunca se deixou seduzir pelo ruído fácil da popularidade. Preferia o raciocínio à retórica, o diálogo à imposição. Representava uma ideia de liderança que conciliava competência e contenção — e que, nos dias de hoje, talvez pareça quase anacrónica.


Lisboa, 21/09/2021 – Lançamento da biografia de Francisco Pinto Balsemão (Diana Quintela)

Vida política
Foi um dos fundadores do Partido Social Democrata e, após a morte trágica de Sá Carneiro, assumiu o cargo de primeiro-ministro num período de grande instabilidade. Governou com sentido institucional e profundo respeito pela democracia, num tempo em que o país ainda consolidava o seu futuro político. O seu estilo moderado contrastava com o fervor ideológico que dominava a época, o que explica a influência mais duradoura da sua atitude do que das suas medidas.

O jornalista e o fundador do Expresso
Antes de ser político, Balsemão foi jornalista — e talvez nunca tenha deixado de o ser. Fundou o Expresso em 1973, um jornal que rapidamente se tornou uma referência de qualidade e independência editorial. Num Portugal ainda dividido, o Expresso representava uma janela de liberdade responsável: crítica, mas nunca demagógica; corajosa, mas sempre informada.

O empresário e a criação da SIC
Com a fundação da SIC em 1992, Balsemão abriu uma nova página no panorama mediático português. A televisão privada trouxe diversidade, pluralismo e modernização técnica. A sua visão empresarial manteve o mesmo traço cívico que sempre o caracterizou: acreditar que a comunicação social é um pilar essencial da democracia, e não apenas um negócio.

Influência na sociedade portuguesa
Mais do que o político ou o empresário, fica a figura do cidadão. Um homem que acreditava na força das instituições e no dever da responsabilidade pública. O seu contributo para a consolidação da democracia e para a liberdade de imprensa ultrapassa cargos ou empresas — é parte do próprio tecido cívico do país.

Francisco Pinto Balsemão foi, acima de tudo, um construtor silencioso. A sua influência não se media em aplausos, mas em legado. E talvez seja essa a forma mais digna de poder: aquela que se exerce com discrição, mas que perdura no tempo.

Autárquicas 2025

O Centrão resiste, mas o terreno político está a mudar

As eleições autárquicas do passado domingo (13.10.25) decorreram sem grandes surpresas, voltando a registar a disputa habitual entre o PSD, com 58 coligações, e o PS, com 2 coligações. Desta vez, foi o PSD — com mais coligações — que levou a vantagem, conquistando 136 presidências de câmara, enquanto o PS ficou com 128. Juntos, estes dois partidos garantiram 264 presidências em 308 municípios, confirmando o domínio do chamado #centrão político, que continua a alternar o poder local sem grandes ruturas.

Independentes em crescimento

Apesar da hegemonia dos partidos tradicionais, as candidaturas independentes reforçaram a sua presença, elegendo vinte presidentes de câmara. As listas de cidadãos não vinculados a partidos continuam a crescer, o que reforça a ideia de que o valor individual do candidato é determinante nas autárquicas — motivo pelo qual estas eleições são frequentemente consideradas incomparáveis com outros atos eleitorais.

Extrema Esquerda em queda

A extrema-esquerda continua em perda de eleitores e influência. A CDU perdeu presidências em municípios historicamente seus e viu reduzir-se o apoio do seu eleitorado tradicional. Independentemente do tipo de eleição, as perdas sucedem-se:

O Bloco de Esquerda não conseguiu eleger qualquer autarca — caminha para um fim político que tarda em chegar. O Partido Livre teve o mesmo desfecho. Ambos praticamente não existem a nível autárquico, sem quadros nem estrutura local que lhes permita participar na gestão municipal.

CDS resiste e coliga-se

O #CDS-PP manteve as presidências herdadas das autárquicas de 2021 e integrou 55 coligações municipais com eleitos. Bravo — uma nota de resistência para um partido que, apesar das dificuldades nacionais, continua a marcar presença local.

Chega: de zero a três câmaras

O partido que mais expectativas criou nestas eleições foi o #Chega. Os seus resultados foram expressivos, com aumentos de votos nos diversos órgãos autárquicos que multiplicam por três ou até por treze os valores de 2021. Partindo de zero mandatos executivos há quatro anos, o partido conquistou agora três presidências de câmara e treze presidências de junta de freguesia, num total de 1 961 autarcas eleitos:

Implantação nacional crescente

Com exceção do distrito de Viseu, todos os restantes distritos e regiões autónomas contam com vereadores do Chega — 135 no total. Nas assembleias de freguesia, o partido elegeu representantes em todo o país, somando 1 175 autarcas.

Foram muitos os comentários sobre estes resultados — alguns depreciativos, com adjetivos em excesso e pouca substância — talvez por desconhecimento ou, simplesmente, por preconceito.

Quatro anos para consolidar o terreno

Em 2021, a presença autárquica do Chega era ainda residual. Estes quatro anos permitiram aos seus autarcas ganhar raízes e aceitação junto das populações locais. A estratégia do partido foi clara: apresentar candidatos em praticamente todos os concelhos com potencial eleitoral. O objetivo, anunciado em 2021, foi concretizado em 2025.

Naturalmente, seria difícil competir em visibilidade com o PSD e o PS, que têm décadas de experiência no terreno. Ainda assim, o resultado alcançado deve ser visto — penso eu — como uma boa plataforma para 2029.

O que esperar de 2029

O Chega tem agora quatro anos para avaliar o desempenho dos seus autarcas, melhorar a formação e preparar candidaturas mais sólidas. Se conseguir consolidar esta estrutura local, poderá tornar-se um verdadeiro partido de implantação autárquica nacional.

E, se assim for, em 2029 poderemos assistir a uma disputa autárquica tripartida — PSD, PS e Chega —, o que poderá elevar a qualidade dos candidatos e dos futuros eleitos.

Em síntese

• O centrão mantém a hegemonia, mas o terreno começa a mexer.
• O crescimento dos independentes mostra que o eleitor local valoriza cada vez mais as pessoas do que os partidos.
• À esquerda, há sinais de retração profunda.
• À direita, o PSD reforça-se e o Chega emerge como novo ator com peso real nas autarquias.

Bem Hajam

Liberdade em Democracia

A liberdade em Democracia é poder pensar, fazer e desejar o que se quer e assumir as consequências com os efeitos diretos ou colaterais nos outros.

A última semana foi palco de notícias sobre o assassinato de um jovem nos EUA por motivos, aparentemente, políticos.

Sabe-se hoje que está identificado e detido o presumível autor do assassinato, um outro jovem.

O motivo, presumivelmente, do assassinato, de @Charlie Kirk, 32 anos, casado, com 2 filhos menores, cristão, apoiante de Donald Trump e da política implementada e a implementar nos próximos tempos, não era do acordo do presumível assassino e, entendeu este, que assassinar seria o modo certo para silenciar @Charlie Kirk.

Confirmado que seja a autoria do crime, a justiça será feita como acontece com qualquer crime semelhante, lamentavelmente @Charlie Kirk já não está entre nós e o autor do crime, provavelmente, deixará, depois de condenado, de estar entre nós também.

Deste modo, as causas diretas deste trágico acontecimento estará solucionado. O que irá continuar serão as consequências desta tragédia e os seus efeitos colaterais emergentes e futuros.

Em termos individuais, as famílias de @Charlie Kirk e do jovem autor do crime chorarão os seus filhos por muitos anos, senão para sempre, e o futuro de todos será, certamente, marcado por esta tragédia. A disputa política tem muitas vezes estes desfechos e, infelizmente, acontece, aconteceu e acontecerá no futuro.

Nomeadamente nos EUA e na Europa, alguns cidadãos estão politicamente radicalizados entre o que se diz e faz quer na direita, esquerda ou extremos.

Não importa aqui caracterizar e elencar o que a esquerda considera ser sua iniciativa e propriedade como verdades absolutas, de igual modo a direita também. O que importa é antecipar os efeitos colaterais que este trágico assassinato trará para o futuro imediato para todos os cidadãos.

Tendo este acontecimento origem nos EUA é previsível que a reação de uma parte dos dirigentes e protagonistas identificados com a direita política estejam magoados com a morte de @Charlie Kirk, seu ideólogo, nomeadamente junto de jovens universitários. São exemplo os sucessos que mantinha com as palestras em múltiplos campus universitários.

Os ecos que nos chegam daquelas paragens pouco depois do acontecimento já indiciam uma reação, por parte de @Donald Trump e de toda a sua governação, forte, determinada e permanente.

Até ao momento ainda não se verificaram reações popular violentas o que é bom. Todos temos memória dos violentos confrontos provocados em anos anteriores protagonizados por cidadãos de esquerda em reação a eventos que, estes, em seus momentos, consideraram graves.

Não obstante, as autoridades e a sociedade cível, já iniciaram, justamente, um processo de expulsão dos seus postos de trabalho a muitos cidadãos que voluntariamente expressaram júbilo e contentamento por este trágico acontecimento com @Charlie Kirk com vídeos, publicações em redes sociais e outros meios públicos.

“CALL YOUR CONGRESSMAN CANCEL LICENSES FOR ALL NETWORKS SPREADING LIES ABOUT KIRK ABOUR ROBINSON “

https://truthsocial.com/@BABBITT16/115203479945188335

Trata-se de, em muitos casos, de pessoas relevantes no seu meio profissional cuja opinião pode ser importante junto de quem ouve e, principalmente, revelam um caracter malévolo, doentio e, eventualmente, perigoso para todos nós. Por exemplo: quem pode aceitar um cirurgião que revela satisfação com este trágico assassinato., ninguém de bom senso certamente.

De igual modo a administração (funções públicas) a todos os níveis tem/deve excluir dos seus quadros pessoas que revelam tão malévolos sentimentos e desejos de morte a quem, não conhecendo na maioria dos casos, não hesitam em manifestar publicamente.

Sabe-se também que aos cidadãos estrangeiros que manifestaram publicamente opiniões semelhantes ás dos cidadãos nativos será aplicada a sanção de cancelamento de entradas no território dos EUA, seja a que pretexto for. Está tópico afeta diretamente cidadão com origem na Europa e é um exemplo para todos os que se sentem autorizados a emitir opiniões malévolas e em contra a vontade dos atuais dirigentes sobre o que se passa nos EUA. Alguns brasileiros também já devem estar bem arrependidos dos ‘orgulhosos’ post que publicaram nas suas redes sociais.

O ódio e o radicalismo ideológico devem ser combatidos não com violência física, mas com medidas que permitam, a quem o tem, sentir as consequências de seus atos. A perca de empregos, a impossibilidade de viajar livremente para um país livre e de referência como é o caso dos EUA significam uma exclusão social e um castigo exemplar.

A consequência em Portugal, previsivelmente nos países democráticos europeus também, destes acontecimentos é um aviso séria ao que alguns ‘figurões’ da nossa esquerda doméstica estão habituados a fazer e dizer dos seus opositores políticos, assim como opinarem com adjetivações negativas e ofensivas sobre cidadão e responsáveis políticos de outros países.

Quanto aos efeitos colaterais ou diretos da tragédia de @Charlie Kirk, desejo e estou certo que os seus seguidores vão continuar o trabalho que vêm desenvolvendo. A afirmação contundente da esposa de que tudo vai continuar como previsto é garantia de que continuaremos a ter boas notícias dos EUA e dos jovens americanos convictos e determinados em fazer a @AMERICA GREAT AGAIN.

Bem hajam

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