Eleições na Madeira 2024

Realizaram-se no passado dia 26 de Maio 2024 eleições legislativas para a zona Autonómica da Madeira em que o partido mais votado foi o PPD/PSD, a extrema- esquerda foi varrida do parlamento e um partido local de independentes, JPP-Juntos pelo Povo, conseguiu a terceira posição no número de mandatos eleitos para a Assembleia Regional da Madeira.

              *Total de eleitores: 254.522

Destas eleições resultou que:

  • Total de eleitores 254.522 dos quais 133.909 votaram para eleger 47 deputados por vários partidos, uma média de 2.849 votos/deputado.
  • 5.921 de votos ficaram dispersos por vários partidos sem que elegessem qualquer deputado.
  • Verificando qual a % de votos que cada partido conseguiu sobre os cidadãos com direito de voto, os eleitores, temos que o partido que conseguiu a maior % foi o PPD/PSD com 19,29 e o partido que conseguiu a menor % foi o PAN com 0,99. É esta a representação efetiva de cada partido.

Os partidos radicais de esquerda tiveram nestas eleições o seu maior desaire, não conseguindo eleger qualquer deputado, os eleitores parece terem concluído que estes já não fazem falta. Analisando a evolução da implantação dos partidos radicais de esquerda em votos expressos: CDU, BE e LIVRE nos últimos 10 anos (eleições de 2015 a 2024) verificamos que:

Ao invés, o partido radical de direita CHEGA, desde que se apresentou a eleições na região autónoma da Madeira pela primeira vez em 2019, teve um crescimento eleitoral enorme e ao nível do crescimento que teve ao nível nacional seja em eleições legislativas ou autárquicas. Este partido conseguiu quebrar a hegemonia eleitoral do centrão em Portugal, (PPD/PSD, PS e CDS/PP) e num futuro próximo ser uma alternativa eleitoral para um número cada vez maior de leitores em Portugal.

Na região autónoma da Madeira já é o terceiro partido nacional em capacidade eleitoral.

Os partidos denominados do ‘centrão’ (PPD/PSD, PS e CDS/PP) não obtiveram um bom resultado no seu conjunto, se analisarmos a evolução destes 3 partidos em coligações ou separadamente nos últimos 10 anos verificamos que:

O partido local caracterizado como Populista de centro JPP- Juntos pelo Povo, tem também contribuído para um esvaziamento da política do centrão. Obteve um excelente resultado, foi a terceira força politica mais votada nestas eleições e apresenta um excelente crescimento nos últimos 10 anos:

Este partido é uma influencia grande na política madeirense e com o resultado obtido nestas eleições pode ajudar na mudança que muitos cidadãos esperam acontecer.

A IL e o PAN com uma representatividade, em % do total de eleitores de 1,36 e 0,99 respetivamente, não têm expressão neste momento.

O resultado destas eleições constitui um desafio para a continuação da hegemonia do centrão que perdura desde o início da Democracia em Portugal, ou se o partido CHEGA e o local JPP conseguem lograr influência permanente. Veremos o que os ventos da Madeira nos trazem.

Bem hajam.

CHEGA

Quando em 9 de Abril de 2019 um grupo de portugueses deu entrada no tribunal constitucional de um pedido de autorização para fundar um novo partido político, estavam conscientes da necessidade de um projeto para dar mais voz e espaço politico para todo os portugueses que não sendo socialistas nas suas múltiplas versões: socialistas radicais, social-democratas ou socialistas liberais, necessitavam de uma representação que os representa-se junto das instituições democráticas existentes.

Portugal encontrava-se numa situação de desequilíbrio no que a representação das ideologias políticas predominantes na Europa diz respeito:

  • A Direita conservadora, nacionalista e cristã não tinha uma organização política que permitisse representar todos os portugueses que dela necessitavam;
  • O partido que mais se aproximava desta necessidade, acabara de perder qualquer influência desde 2015;
  • O socialismo, a cada ano, ia controlando mais e mais as instituições do regime e consequentemente a sociedade civil.

Assim, nasceu o novo partido de direita conservadora, defensor da identidade nacional e com o propósito de aceitar e se integrar na democracia liberal europeia: O partido CHEGA.

O Tribunal Constitucional aprovou a legalização deste partido e deste modo passou a ter todos os direitos e deveres que os restantes partidos têm na democracia portuguesa.

Foi assim que iniciou o seu processo de implantação em todo o território nacional e apresentou as linhas mestras do que queria ser e fazer. Sendo um partido novo num sistema politico estabilizado em que 2 partidos dominavam o poder desde a implantação da democracia e reconhecidos como sendo o ‘mainstream’ politico em Portugal, uma esquerda radical acomodada e tolerada pelo mainstream e uma direita inexistente, decidiu o CHEGA posicionar-se como um partido radical de direita em que o Populismo seria a estratégia a utilizar para uma progressiva influencia.

De acordo com estudiosos e especialistas europeus o Populismo não é uma ideologia, mas sim um meio diferente de fazer politica, em que a agenda destes partidos, de direita ou de esquerda, propõe-se trazer para a área da governação preocupações das populações e que não encontram resposta junto dos partidos do ‘mainstream’.

Este fenómeno de partidos radicais populistas de direita começou a ter expressão a partir do início deste século e generalizou-se em toda a Europa que pratica uma democracia liberal. Em Portugal chegou em 2019.

Os fundadores do CHEGA tiveram, assim, a possibilidade de estudar e preparar o partido para que tivessem a capacidade, desde o início, de receber a aceitação de um eleitorado que, pelos mais diversos motivos, não se reviam nos partidos existentes.

Estavam, também, preparados para a oposição e luta que os restantes partidos iriam dar e fazer. Tinha sido e continua a ser assim nos restantes países europeus, mas a “caravana” passa e continuará a passar.

Após o início da atividade, uma das principais prioridades foi a de iniciar uma implantação nacional, com estruturas fixas e militantes motivados ao invés de se acantonar em nichos territoriais.

As eleições Legislativas de 2019, a primeira vez que o CHEGA foi a votos, obtiveram um resultado condicente com o tempo de atividade, o conhecimento que os eleitores tinham e, ainda, a reduzida implantação territorial. Elegeu 1 Deputado para a Assembleia da República com 67.826 votos.

Em 2021, com dois anos de implantação no território nacional e uma atividade frenética no deputado único na Assembleia da República, o CHEGA apresenta candidatos nas Eleições Autárquicas desse ano em todo o território nacional. Os resultados são bons e promissores para o futuro.

  • 208.232 votos.
  • Tem mais 140.406 votos por comparação com a anterior votação nas Legislativas de 2019. Triplica o número de votos
  • Eleitos em 7 Distritos
  • Estava criada a base necessária para fazer crescer a implantação nacional

Um ano depois, em 2022, em consequência de uma conjuntura inesperada, o CHEGA não é surpreendido, no objetivo de crescer em implantação nacional, e nas eleições Legislativas de 2022, obteve um resultado de tal modo bom que se transformou no terceiro partido em número de votos e eleitos em Portugal:

  • 399.510 votos no total
  • Tem mais 191.278 votos por comparação com a anterior votação, apenas um ano antes, nas legislativas de 2021. Quase duplica o número de votos.
  • 12 Deputados eleitos.
  • Deputados eleitos em 8 Distritos no Continente
  • A implantação territorial estava confirmada

Este ano, depois da demissão do governo em Novembro de 2023, um ano depois de ter tomado posse, realizaram-se novas eleições legislativas e CHEGA com o resultado obtido abre o primeiro rombo no mainstream português.

Os resultados merecem um pouco mais de detalhe, assim:

  • É o partido mais votado no Distrito de Faro e Europa
  • É o segundo partido mais votado nos Distritos de Beja, Setúbal, Portalegre e fora da Europa
  • Nos restantes distritos do território Nacional é o terceiro partido mais votado.
  • É o partido mais votado em 9 Concelhos: Portimão, Lagoa, Silves, Albufeira, Loulé, Olhão, Salvaterra de Magos, Benavente e Elvas
  • É o partido mais votado em 85 freguesias distribuídas por 13 Distritos e 39 concelhos do território nacional

No diz respeito aos resultados das recentes eleições legislativas de 10 de Março, são:

5 Anos depois da sua fundação, o CHEGA vê confirmada a sua implantação nacional, com deputados eleitos em todos os círculos eleitorais, com exceção de Bragança, a confirmação como o 3º partido político na Assembleia da República e o fim do bipartidarismo que caracteriza o ‘mainstream’.

Estabelecida que está uma implantação nacional em estruturas, militantes e simpatizantes que rivaliza com os 2 partido do ‘mainstream’ em Portugal, vai o CHEGA ter um novo desafio este ano: as eleições para o Parlamento Europeu.

A tendência atual é para uma subida substancial, em termos gerais, nos Países que integram a EU, dos partidos radicais de direita populista. Se o CHEGA conseguir integrar esta tendência, passará, também, a ser um parceiro forte no contexto geral europeu, com a força dos deputados que elegerá e representarão Portugal no Parlamento Europeu.

No próxima ano realizam-se Eleições Autárquicas e, então, com um resultado, previsível, que estará em linha com os atuais, será possível acreditar que o ‘mainstream’ em Portugal conhecerá um consistente longo período de perca de influencia. A esquerda poderá já este ano iniciar a perca de influência em Portugal, com a soma dos resultados desta eleição e das 2 próximas, europeias e autárquicas.

Já Chega de esquerda.

Bem Hajam.

Eleições Legislativas 2024

Os resultados do território continental e ilhas, votantes em partidos do centrão, votantes em partidos de fora do centrão, os evangélicos, os abstencionistas

Os portugueses que votaram nas eleições do passado dia de Março (6.140.269 votantes) no território continental e ilhas da Madeira e Açores1 deram como resultado:

  • AD – 1.811.027 votos – 29.49% – 79 deputados
  • PS – 1.759.998 votos – 28,7% – 77 deputados
  • CHEGA – 1.108.797 votos – 18,1% – 48 deputados
  • IL – 312.064 votos – 5,1% – 8 deputados
  • BE – 274.029 votos – 4,5% – 5 deputados
  • CDU – 202.325 votos – 3,3% – 4 deputados
  • Livre – 199.888 votos – 3,3% 4 deputados
  • Pan – 118.579 votos – 1,9% – 1 deputado

Este resultado determinou uma diferença de 52.029 votos – 0,79% e 2 mandatos entre a AD (Aliança Democrática) e o PS (Partido Socialista) o que significa que existe um empate (quase) entre ambos os partidos. Com a soma dos resultados do círculo da Europa e de fora da Europa e pode-se manter esta atual correlação de forças ou não. Não obstante, o PS declarou-se vencido e reconheceu uma vitória da AD.

A abstenção foi de 3.131.210 eleitores, 33,77%, a menor desde os anos 80 do século passado mas igualmente significativa, 1/3 dos eleitores não votaram.

Estes resultados significam que os eleitores, como um todo votaram, entre a direita e a esquerda, maioritariamente na direita e deixaram bem claro que, por agora, a esquerda está fora:

Partidos/Aliançasvotos%Deputados
Direita
AD1.811.02729,4979
Chega1.108.79718,148
IL312.0645,18
Total3.231.88852,69135
Esquerda
PS1.759.99828,777
BE274.0294,55
CDU202.3253,34
Livre199.8881,94
Total2.436.24034,490

Esta realidade indicia que Portugal pode estar a começar a ter um alinhamento com a realidade da Europa. Desde finais do seculo passado que se vem intensificando uma influência cada vez maior de politicas e partidos políticos que contestam e substituem as conservadoras, no sentido em que se perpetuam sem se renovarem, das politicas e dos partidos do ‘mainstream’.

A Europa de hoje, que tem vivido a ser governada por partidos e sistemas políticos de democracia liberal, está a ser convidada a ser governada por partidos e políticas não-alinhadas com o ‘mainstream´ e que são por estes apelidas de políticas e partidos políticos de radicais e de direita.

A esquerda ´mainstream’ e muito mais a esquerda radical já foram ultrapassados e fazem parte do passado nos governos da Europa desenvolvida e liberal. Subsistem Portugal e a Espanha.

Finalmente, parece que em Portugal, após duas décadas depois do início do século XXI, parecem estar criadas as condições para acertar o passo com o que se passa com a generalidade dos Países Europeus em que estamos integrados e que são, globalmente, um exemplo de qualidade de vida e desenvolvimento para nós portugueses.

Este resultado, como veremos adiante, foi uma derrota para a esquerda moderada do centrão e, para a esquerda radical, a confirmação de outras derrotas recentes.

Os partidos do centrão em Portugal, PS e PSD (desta vez em versão AD), mantiveram o domínio dos votantes e juntos ainda constituem uma força líder em Portugal:

Partidos/AliançasVotos%Deputados
AD1.811.02729,4979
PS1.759.99828,777
Total3.571.02558,19156
    
202223.931.19772,56192

No entanto, por comparação com as eleições legislativas de 2022, o ‘mainstream’ em Portugal perdeu domínio e poder:

  • Menos 360.172 votos
  • Menos 14,37% de votos
  • Menos 36 deputados

Merece destaque o resultado do PS:

  • Menos 542.703 votos
  • Menos 13,8% de votos
  • Menos 43 deputados

Este resultado coloca o PS como o principal responsável pele perca de influência do ‘mainstream’ para os partidos radicais, com destaque total para o CHEGA e a direita radical em Portugal. O PSD (com o CDS e o PPM) manteve a posicções não comprometeu a influência do passado recente.

Assim como na generalidade dos Países Europeus, os eleitores em Portugal alargaram as suas opções de votos e reforçaram o partido radical de direita com um crescimento em número de votos e deputados. De modo diferente, mas mantendo a tendência que se verifica nos restantes países europeus, a esquerda radical no seu todo (pulverizada por três partidos) não cresceu e manteve os baixos níveis de votantes nas atuais eleições por comparação com o ano de 2022.

Os partidos que não integram o ‘mainstream’ em Portugal tiveram um crescimento grande com total relevo para o único partido radical de direita:

Partidos/Aliançasvotos%Deputados
Direita
Chega1.108.79718,148
Esquerda
BE274.0294,55
CDU202.3253,34
Livre199.8881,94
Total2676.2429,713

Por comparação com as legislativas de 2022, os partidos que não integram o ‘mainstream’, classificados como radicais, ganharam relevância:

  • Mais 830.625 votos
  • Mais 8,4% de votos
  • Mais 37 deputados

Em Portugal o ‘mainstream’ é constituído por 2 partidos, o PS e o PSD (socialistas liberais e sociais – democratas) que se posicionam num mesmo espaço político, o centro. No entanto, os partidos classificados como radicais formam duas tendências opostas e sem possibilidade de serem analisadas como um conjunto.

Deste modo, o partido CHEGA posiciona-se no espaço político de direita, conquistou um crescimento expressivo, de modo a colocar, num futuro próximo, o ‘mainstream’ em estado de alerta, o que é positivo porque vai obrigar a uma maior competência. O crescimento do CHEGA está em linha com a atual tendência do que se passa com a generalidade dos partidos radicais de Direita na Europa, o que faz antecipar um maior crescimento no curto prazo. As próximas eleições para o Parlamento europeu poderão confirmar.

No sentido oposto, os partidos BE, PCP e Livre, posicionam-se no espaço de esquerda radical, mantiveram o resultado de 2022:

  • Mais 276.583 votos
  • Menos 1 deputado
  • Menos 0,54% de votos

Apesar da forte queda do PS (‘mainstream’), do crescimento de eleitores e da abstenção face a 2022, o espaço político dos partidos radicais de esquerda manteve-se, globalmente, com a mesma influencia face ao todo. Estando este espaço político do radicalismo de esquerda em contraciclo com a tendência da Europa, pode-se antecipar um decrescimento no curto prazo. As próximas eleições para o parlamento europeu irão confirmar. 

De entre os partidos com menor influência, importa destacar o crescimento do ADN com 100.051 votos. Este partido apresenta a possibilidade de um crescimento, no futuro próximo, a considerar. A principal base de apoio influenciada por religiosos ‘evangélicos’, com grande aceitação junto de brasileiros naturalizados, tem tendência a crescer em Portugal e que será importante para uma implantação real em todo o território nacional.

Finalmente, talvez o mais relevante para os próximos atos eleitorais, foi a descida da abstenção em número de votos expressos e % de eleitores inscritos:

  • A abstenção diminuiu em 15,07% face às eleições legislativas de 2022

As eleições decorreram normalmente o que é de saudar, os eleitores manifestaram, com o voto, uma vontade de mudar a influencia dos partidos políticos e deseja-se que os próximos tempos proporcionem uma melhoria na qualidade de vida para a maioria da população e residentes estrangeiros.

Os próximos tempos clarificarão quais partidos utilizarão os votos e influencia que tiveram em favor de um benefício nacional e do seu povo e os que iniciarão ou continuarão a pensar prioritariamente em interesses próprios.

Bem hajam.

1 . Falta apurar os votos da Europa e resto da Europa – 4 mandatos a deputados

2. Resultados totais Nacionais

Eutanásia – NÃO ou sim

Hoje, vai a votação a última versão, que o parlamento apresenta aos deputados, sobre a aprovação de uma lei que permite a qualquer cidadão solicitar que lhe seja aplicada a eutanásia 1.

Este é um assunto sobre o qual muito se tem escrito e, possivelmente, se continuará a escrever independentemente do resultado da votação parlamentar de hoje.

Pedro Passos Coelho, ex-Primeiro Ministro e político de referência para muitos portugueses, publica hoje no jornal Observador um texto sobre este assunto da eutanásia.

Este texto, além de representar um pensamento fundado do próprio autor, representa certamente o pensamento de muitos portugueses que não concordam com uma lei que permita a eutanásia.

Assim, com o respeito devido e todos os créditos ao autor, Pedro Passos Coelho, se reproduz na integra para conhecimento de quem interessado.

Bem Hajam.

https://observador.pt/opiniao/eutanasia-uma-decisao-demasiado-radical/

Eutanásia – uma decisão (demasiado) radical

Era bom que se soubesse que haverá quem não se conforma nem desiste de, no futuro próximo, pôr em cima da mesa a reversão da decisão que o parlamento se prepara para tomar, como numa democracia madura

O Parlamento prepara-se para aprovar, pela terceira vez, uma iniciativa de vários partidos para despenalizar e legalizar a eutanásia. É sabido que a última decisão parlamentar acabou por colher o veto do Presidente da República em razão de o Tribunal Constitucional a ter considerado desconforme com a Constituição em aspetos, aliás, para os quais várias opiniões juridicamente fundamentadas tinham chamado a atenção publicamente. O fim antecipado da anterior legislatura, precipitado pela decisão do mesmo Presidente, fez com que a nova tentativa só agora pudesse voltar a ser ensaiada pelos deputados. Veremos se o Presidente verá razões para voltar a suscitar a intervenção do Tribunal e, nesse caso, qual a declaração que este último emitirá sobre o texto que foi já aprovado na especialidade esta semana. Dado que não sou constitucionalista nem desejo discutir a constitucionalidade, não me manifesto sobre as eventuais desconformidades que ainda assim possam permanecer ou outras que eventualmente possam agora surgir no novo texto legal. A minha intenção é de natureza diferente e relaciona-se com a questão política de fundo.

Sou contra a legalização e despenalização da eutanásia por razões e dúvidas que tive já oportunidade de expor publicamente quando a primeira decisão parlamentar foi tomada. Tenho fundadas dúvidas, e as maiores reservas, de que as razões comumente invocadas para dar suporte a este novo regime – ser consequente com o respeito pela dignidade humana, com o reconhecimento pelo direito fundamental à autodeterminação e livre desenvolvimento da personalidade ou com a necessidade de mostrar misericórdia ou compaixão ativa perante o “sofrimento de grande intensidade” – sejam apropriadamente usadas para introduzir uma alteração tão radical na nossa sociedade como aquela que os deputados se propõem realizar.

A dignidade humana é inerente à pessoa. Deve ser invocada para defender e respeitar a pessoa enquanto tal e a vida em si mesma. Saber viver, ou morrer, com dignidade não é um sucedâneo óbvio ou imediato, mas uma questão de consistência com os valores que partilhamos. Não se perde a dignidade pelos infortúnios que a vida nos possa trazer nem se resgata dignidade simplesmente por não aceitar ou desejar viver uma vida que possa parecer ter perdido o sentido de ser vivida. Parece-me mesmo que há algo de perverso em se poder usar o conceito de dignidade humana para executar um regime público que ajuda a pôr fim à vida.

O direito à autodeterminação também não deveria ser entendido como um instrumento ao serviço do suicídio organizado socialmente. Percebe-se a intenção de usar conceitos e expressões da letra constitucional para evitar acórdãos desfavoráveis, mas no contexto da eutanásia a sua evocação soa abusiva. Como valor positivo, o reconhecimento à autodeterminação é a consagração formal do exercício do direito a ser (autónomo, independente, a ser-se quem é ou se deseja ser) e a ver respeitado tal direito. Como valor negativo importaria no reconhecimento formal ao direito individual a não ser e da respetiva aceitação social. A questão pode ser filosoficamente estimulante e pertinente, mas a extensão do reconhecimento desse direito a uma espécie de contrapartida constituída por uma obrigação social de ajudar alguém a não ser só pode ser uma corrupção, legal e filosófica, do direito à autodeterminação. Por mais defensor que seja, e sou, do princípio da liberdade, tenho dificuldade em aceitar que a extrema e, seguramente, desesperada decisão de alguém em pôr termo à sua própria vida possa entender-se como um direito a reclamar dos outros a obrigação de contribuir ativamente para ver concretizada tal decisão.

Finalmente, a questão da compaixão perante o “sofrimento” (físico ou psicológico). Mais do que as questões anteriores, esta parece ser a que socialmente mais continua a merecer a reflexão por parte das pessoas, e percebe-se que seja assim. Desde logo porque quase todos podem ter vivenciado situações de sofrimento de alguém chegado, seja porque a idade avançada trouxe esse desfecho, seja porque o infortúnio de uma doença oncológica, por exemplo, não conseguiu ser vencido. Poderia ter sido de outra maneira? Mas também porque cada um olha para o seu próprio futuro e receia ver-se confrontado com o mesmo desfecho. Terá de ser assim, ou poderá ser de outro modo? Estas possíveis perguntas compreendem-se muito bem e serão, no final de tudo, aquelas que angustiam mais as pessoas em geral. No entanto, não havendo respostas fáceis para estas perguntas, é possível conceber um sistema social em que o sofrimento seja amplamente evitado ou diminuído sem que as pessoas tenham de ser confrontadas com a necessidade de pedirem a morte, não para exercerem livremente a sua autodeterminação nem para se sentirem dignas na forma como vivem uma vida que está a chegar ao seu fim, mas para poderem viver o que lhes resta com o menor sofrimento possível, como é decente que se possa desejar. Parece-me claro que uma sociedade como a que temos hoje só não se organiza ou orienta nesse sentido se não o desejar ou não lhe conceder a prioridade devida. Realmente não há hoje razões para não oferecer a quem precisa pelo menos os cuidados médicos paliativos adequados que evitam muito do sofrimento.

Porque será que, em vez de serem exigentes perante os governos e a administração, no sentido de estes orientarem as prioridades naquele sentido, persistem tantos deputados em concentrar esforços em insistir numa solução que, no fundo, encaminha as pessoas para pedirem para morrer? E sendo esta uma alteração tão radical no modo como organizamos a vida e o seu fim, por que razão se escondem os partidos de modo geral na consciência de cada um para delegarem na iniciativa de deputados estas iniciativas, na vez de se apresentarem eles mesmos aos eleitores com propostas claras nestes assuntos? Repare-se que não discuto que a decisão de cada deputado nesta matéria é sempre uma questão de consciência individual. Mas uma coisa é aceitar a objeção de consciência neste tipo de decisão, outra é afirmar que não se tem uma conceção destas matérias enquanto partido e deixar que sejam os deputados por si mesmos a decidir o que a sua consciência indicar.

Não mudei de opinião nestes anos sobre isto. Não sendo um defensor de soluções referendárias neste tipo de matéria, compreendo que os que não se conformam com estas mudanças demasiado radicais procurem uma instância de recurso ou apelo para as evitar. Mas então faria sentido que pudessem assumir uma posição política substantiva na matéria enquanto movimentos políticos, porque é isso que fortalece o movimento de quem está contra e pede aos eleitores que não sufraguem esse caminho.

Como referi no início, não sei qual será o destino constitucional desta nova decisão do parlamento. Respeitarei, como sempre fiz, as decisões que formalmente vierem a ser adotadas. Insisto que não lanço qualquer opróbrio sobre as intenções de quem há anos insiste nestas mudanças e não desiste delas. O facto de não estar de acordo com tais ideias não me impede de reconhecer o direito que o parlamento tem de se pronunciar e deliberar sobre elas. Mas, não sendo questões passageiras e sem implicações maiores, devem merecer uma atenção política frontal de quem delas discorda. Estão os deputados que votarão favoravelmente a eutanásia persuadidos de que lutam por instituir um regime progressista e liberal, mais respeitador da dignidade humana? Não me custa aceitar que assim possa ser. Mas estou persuadido de que estão enganados nesse propósito. E quando olho para os poucos países onde tais mudanças se efetuaram e onde esse “progresso” chegou, mais razões acumulo para desconfiar da bondade dessa solução e para a rejeitar no meu país. Mais me convenço de que as boas intenções se abastardam com facilidade e de que mais nos encaminhamos para a desumanização orwelliana. Na anterior versão da lei pretendia-se antecipar a morte em razão de um “sofrimento intolerável” perante uma “doença fatal”, e agora já só se pretende reconhecer o direito a pedir a morte em razão de um “sofrimento de grande intensidade” perante uma “doença grave e incurável”? Sim, podemos julgar saber como a mudança começa, mas também sabemos como tem acabado, e sabemos isso quando olhamos para as experiências dos outros.

Mais do que esperar por uma decisão do Tribunal Constitucional, caso o Presidente da República sinta que deve suscitar a verificação preventiva de constitucionalidade ou caso um número adequado de deputados sinta que o deve fazer de modo sucessivo, o que desejaríamos era que os partidos que estão contra esta “revolução” de organização da eutanásia se comprometessem transparentemente em lutar pela sua revogação caso venham a lograr conquistar uma maioria de deputados no futuro. Era bom que se soubesse que haverá quem também não se conforma nem desiste de, no futuro próximo, colocar em cima da mesa a reversão desta decisão que o parlamento se prepara para tomar. Oferece certamente mais confiança para futuro e é claramente a democracia madura a funcionar.

1 Eutanásia é o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa https://pt.wikipedia.org/wiki/Eutan%C3%A1sia

CML e os assessores

Carlos Moedas – Presidente CML

As recentes eleições autárquicas confirmaram em Lisboa uma mudança de eleitos, promessas de mudanças nas opções políticas em termos de projetos, gestão do município e rigor no uso dos dinheiros públicos (dos impostos dos contribuintes).

No que respeita ao bom uso dos dinheiros públicos, os lisboetas ficaram a saber que a totalidade dos eleitos, dos partidos que os apresentaram a eleições e dos eleitos em listas de independentes, se puseram de acordo e todos votaram favoravelmente uma autorização de contratação de assessores e assistentes administrativos.

Ficaram os lisboetas também a saber que esta autorização custará aos cofres do município 283.333 euros por mês, que anualmente somará 3.4 milhões de euros e no final do mandato somará mais de 13.8 milhões de euros (pelas contas do jornal observador).

A contratação de assessores na CML foi regulada com a lei 75/2013 que criou o Regime Jurídico das Autarquias Locais. Esta lei estabelecia o número de assessores a CML pode contratar no seu artigo 42o.

A CML não cumpre este artigo 42 neste mandato. Acresce que no passado já contou com 164 assessores na gestão de Carmona Rodrigues, em 2013 com António Costa passaram a ser 94 funcionários (67 assessores e 27 administrativos) e em 2017 Com Fernando Medina 124 na soma do permitido pela lei 75/2013 e a deliberação 618da CML de 2017.

Esta realidade do passado, que sempre representou um custo elevado, tem vindo a crescer em número de contratações extra de recurso humanos e recursos financeiros. Acresce que não parece adicionar nada de relevante ao funcionamento da CML e aos projetos que os políticos têm colocado no terreno, veja-se o rol de críticas que, a cada eleição, os opositores proclamam.

Não se entende que a gestão de Fernando Medina tenha permitido que os vereadores sem pelouro contratassem 1 assessor e 1 pessoa para apoio técnico. Prescindiu dos vereadores na sua equipa de vereadores com pelouro e a tempo inteiro mas não deixou de criar um custo com estas contratações.

Como se não basta-se esse custo sem sentido, ainda possibilitou a contratação de mais 19 assessores e 6 pessoas para apoio administrativo para ‘os gabinetes de apoio das forças políticas’. Dito de outra forma: colocou a CML a financiar os partidos políticos, ou, de outra forma ainda, financiou os JOBS FOR THE BOYS com dinheiros públicos.

Chegados aqui, em presença de uma nova equipa municipal que se apresentou como os protagonistas de uma mudança para uma melhor gestão dos recursos públicos e em crítica dos excessos da anterior gestão, eis que, surpreendentemente, propõe e viabiliza não só a manutenção dos JOBS FOR THE BOYS do anterior executivo vinculado ao PS como aumenta o número de pessoas a contratar e com remunerações superiores ao que já era praticado.

Convém registar que a deliberação que autorizou esta decisão foi aprovada por todos os vereadores: Unanimidade.

O atual executivo municipal da CML vai ter 7 vereadores (inclui o Presidente) com pelouros a tempo inteiro e 10 vereadores sem pelouro.

Estes vereadores sem pelouro vão ter no seu total 20 assessores e apoio administrativo (15+5) ou mais caso venha a haver desdobramentos.

Os limites remuneratórios brutos anuais, devidamente atualizados, fixam-se em 45 030 euros e 33 630 euros, a que acresce IVA à taxa legal, respetivamente por cada assessor e apoio administrativo.

Como exemplo poderemos referir o caso de um eleito (partido Livre) que vai utilizar 3 assessores e 1 apoio administrativo, que em custos anuais representa: 3×45.030 euros + 1×33.630 euros o que anualmente soma 168.720 euros e no final do mandato (4anos) irá ter um custo, no mínimo, de 674.880€. Este vereador não só não tem pelouro como também é deputado na AR e consequentemente vai ter por esta via mais assessores, desta vez, pagos pelo orçamento da AR.

Este partido que no seu historial não tem qualquer registo de contribuição para com o País e a população pela representatividade que tem, com a exceção da participação da cidadã Joacine Moreira de tão má memória, vai ter um custo para além das suas remunerações como deputado um custo de cerca de um milhão de euros para com os contribuintes.

Se o leitor quiser como exemplo o caso do PS chegará ao valor total no fim do mandato e no mínimo de 6.837.840 euros.

Isto é uma afronta aos carenciados de Lisboa e de todo o país.

Talvez que o cidadão que ocupa o cargo de presidente da CML e viabilizou esta monstruosidade de despesa, sem qualquer efeito atendendo que se trata de vereadores sem pelouro, o tenha feito porque o seu passado recente foi nos corredores da EU, local onde o dinheiro é utilizado com regras a que Portugal não se pode equiparar. Portugal é um país onde existem milhões de cidadãos em pobreza, onde os insuficientes não são tratados com dignidade, onde existem carências estruturais imensas. Em Lisboa também.

Talvez que o cidadão que ocupa o cargo de presidente da CML tenha acedido a viabilizar esta prática do PS tenha visto como uma possibilidade de conquistar a boa vontade dos eleitos sem pelouro por estar em minoria e deles precisar para se manter no cargo sem necessidade de marcar eleições antecipadas por uma oposição severa que, apesar de tudo, se prevê severa.

Talvez que o cidadão que ocupa o cargo de presidente da CML tenha acedido a viabilizar esta despesa gigantesca simplesmente por concordar com esta prática do centrão da política em Portugal (PS e PSD/CDS) de distribuir os JOBS FOR THE BOYS por cada vez que estão em posição de o fazer.

Não obstante, seja pelos motivos aqui enunciados ou outros quaisquer este cidadão começou mal o seu mandato na CML. Viabilizar esta despesa é um sinal de que é alguém que não entende as necessidades do município, de que os recursos são sempre escassos e de que o dinheiro de terceiros (no caso o dinheiro dos contribuintes) tem de ser utilizado com rigor e na perspetival de custo /beneficio.

Dizem que é um cidadão sério, competente e instruído. Espero que, por cada vez que seja confrontado com a necessidade de uma despesa, não tenha de recusar por falta de dinheiro na CML. Estou certo de que os mais de 13.800 milhões de euros que vai gastar nos próximos 4 anos poderiam e deveriam ser mais bem empregues.

O povo diz que quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita. O presidente da CML começou mal, veremos como terminará daqui a 4 anos.

Bem hajam.

Valores II

Os valores humanos referem-se àquelas atitudes positivas e éticas nas ações do dia-a-dia, princípios como honestidade, perseverança, amor ao próximo, empatia e outras qualidades que permitem que o ser humano se torne pessoa melhor.

Os cidadãos que são chamados a desempenhar funções políticas devem ser portadores de valores éticos que lhes permitam serem dignos representantes das instituições e do povo que os elege, este é um desígnio fundamental da democracia tal como é entendida no espaço territorial que ocupamos e de que fazemos parte, a Europa.

Em democracia, cabe aos partidos políticos indicar quais cidadãos são elegíveis para as mais diferentes funções políticas que um Estado precisa de preencher para um bom funcionamento.

Do mesmo modo, os partidos políticos têm estatutos que definem em que condições os seus membros são elegíveis para dirigir e em nome dos partidos tomarem decisões.

Assim, poderemos concluir que os cidadãos que pretendam assumir cargos políticas, em princípio, devem ter um percurso de vida até serem eleitos.

Se é verdade, em abstrato, que qualquer cidadão pode ser eleito e assumir cargos de representação política não é menos verdade que para o exercício de um qualquer cargo é necessário um conjunto vasto e diversificado de características, sejam técnicas, de conhecimentos, de experiencia ou, o mais importante, de carácter e valores.

A totalidade das características antes enunciadas vão sendo adquiridas no percurso que os cidadãos vão tendo com o crescimento e desenvolvimento das suas vidas e que permite em qualquer momento avaliar qual o resultado alcançado: pode-se interrogar qual o percurso pessoal, profissional, político e ético.

Assim, os candidatos e os que os escolhem podem, se para tanto o desejarem, ter a informação suficiente para uma escolha fundamentada e com probabilidades grandes de ser uma escolha com êxito. Esta realidade estaria suportada num importante valor em política: TRANSPARÊNCIA.

Ao escrevermos ‘estaria’ é porque, na generalidade dos casos, a transparência não existe e sistematicamente somos (o cidadão comum) confrontados com casos de cidadãos insuficientes para os cargos para que são nomeados.

As características éticas são importantes em qualquer pessoa porque determinam o comportamento de cada um em sociedade. São intemporais e já estão estabelecidas quando nascemos. São-nos transmitidas no início da vida na família e, durante o nosso crescimento como seres humanos, continuam a ser transmitidas pela sociedade em que estamos inseridos. Cada um é livre de aceitar e praticar os valores que entende e muitos acabam por escolher e praticar anti valores.

As principais características éticas dos detentores de cargos políticos estão estabelecidas em diversos documentos oficiais e devem ser aceites e praticadas por todos os cidadãos que aceitam esses mesmos cargos sob pena de serem sancionados ética ou criminalmente em função dos casos individualmente considerados. Esta realidade está relacionada com um outro importante valor em política: RESPONSABILIDADE.

Os valores e a ética são assuntos sobre os quais existem muitas reflexões nas sociedades contemporâneas e neste texto não existe a intenção de somar nenhum novo pensamento. O que se pretende é destacar o cuidado e rigor que os ‘intérpretes da política’ dão a esta questão: cumprimento da ética exigida aos políticos.

Já escrevemos antes que é nos partidos políticos que, em democracia, começa a seleção e escolha de quem em cada momento deve ou não ser o ocupante de determinado cargo político: do 1º ministro ao presidente de junta de freguesia, do deputado ao membro da assembleia de freguesia, do diretor geral ao presidente de um conselho de administração de uma empresa pública, de um presidente partidário a um vogal, etc.

Em Portugal o sector público tem valores éticos assumidos que são aplicados a todos os cidadãos que desempenham funções neste setor da sociedade, as empresas nacionais e internacionais têm normas éticas que transmitem aos seus empregados e fazem cumprir, as instituições do setor social, de uma forma geral, têm manuais éticos e procedimentos para os colaboradores cumprirem. Somos um País que compara bem com os restantes deste espaço territorial: a Europa e a União Europeia.

Não obstante, temos um setor determinante da nossa sociedade que não tem preocupações públicas nestes assuntos da ética e valores: os partidos políticos e instituições da sociedade civil envolvidos na ação política.

Por indiferença, estratégia ou qualquer outro motivo não são expostos publicamente quais os valores éticos que são tomados como seus, que são impostos aos cidadãos que decidem fazer parte dessas instituições, que são fator de diferenciação e escolha para integrarem os órgãos dirigentes.

Os partidos políticos deveriam ser a primeira linha na formação ética dos cidadão que desejam ocupar cargos políticos, deveriam rastrear qual o percurso individual dos que elegem para ocupar cargos públicos e dos cidadãos que incluem nas suas listas como candidatos. Deveriam ter responsabilidade nas decisões que tomam e ser transparentes na relação que deveriam manter com os cidadãos a quem, quando necessitam pedem os seus votos.

Possivelmente, a perceção que os cidadãos em Portugal têm do funcionamento dos partidos políticos é a de que quem entra não está sujeito a qualquer rastreio ético, quem é eleito internamente não tem de fazer prova ética e de quem, em última instancia, é nomeado para ocupar um qualquer cargo público venha, eventualmente, a ser insuficiente e desprestigiante, implicando, em alguns casos, danos para o Estado e a sociedade. Colateralmente mancham a imagem de quem reunindo todas as condições eticamente exigidas se dispõe a servir com responsabilidade e honra as funções pública para que é nomeado.

Desempenhar um cargo público implica ao seu detentor valores éticos para que todas as pessoas se sintam dignamente representados.

Transparência e responsabilidade são valores antes referidos, poderemos adicionar mais três valores como sejam a temperança, a força e a prudência, para que qualquer cidadão possa dignamente desempenhar um cargo público.

Quando os valores éticos são raros nos políticos e detentores de cargos públicos, os anti valores encontram terreno para se impor. Alguns exemplos: mentir, falácia, assistencialismo, clientelismo, nepotismo, demonização, tática de distração, ‘data’ fora de contexto, falso dilema.

Ao enunciar estes anti valores lembrei-me de alguns cidadãos que atualmente desempenham cargos públicos e que, por esse efeito, não dignificam os cargos que ocupam. O leitor certamente também se lembrará de alguns cidadãos.

Todo o ser humano no percurso da sua vida ativa resulta da sua moral, ética, valores, experiencia de vida e profissional. A formação deve ser uma prática constante. A ética também se ensina e os partidos políticos deveriam dar o máximo de atenção a este assunto. Porventura teríamos melhores resultados com os cidadãos que nomeiam para cargos públicos.

Abaixo, significamos os valores e anti valores destacados neste texto.

Bem hajam.


Assistencialismo: uma forma de prestar assistência: ajuda, colaboração ou apoio. O Estado tem que ajudá-los. Essa particularidade estabelece uma relação de dependência que ameaça a dignidade individual: o sujeito depende do Estado, mais precisamente dos governantes que o administram, para sobreviver.

Clientelismo: uma troca de favores em que os titulares de cargos públicos regulam a concessão de benefícios, obtidos por meio de sua função ou contatos a ela relacionados, em troca de apoio eleitoral.

‘Data’ fora de contexto: consiste em usar estatística para apoiar uma hipótese ou afirmação, mas estar fora de contexto não reflete a realidade.

Demonização: consiste em associar uma ideia ou grupo de pessoas a valores negativos, até que essa ideia ou grupo de pessoas seja visto negativamente.

Falácia: é um raciocínio que parece lógico e verdadeiro, porém existe sempre algum falha que o faz ser falso.

Falso dilema: refere-se a uma situação em que dois pontos de vista alternativos são apresentados como as únicas opções possíveis. Como exemplo ‘está comigo ou está contra mim’. Supõe uma definição simplista da realidade e desta forma é possível evitar levar em consideração as outras possibilidades.

Força: enfrentar as dificuldades e não se deixar abater por elas

Mentir: engano, calúnia, dissimular, fingir.

Nepotismo: a preferência que os funcionários públicos têm em dar empregos a parentes ou amigos, independentemente do mérito para ocupar o cargo, mas sim de sua lealdade ou aliança.

Prudência: refletir antes de agir e antecipar o alcance de nossas decisões e consequências

Responsabilidade: o dever de assumir as consequências do próprio comportamento. Não é somente obrigação, mas também a qualidade de responder por seus atos individual e socialmente.

Táticas de distração: consiste em desviar a discussão de um ponto delicado para algum assunto que o detentor de um cargo público domina ou onde apresenta alguma vantagem em relação ao seu oponente. Perguntas e desafios não são respondidos diretamente.

Temperança: ter moderação, equilíbrio e parcimônia nas atitudes

Transparência: busca gerar uma relação de confiança e segurança com os cidadãos para divulgar todas as atividades, negociações, orçamentos e acesso a informações de natureza e interesse público.

Nova política, Novos métodos e Novas ambições

Janeiro terminou com frenesim e expetativa nos resultados eleitorais e começou Fevereiro com a perspetiva de os partidos não socialistas terem 4 anos para mudar.

Das muitas citações disponíveis para a necessidade de mudar, utilize-se a que afirma: mesmos métodos igual a mesmos resultados. Se nas próximas eleições se pretende resultados diferentes dos alcançados em 30 de Janeiro, então vai ser necessário mudar métodos, melhor: estratégias.

Utilizando a ‘data’ referente às eleições deste século, não é necessário recuar mais, verifica-se que a soma de votos nos partidos antes citados, mostra uma regularidade cerca de 2.2 milhões de votos (excetuando em 2002 e 2011) e que estas votações não conseguem superar as que os partidos da área socialista conseguem, pelo que eles é que governam.

Quanto ao passado mais ou menos recente poderemos ficar por aqui, até porque as memórias deixadas não são de motivar alegrias.

O que este início de Fevereiro nos oferece, no que diz respeito a este assunto, é que os partidos não socialistas (#PSD, #CDS, #IL e #CHEGA) estão com realidades diferentes por comparação com as anteriores a 30 de Janeiro. Dois destes partidos estão em movimento descendente e os outros dois em movimento ascendente.

Este pode ser o momento para identificar qual o primeiro objetivo a alcançar: criar ‘escala’ no número de votos somando, o mais possível, a eleição de deputados nas próximas eleições.

Estamos muito longe de conseguir que todos ou parte destes partidos se disponham a juntar votos, no entanto é sobre mudar que se vai escrever aqui.

Todos sabemos que, para se apresentarem a eleições, os partidos elaboram as suas propostas eleitorais: uns mais criativos, substantivos, extensos ou nulos que outros. Também sabemos que utilizam diferentes meios de fazerem chegar as propostas eleitorais aos seus potenciais eleitores.

Foi assim por muitos anos e até parece que estes métodos são os suficientes pois que vão permitindo resultados melhores face aos resultados anteriores (IL e CHEGA), mas também permitem piores resultados (PSD e CDS).

Individualizando, na perspetiva aqui em destaque da conquista de mais eleitores, poder-se-á considerar que:

O #PSD, que tem uma implantação nacional, não funciona no que aos eleitores diz respeito: não contata, não comunica, não recolhe informação local, não prepara os seus militantes potenciais candidatos locais e, em conclusão não está presente junto da polução de uma forma permanente. Não se conquistam novos eleitores somente com aparições na última hora durante uma campanha eleitoral e com arruadas de uns poucos eleitores de sempre.

Este partido tem das melhores condições para conseguir bons resultados eleitorais:

  • Uma ideologia consolidada e aceite com uma base eleitoral significativa;
  • Recursos financeiros suficientes,
  • Uma bancada parlamentar em quantidade suficiente para ouvir e representar os eleitores de todos os círculos eleitorais;
  • Apresenta programas eleitorais com qualidade e responsáveis

Não obstante, na vence, não convence, não consegue manter um rumo consistente e a mensagem a novos potenciais eleitores não passa. Parece que não tem identificado o eleitorado que pretende conquistar e as equipas dirigentes não conseguem acertar nos melhores planos para os objetivos pretendidos.

Esta realidade não perspetiva um futuro diferente da situação atual.

O #CDS é aquele partido preguiçoso que não trabalha, não tira vantagem da reduzida implantação local, na ouve os eleitores, excluindo em períodos de campanha eleitoral, e o seu ‘programa’ vem declinando em aceitação faz algum tempo.

Lamenta-se e deseja-se que se reabilite. Ainda existem muitos i eleitores e a Democracia-Cristã merece uma representação forte e permanente.

Estes partidos, #PSD e #CDS, não foram suficientes e dececionaram todos os que pensaram numa mudança de rumo na liderança política portuguesa. Contudo, emergiram, de mínimos, dois outros partidos no espaço não socialista e essa é uma boa nova. 

A #Iniciativa Liberal-IL consegue uma representação parlamentar dentro dos objetivos divulgados pela liderança do partido o que significa que o trabalho desenvolvido foi intencional e com conhecimento dos métodos de conquista de ‘eleitores’:

  • Mostrou conhecer o território em que pretendia, preferencialmente, crescer eleitoralmente;
  • Identificou com rigor os perfis de ‘eleitores’ que pretendia conquistar;
  • Elaborou um ‘programa eleitoral’ ajustado ao perfil de eleitor pretendido;
  • Fixou-se em poucas ideias chave mas impactantes, um marketing moderno e uma campanha de rua jovem e positiva.

Este partido, em que os seus principais dirigentes têm origem no setor privado da economia, demonstrou que é possível arrancar com o liberalismo do início e criar uma implantação territorial e eleitoral suficiente para objetivos mais ambiciosos.

A Iniciativa Liberal sabe que existem 4 milhões de ‘eleitores’ que não votam e que representam um potencial de crescimento garantido. A experiencia adquirida, nos seus percursos profissionais, no setor privado da sociedade português, permite-lhes dominar as ferramentas da conquista eleitoral, pelo que previsivelmente o futura vai trazer mais sucesso para a IL e, por consequência, para o espaço não socialista.

O #CHEGA, que utilizou uma estratégia diferente da #IL, confirmou o que prometeu e merecia:

  • Em 2 anos tornou conhecido o nome do partido e do líder a uma escala territorial quase que total:
  • Apostou 100% nas pessoas com a angariação e formação do maior número possível de militantes;
  • Utilizou um discurso que vários segmentos de eleitores aprovam e de choque para os seus opositores, resultou em pleno: todos têm de falar do #CHEGA e do #André Ventura e se não for por bem que seja por mal;
  • Já conseguiu uma implantação local em grande parte do território nacional e com significativos eleitos locais;
  • Não privilegia nenhum perfil de ‘eleitor’ o que facilita a comunicação que poderá ser simples e entendida pelas pessoas comuns;
  • Tem os seus principais dirigentes com origem no setor privado da economia e, consequentemente, domina também as ferramentas de conquista do eleitor.

Este partido tem os seus objetivos de crescimento bem definidos e uma estratégia para os alcançar:

  • Crescer eleitoralmente junto dos eleitores que não votam e vai disputar este perfil de eleitor com a #IL;
  • Criar uma presença total no território nacional por forma a absorver eventuais eleitores por um possível esvaziamento do #PSD;
  • Moderação do discurso e da comunicação para uma melhor aceitação: este partido sabe que a partir de uma determinada fase do plano tem de ajustar a linguagem e as mensagens ao eleitorado que necessita para crescer.

Em conclusão:

  • São apresentados dois casos distintos dos 4 partidos que representam o espaço eleitoral dos eleitores não socialistas;
  • Um caso que agrupa os partidos #PSD e #CDS em curva descendente. O #PSD mantém um potencial grande de reversão para uma linha reta que dê suporte ao início de uma curva ascendente. O #CDS a lutar para a curva descendente não atingir o nível zero;
  • Estes partidos não são ativos permanentes na intenção de conquistar eleitores.
  • Um segundo caso que agrupa os partidos #IL e #CHEGA em curva ascendente;
  • O #IL tem potencial de crescimento, no curto prazo, moderado, o nicho de mercado do liberalismo não tem histórico no Portugal destes tempos pelo que, a tendência será a de consolidar e estruturar para um novo impulso de crescimento no futuro;
  • O #CHEGA tem bem claro que quer crescer muito e rapidamente, tem a estrutura de consolidação mais avançada. Ao ser generalista no crescimento pretendido pode absorver, em caso de grande procura, um maior número de eleitores num menor tempo. Tem capacidade de trabalho e tem bem claro o que tem de fazer, como fazer, recursos que necessita para fazer e com quem vai fazer;
  • Estes partidos são ativos permanentes na intenção de conquistar eleitores.

Poderá acontecer que num próximo ato eleitoral se venha a registar que este início de Fevereiro de 2022 marcou o princípio de uma frente eleitoral de partidos não socialistas de sucesso e vitória. Até que aconteça, deverá ser ao modo das empresas de sucesso: 3% de inteligência e 97% de trabalho e suor.

Bem Hajam

Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas do passado dia 30 de Janeiro foram surpreendentes face ao que os ‘analistas profissionais’ e empresas de sondagens prognosticaram: mais uma vez erraram.

O Partido Socialista ganhou e os partidos não socialistas foram insuficientes: o PS viu reforçada a sua bancada de deputados e vai poder governar em pleno nas suas capacidades e vontade própria, os partidos não socialistas vão ter 4 anos para se organizarem individual e coletivamente.

O quadro seguinte mostra que o número de votos dos 4 partidos não socialistas não aumentou no total geral face ao histórico das eleições anteriores desde o ano 2000:

O total de votos, com duas exceções, apresenta uma média constante de entre 2.1 e 2.3 milhões de votos em 5 de 7 atos eleitorais realizados neste século XXI.

As exceções são relativas aos anos de2002 e 2011 que resultaram de 2 governos de má memória para Portugal: António Guterres e José Sócrates. Os partidos PSD e CDS, únicos representantes do espaço não socialista de então, apresentaram-se a votos individualmente somando, respetivamente, cerca de 2.7 e 2,8 milhões.

Para estes dois singulares resultados eleitorais o PS deu um contributo significativo: Foi o ‘pantano’ em 2002 e a ‘insolvência (quase) nacional’ em 2011.

Os bons e promissores resultados eleitorais dos dois novos partidos (IL e CHEGA), nesta área não socialista, não somaram, face ao histórico anterior, tendo mesmo diminuído face a 2019. Poder-se-á, provavelmente, concluir que os partidos CHEGA e IL cresceram em número de votos em paridade com o número de votos que os partidos PSD e CDS diminuíram. Donde, para a causa de um espaço político não socialista, ficou tudo como antes.

Se no que respeita ao número de votos obtidos estamos esclarecidos, vejamos quanto ao número de deputados eleitos o que estas eleições nos mostram:

Este quadro mostra resultados aparentemente contraditórios:

  • Em 2015, os partidos não socialistas (PSD e CDS) concorreram coligados na maioria dos círculos eleitorais e com 2 milhões de votos elegeram 104 deputados;
  • Em 2019, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) concorreram individualmente na totalidade dos círculos eleitorais e com quase 2.3 milhões de votos elegeram 80 deputados e,
  • Em 2022, os 4 partidos não socialistas (PSD, CDS, IL e CHEGA) voltaram a concorrer individualmente na quase totalidade dos círculos eleitorais e com pouco mais de 2,2 milhões de votos elegeram 96 deputados.

Poderemos concluir, possivelmente, que a coligação formada nas eleições em 2015 entre o PSD e o CDS, apesar de um menor número de votos por comparação com as eleições de 2019 e agora em 2022, obteve um maior número de deputados por comparação com as eleições de 2019 e 2022. É o método de D’Hondt a funcionar e que não permite uma paridade de votos obtidos com deputados eleitos.

Esta realidade dá força aos que defendem, com o próprio incluído, que os atuais partidos, do espaço não socialista, deveriam pensar em coligações em determinados círculos eleitorais para futuras eleições legislativas e outras.

Finalmente, poderemos ver o quadro que mostra os resultados eleitorais destas eleições de 2022, no que a número de votos que não contribuíram para a eleição de deputados diz respeito, por círculo eleitoral com exceção dos 2 círculos da emigração:

  • Se, conforme cada círculo eleitoral, é possível eleger 1 deputado por cada conjunto de entre 19 e 22 mil votantes, o quadro diz-nos que o espaço dos partidos poderia ter elegido mais 5 deputados: Viseu, Coimbra, Portalegre, Beja e Aveiro. Em Lisboa, como sabemos, os 19,5 mil votos do CDS não foram suficientes;
  • Portalegre e Beja são bons exemplos: nenhum dos 4 partidos elegeu qualquer deputado.

 No texto publicado, antes destas eleições em Janeiro – https://viriatobatalha.blog/2022/01/ – deu-se destaque a esta realidade do voto que conta e do que não conta para a eleição de deputados. 

Muitas pessoas e alguns movimentos independentes dos partidos, do espaço não socialista, argumentam que é importante dar atenção a esta questão no quadro do sistema eleitoral D’Hondt. Os partidos deste espaço político deveriam incluir, nas suas futuras prioridades, esta temática.

Bem Hajam

Como (tentar) ganhar as Eleições Legislativas 2022

As eleições legislativas deste mês vão ter, em confronto direto e único, duas opções claras de futuro imediato para os portugueses: o socialismo com o apoio do comunismo e radicais ou, os partidos não socialistas.

É verdade que vão a votos vários partidos políticos e que os eleitores têm múltiplas opções de voto.

Não obstante, tudo se resume a duas únicas soluções: por vontade dos eleitores e, também, porque a generalidade dos restantes partidos não constituem uma real opção de liderança e, consequentemente, soluções para o futuro imediato.

No que respeita ao socialismo que nos é prometido já deu prova do que faz e, deste modo, não importa aqui escrever muito mais: tem os seus eleitores e outros que se encarreguem de os motivar ao voto.

Quanto aos eleitores não socialistas importa escrever um pouco. As opções de escolha são múltiplas e a tendência será de distribuir os votos pelos vários partidos em disputa.

Estes partidos encontram argumentos para marcar diferenças do seu opositor, qualquer um destes líderes sente o dever de vencer, qualquer um destes partidos políticos tem uma fila imensa de candidatos a deputados e, infelizmente, qualquer um destes partidos pensa primeiro em si e nos seus interesses. No fim e contas feita, no passado, só um tem ganho e os restantes procuram argumentos para justificar os resultados obtidos.

Os partidos do socialismo são farinha do mesmo saco, no entanto têm uma vantagem: somam mais eleitores e, apesar de divididos por vários líderes, voltarão a ganhar e a impor mais socialismo e por mais tempo.

Estarão, os não socialistas, conformados com a realidade de os socialistas elegerem mais deputados como temos vivido nos últimos anos? Possivelmente sim, é a democracia a funcionar e os que têm mais votos é que governam.

Resta-nos a resignação de ficar em casa e não ir votar? Possivelmente sim.

Será que é inteligente ver os 4 partidos não socialistas concentrados, cada um por si, a tentar conquistar mais uns pontos percentuais no resultado final nacional e, no fim, clamar por ter ficado na 3º posição ou lamentar ter ficado em último? Sou céptico quanto a uma resposta definitiva.

Ao invés, sou crente de que verdadeiramente importante é eleger deputados suficientes para impedir o socialismo de ter uma maioria de deputados,

Assim, o que será inteligente, por ser inovador, deverá passar por os 4 partidos não socialista procurarem, cada um por si, aumentar os votos, somando coletivamente para eleger um número de deputados igual ou superior a 216.

Sabemos que o número de deputados eleitos pode não corresponder, proporcionalmente, ao percentual nacional no resultado final das eleições. Esta realidade deriva do método utilizado para eleger deputados por círculo eleitoral individualmente considerado.

Nos círculos eleitorais em que os partidos não elegem nenhum deputado, os votos que obtém, nesses mesmos círculos, só contam para o percentual nacional. São votos úteis para efeito de contagem nacional e são votos inúteis para efeito de eleição de deputados.

Exemplo:

  • Os partidos CHEGA e Iniciativa Liberal tiveram, nas últimas eleições legislativas, 66,448 e 65.545 votos respetivamente;
  • Em Lisboa tiveram 22.053 e 27.166 votos respetivamente. Foram votos úteis:
  • Com estes votos estes partidos elegeram 1 deputado respetivamente
  • Os votos nos restantes círculos eleitorais (44.395 e 38.378) contaram para o percentual nacional e não contaram para eleger mais nenhum deputado. Foram votos inúteis.
Exemplo de votos inúteis

Um voto, num determinado partido, é útil quando provoca um efeito positivo real:

  • Se o voto permite o aumento do percentual nacional é útil para quem o recebe;
  • Se o voto não permite, por insuficiente, a eleição de um deputado, num círculo eleitoral, é inútil para quem o recebe.

Este exemplo, em conformidade com o exposto, demonstra que estes 2 partidos tiveram, para efeitos de eleição de deputados a um nível nacional 44.395 e 38.379 votos inúteis respetivamente.

 Todos sabemos que as eleições são para formar a Assembleia da Republica com a eleição de 230 deputados. Os deputados são eleitos em 18 círculos distritais nacionais, 2 círculos das regiões autónomas e 2 círculos da emigração. Cada círculo é composto por um determinado número de deputados.

Os resultados de deputados, não socialistas, eleitos nas últimas eleições de 2019 e 2015 apresentam o seguinte quadro:

  • Eleitos em 2019 pertencem a 4 listas de candidatos: PSD, CDS, IL, CHEGA
  • Eleitos em 2015 pertencem a 1 lista; PSD/CDS

Segmentando os resultados nacionais poderemos classificar os círculos eleitorais em 3 níveis diferentes:

Um primeiro nível de círculos eleitorais que elegem até 8 deputados e elegeram só deputados do PSD em 2019:

Nível 1
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019;
  • O PSD não elegeu em 2019 nenhum deputado nos círculos de Portalegre, Évora e Beja num total de 8 deputados a eleger. Em união com o CDS elegeu em 2015 3 deputados nestes círculos.
  • Os novos partidos IL, Chega e o CDS, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais.
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.

Um segundo nível de círculos eleitorais que elegem 9 ou mais deputados com as exceções de Porto e Lisboa

Nível 2
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 8 deputados do que em 2019 e repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • O CDS, apesar do número de votos obtidos nos círculos eleitorais de Coimbra, Leiria, Santarém, Setúbal e Faro, não elegeu qualquer deputado neste conjunto de círculos eleitorais;
  • Para efeitos de eleição de deputados, os votos apresentados, no quadro anterior, foram inúteis.
Nível 3
  • A união de votos em 2015 entre o PSD e o CDS elegeu mais 5 deputados do que em 2019, repete-se o que aconteceu nos círculos eleitorais no primeiro nível e segundo níveis;
  • Os novos partidos IL e CHEGA, apesar do número de votos obtidos, não elegeram qualquer deputado no círculo eleitoral do Porto, tendo elegido 1 deputado em Lisboa cada partido;
  • Neste quadro o PSD e CDS tiveram deputados eleitos e os partidos IL e CHEGA tiveram os seus votos no círculo eleitoral do Porto inúteis.

Em conclusão:

  • O número de deputados não socialistas eleitos nas eleições legislativas de 2019 e 2015 mostram que quando os partidos uniram os votos elegeram mais deputados no total dos círculos eleitorais (2019 = 80 deputados e 2015 = 104);
  •  Nas eleições de 2019 só o PSD elegeu deputados nos círculos eleitorais apresentados no nível 1;
  • O número de votos inúteis é expressivo quando os partidos se apresentam individualmente;
  • Um voto só é útil, para quem o recebe, quando permite eleger mais deputados, quando não permite eleger deputado algum é sempre um voto inútil.
  • Em Portugal dá-se destaque ao percentual de votos alcançado no final de cada eleição, no entanto, as eleições de 2019 demonstraram que o importante fora os deputados eleitos pelo socialismo, o comunismo e o radicalismo de esquerda.

Virando a página, os partidos não socialistas que têm a pretensão de terem uma maioria na próxima legislatura deveriam concentrar-se no objetivo principal de criar as condições para elegerem, no seu conjunto, um mínimo de 116 deputados, assim:

  • Para esta pretensão existem 4 partidos políticos: PSD, CDS, IL e CHEGA com todos a concorrem individualmente;
  • O PSD elege deputados em todos os círculos eleitorais com a exceção de Portalegre, Évora, Beja que nas eleições de 2019 ficou a zeros. Tem todos os seus votos são úteis com as exceções apresentados em que os votos serão inúteis se não reverter o último resultado de 2019;
  • O CDS não elege deputados em todos os círculos eleitorais apresentados no quadro do nível um e, igualmente, em todos os círculos eleitorais do quadro do nível 2 com a exceção dos círculos de Braga e Aveiro. Mantendo os deputados nestes círculos eleitorais de Braga e Aveiro terá os seus votos úteis, nos restantes círculos eleitorais, não revertendo o último resultado 2019, terá todos os seus votos inúteis;
  • Os partidos IL e CHEGA são uma incógnita quanto á perspetiva de votos úteis ou inúteis no que se refere aos círculos eleitorais dos quadros nível 1 e 2 e só o resultado final dirá quantos deputados elegerão nestes círculos e em quantos círculos;
  • Lisboa e Porto são círculos eleitorais em que todos estes 4 partidos elegerão, previsivelmente, deputados pelo que todos os votos que receberem serão úteis.

A necessidade de os partidos, em cada círculo eleitoral, terem um determinado número mínimo de votos para elegerem um ou mais deputados deveria motivar os partidos, não socialistas, a uniões circulo a circulo para potenciar, pela união, a eleição de mais deputados eliminando um número grande de votos inúteis.

Uma das causa da abstenção será, certamente, a convicção que alguns eleitores têm, de apesar de votarem num determinado partido, de o seu voto não somar os votos suficientes para eleger um ou mais deputados no círculo eleitoral a que pertence.

Os eleitores dos partidos, antes referidos, deveriam ser sensibilizados, pelos partidos envolvidos, para esta realidade de os votos poderem ter consequências diferentes em cada um dos círculos eleitorais: voto útil é quando soma para eleger deputados.

Os círculos eleitorais da emigração não são incluídos neste texto por motivos entendidos como suficientes.

Bem hajam.