Eleições legislativas 2022 – Uma perspetiva

Os passados dias 27 e 28 de Novembro poderão vir a ser dias para recordar como o início consistente de uma viragem maioritária do eleitorado á direita.

No dia 27 o #PSD escolheu o seu líder, #Rui Rio, para se apresentar às eleições legislativas de 30 de Janeiro do próximo ano.

Rui Rio

No dia 28 o #Chega confirmou como líder #André Ventura, que vai ser o rosto do partido nas eleições já anunciadas.

André Ventura

Ambos vão ser importantes na afirmação política do espaço ideológico que se posiciona á direita dos socialistas, sejam quais forem.

Sendo pessoas diferentes, não deixem de ter características em comum: são patriotas, apoiantes de uma economia liberal, anti-socialistas, carismáticos, conhecem-se bem (possivelmente nas relações informais e privadas mantêm contactos) e, o mais importante, ambos pretendem liderar um novo rumo para Portugal.

Com este ponto de partida ambos vão trilhar percursos diferente, com eleitorados e propostas diferentes. É normal e desejável e o objetivo não deixa de ser comum: excluir o socialismo da área da governação.

Rui Rio, que leva vários anos a afirmar qual o posicionamento ideológica que pretende ter como eleitorado maioritário, apresentará um programa eleitoral que possa agradar ao seu eleitorado natural e investir no eleitorado do socialismo, principalmente o que vota PS.

Este programa eleitoral não afrontará ou ignorará os funcionários do sector público do estado e os pensionistas, nomeadamente os de mais baixas pensões e para quem a estabilidade e continuidade de atenção é indispensável. Este eleitorado tem um peso muito significativo no voto PS, tanto que foi quase que exclusivamente o garante que o partido teve nas últimas eleições.

É neste eleitorado que Rui Rio vai concentrar 50% do seu esforço. Tendo êxito obtém uma dupla vitória: consegue novos eleitores e, na proporção, esvazia o PS.

Os restantes 50% de esforço serão canalizados para a larga faixa de eleitorado que, desde 2015, não se vê representado no socialismo de António Costa e que é o sector privado: sejam os trabalhadores por conta de outrem, os que trabalham em nome individual ou os empresários de média ou pequena dimensão. Os grandes empresários, pela dimensão, sempre se sentem confortáveis com ou sem socialismo. Financiam ambas as partes.

Vamos ter um Rui Rio moderado no discurso mas contundente em áreas específicas: na área económica para o sector privado e nas áreas da saúde, ensino e sector social no sector público. Propostas concretas para nichos de eleitorado não fraturantes para o eleitorado a quem se dirige.

Vamos ter, também, o habitual em épocas de eleições: baixas de impostos e intenções de reformas do ‘sistema’.

Um plano ou projeto para Portugal no futuro certamente não vai acontecer desta vez. O sistema eleitoral e os ciclos de legislatura (4 anos) não permitem que se possa pensar global e abrangente para Portugal de uma forma credível. O passado democrático assim o demonstra.

O cidadão António Costa, na pele de primeiro-ministro, é que proclamava projetos e realidades para um futuro a 10,15,20 ou mais anos. Isso não existe e só ‘vendedores de ilusão´ é que o fazem. Nisso o PS tem alguns especialistas.

Rui Rio tem perfil de estadista, tem experiência política e profissional, pode ser que tenha adquirido as ferramentas para ser popular e, deste modo, conquistar a grande massa de eleitores que se move pelas questões mais simples do dia-a-dia.

Se Rui Rio conseguir eleitores suficientes para formar um governo estável dará um contributo grande para o que muitos designam como ‘refundação da direita´’ ao agregar todo um eleitorado que se movimente ao ‘centro’. Segundo alguns especialistas a maioria.

André Ventura e o partido Chega tem também um papel importante a desempenhar e que, de resto, já o vem vindo a fazer.

No passado recente havia a consciência, não expressa, de que muitos eleitores não se reviam nos partidos que, então, se propunham representá-los: o CDS e, porque não escrevê-lo, uma parte do PSD.

Estes eleitores que não tinham voz possivelmente engrossavam o número de abstencionistas ou votavam nas alternativas antes enunciadas, mas contrariados. Estes eleitores têm uma característica comum: são anti-socialismo.

Havia um vazio no espaço eleitoral da direita na democracia em Portugal que não se justificava. Esta realidade não fazia sentido e era necessário algo novo que mobiliza-se e agrega-se estes eleitores por forma a terem voz.

Foi o partido Chega ou poderia ter sido com outro nome e foi André Ventura como poderia ter sido um outro qualquer cidadão com o perfil para a empreitada.

A iniciativa foi bem-sucedida, o plano de implementação foi bem delineado e o resultado foi um partido novo que em 3 anos consegue posicionar-se com boas perspetivas de cobrir o espaço da direita que estava órfã de representação.

André Ventura aprendeu, ou já sabia, bem a lição: falar grosso, contra o ‘sistema’, algumas propostas fraturantes e esperar que a esquerda fizesse o trabalho de o dar a conhecer aos portugueses e de implantar o partido.

O que se passou faz lembrar o acontecido com a UBER e os taxistas: a UBER apareceu, afrontou os taxistas e estes na sua arrogância fizeram, com os incidentes que provocaram, o trabalho de anunciar a plataforma ao País. Resultado: a UBER é um sucesso.

André Ventura que tem neste momento uma base eleitoral identificada e estabilizada, prepara-se para a conquista do eleitorado que lhe assegure força suficiente paro o confronto político que se seguirá: suporte, em caso de necessidade, a um governo não socialista.

André Ventura vai propor ao eleitorado um programa económico liberal em linha com o que é habitual em partidos de direita na Europa, com afrontamento, ao invés do PSD, ao sector público do estado e uma pressão grande na área dos valores.

As atuais bandeiras do Chega estarão todas presentes não só para fixar o atual eleitorado como também cativar eleitorado que estava no CDS e PSD e que se revê nesses valores.

O futuro ditará quanto vale esta aposta na direita que estava sem representação.

A esquerda radical irá continuar a insultar este partido até que entenda que o seu problema não está numa nova direita mas sim numa ultrapassada esquerda que dizem representar.

António Costa com a esquerda radical

Não esquecemos os restantes dois partidos que se posicionam na Direita: a Iniciativa Liberal e o CDS.

Quanto aos liberais são, por enquanto, um nicho de eleitores com potencial de crescimento. No entanto, a prazo estarão condicionados pelo crescimento do Chega e a consolidação do PSD como partido de governo. O futuro ninguém o conhece e pode que esta opinião esteja completamente fora de sentido.

O CDS foi um partido importante no seu longo passado, mas que com a saída de Manuel Monteiro e o fim do seu projeto e, com a entrada de Paulo Portas atingiu o seu máximo para logo depois começar a sua queda.

Paulo Portas foi aquele eucalipto que tudo secou em redor e, a saída deste, levou o CDS de queda em queda até ao momento atual. Um partido sem gente experiente e de referência, dominado por jovens de uma geração em que tudo lhes parece fácil e se concentra no objetivo individual.

Terminando, esta perspetiva real ou ficcionada de Portugal, após as próximas eleições de Janeiro, enquadra-se no que é hoje a UE.

Uma realidade que não oferece ameaças ao ‘status’ dos países maioritários da UE e acaba com esta aventura socialista numa europa liberal.

Um espaço da direita que, em quase todos os países europeus, tem representação partidária e política nos respetivos parlamentos. É um normal na europa a existência de partidos radicais de direita.

Janeiro de 2022 vai ser, mais uma vez, o mês em que os eleitores vão escolher o futuro político de Portugal. Talvez que os que pretendem uma mudança superem os que preferem como está. Veremos.

Bem hajam.

Confiança ou (des) Confiança

O Outono trouxe uma realidade triste evidenciando, mais uma vez, que, em Portugal, muitos dos protagonistas políticos não estão a mínimos de ocuparem os cargos políticos e de governação que os cidadãos lhes confiam em eleições.

Desde 2016, a atividade política, os seus protagonistas e os partidos políticos que os suportam tiveram como resultados estagnação económica, dívidas para as futuras gerações de portugueses e uma consequência que porventura terá efeitos por muitos anos: a (des) confiança de um povo.

Os pressupostos, em 2016, já não auguravam uma época para grandes feitos de Portugal e, principalmente, para os anos que se seguiriam e o País bem precisava.

Os anos antecedentes tinham sido duros para os portugueses, foram os anos do resgate de Portugal da bancarrota.

O ano de 2016 trouxe-nos a novidade de o partido político, acabara de ganhar as eleições, que se preparava para continuar o trabalho que tinha realizado, assessorado e controlado (foi a Troika) pelas instituições da UE e do FMI, ser afastado do poder e ceder a um outro que as tinha perdido, o PS.

Surpresa para muitos, mas constitucional e aconteceu. Certamente criou uma desconfiança no modo como o PS “arranjou” a solução: utilizar o apoio, para poder governar em minoria, de partidos radicais, de protesto e de reivindicação fácil e permanente. O Presidente da Republica exigiu um compromisso de governação por escrito, revelou desconfiança na solução.

Então, o PS tinha um passado com experiência de governação e um histórico de aceitar um sistema económico liberal, estava em linha com as políticas da UE e, deste modo, os portugueses aceitaram que o governo inicia-se funções.

Os portugueses terminavam um período de anos difíceis e as promessas de reposição de vencimentos antes reduzidos, de um estímulo ao desenvolvimento económico e consequente criação de riqueza e do fim da austeridade eram suficientes para acreditar que seria possível reiniciar um ciclo positivo para todos nós.

Os anos de 2016 e 2017 foram de reposições salariais aos cidadãos e a economia parecia que conseguiria arrancar para níveis de crescimento aceitáveis. No entanto, também começaram a aparecer alguns sinais de que algo não estava a correr bem.

A dívida pública crescia a um ritmo superior ao crescimento económico, o PS começava a dar sinais de centralização com reversões de privatizações antes feitas, a renacionalizar a saúde, a educação, e a seguir a cartilha dos partidos radicais que o suportavam.

Não obstante, estes partidos radicais, PCP (mais satélite Os Verdes) e Bloco de Esquerda, reclamavam que compromissos não eram cumpridos e que a confiança inicialmente creditada se estava a esgotar.

Com o PS a sair do seu histórico de economicamente liberal, a confirmar a sua vertente despesista, a surpreender com políticas no sentido de reforço do peso do Estado e, face às obrigações que Portugal tem para com a UE, as despesas públicas iniciaram um trajeto de crescimento colocando a dívida pública em níveis alarmantes. As receitas cobradas aos portugueses aumentaram desmesuradamente com mais e maiores impostos, taxas e taxinhas.

O governo não conseguiu dar aos portugueses o que prometeu e nos anos seguintes viu agravar serviços que assumiu como suas bandeiras: a saúde, os serviços sociais e a educação.

Foi alimentando as suas clientelas eleitorais e as dos partidos radicais que o suportavam com a satisfação de reivindicações isoladas e desligadas de qualquer estratégia.

O PS não prestou um bom serviço ao país e o cidadão que escolheu para primeiro-ministro revelou não estar preparado para o desafio.

2021 Acabou por ser o ano em que a desconfiança das capacidades do governo por parte dos partidos radicais terminou ao retirarem o total apoio á aprovação do orçamento de estado para 2022. Nem a prorrogativa da abstenção permitiram.

Fica a faltar a fatura destes anos de liderança do Estado. Esperemos que para além do agravamento da dívida pública não tenhamos nenhuma má surpresa, já bastou a fatura que o PS deixou em 2011.

E o futuro?

Será, certamente, mais do mesmo: o PS ou o PSD. Aos outros partidos o eleitorado não reconhece mínimos.

Caracterizam -se por serem partidos de protesto (sempre arranjam causas para protestar) e por reivindicar (também sempre arranjam causas para reivindicar). É o chamado “sistema” (democracia á portuguesa) que historicamente tem resultados aquém dos compromissos.

A oferta política em Portugal é reduzida e historicamente de má memória.

No entanto, na UE, de que fazemos parte, existem outras democracias com resultados completamente diferentes, para melhor. Seria bom que surgissem alternativas de governo inspiradas nessas democracias.

 Os portugueses, nos anos que levo de vida, têm assistido a momentos de confiança que logo se transformam em desconfiança:

  • Foi a confiança num Portugal melhor com o 25 de Abril e logo veio a desconfiança com o drama dos retornados das colónias, as nacionalizações, a necessidade de pedir apoio externo e a economia a cair a pique.
  • Foi a confiança da entrada de Portugal na CEE e as oportunidades que se abriam de colocar os portugueses ao nível de outros países mais desenvolvidos e logo veio a desconfiança que governos sucessivos provocaram com má utilização de fundos, corrupção, um Estado que não soube impulsionar a economia para níveis de criação de riqueza suficientes e que culminou, em 2011, com uma ameaça de bancarrota.
  • Agora, porque está fresco ainda, foi a confiança num governo que surpreendeu ao permitir a partidos radicais influenciar. Passados 6 anos a desconfiança instala-se novamente: o crescimento económico foi residual, a dívida externa cresceu e a pobreza aumentou.

O Inverno ameaça somar a esta falta de soluções, para um governo que consiga devolver confiança, um novo crescimento dos perigos que todos vivemos desde há 2 anos com os surtos virais.

Esperemos que os próximos capítulos possam proporcionar, novamente, confiança. Que os partidos saibam escolher protagonistas com perfil suficiente para governar bem, com honestidade.

Bem hajam.

Eleições Municipais 2021

No passado dia 26 de Setembro realizaram-se as eleições municipais ou vulgarmente chamadas de “locais”, muito se escreveu sobre os protagonistas, os partidos políticos, as listas de independentes, a abstenção e pouco sobra para escrever a este propósito.

Não obstante, existe uma realidade estrutural escondida nestas eleições que importa refletir: os concelhos com reduzido número de residentes ou seja, o número de pessoas que são efetivamente beneficiados, ou não, pela ação, ou não, dos respetivos eleitos para os diferentes órgãos municipais.

Em Portugal existem 308 municípios dos quais 48 têm no máximo 5.000 residentes,

e 63 municípios com entre 5.000 e 10.000 residentes.

No conjunto dos municípios até 10.000 habitantes temos um total de 111 que representam 36% do total de Municípios em Portugal.

Estes 111 Municípios ocupam uma área territorial de 33.675 km2 que representam 36,5% do total nacional.

Estes 33.675 km2 são ocupados por 603.845 residentes, 0,05 % dos residentes em Portugal (Censos 2021) que representa uma média de 17,9 residentes por km2.

Assim, para parâmetros europeus em que o território é escasso, poderemos concluir que em Portugal se dá muito pouca ou nenhuma importância ao povoamento deste território.

Existem muitos disgnósticos para justificar esta falta de residentes pelo que não importa somar mais aos já existentes.

Hoje, apesar das distâncias se manterem, por comparação com o passado, é mais fácil e rápida a mobilidade; os locais de trabalho, para muitas profissões, não necessitam de ser num local determinado, o contacto está á distância de um click; a economia desenvolve-se onde existem os consumidores e deste modo não é uma fatalidade para estes municípios assistirem ao desaparecimento crónico de residentes.

O poder local fez trabalho intenso em dotar estes territórios das condições elementares: promoveram a instalação de redes de eletricidade, canalizaram redes de água e, em muitos deles, instalaram sistemas de saneamento básico e sistemas de tratamento (Etar’s). 

São funções do sector público e que, melhor ou pior, já existem e não necessitam de preocupação maior que a da ampliação e manutenção nos casos em que se justifica.

Outras funções, por transferência do poder central, de uma forma geral são assumidas pelo poder local, como por exemplo o apoio escolar.

É o básico a que todos os responsáveis políticos locais estão obrigados a garantir aos seus residentes mas que não faz a diferença entre municípios nem é, certamente, causa para que alguém decida onde residir.

Com algumas exceções, as causas primeiras para a opção de residência são: ter uma fonte de rendimento e, em segundo lugar, ter a garantia de uma habitação a comprar ou alugar.

Assim como cada cidadão tem hoje um conjunto vasto de necessidades que exige para seu bem-estar para lá destas duas antes enunciadas e básicas.

Concentremo-nos nas duas primeiras necessidades:

  • Têm estes 111 municípios condições para atrair e satisfazer todos os potenciais novos residentes?
  • Penso que a maioria não tem, o poder local nunca assumiu a liderança na satisfação dessas necessidades básicas para atrair novos residentes.
  • Quanto á necessidade de uma fonte de rendimento, têm os novos residentes oferta de trabalho que lhes garanta estabilidade e bem-estar?
  • Penso que a maioria destes municípios também não tem essa oferta.

Estes 111 municípios, salvo alguma/s exceções, estão bloqueados ao não conseguirem disponibilizar as condições para que um novo residente se instale.

Não obstante, existe um potencial grande, independentemente das especificidades de cada município e da região em que está inserido:

  • Território: a densidade populacional destes municípios é baixa pelo que podem ser povoados sem constrangimentos e proporcionarem boa qualidade de vida,
  • Têm oportunidades de investimento nos três sectores de atividade, a saber: agricultura, indústria e serviços.
  • O futuro no digital e o teletrabalho permitem a que trabalhadores possam residir fora dos grandes municípios.

A atual realidade nestes municípios, de uma forma geral, apresenta, para usar uma expressão popular, um fenómeno de “pescadinha de rabo na boca”: como não existe população não existe também economia e porque não existe economia não existe população.

Formou-se uma causa efeito que parece não ter saída, apesar de os políticos locais e nacionais apresentarem muitos projetos e promessas e nunca concretizados.

No entanto, penso que, se o poder público não consegue inverter esta realidade, os cidadãos, agregados pelas diferentes motivações, o podem pelo menos iniciar, vejamos:

Em termos económicos e criação de riqueza

  • Em todos estes municípios existem hoje naturais qualificados, que apesar de terem as suas atividade profissionais noutros municípios ou no estrangeiro, podem disponibilizar os seus saberes e conhecimentos em processos de criação de empresas ou povoamento dos territórios;
  • As associações empresariais por sectores de atividade podem esclarecer e apoiar os empresários locais sobre as vantagens de estes criarem escala nas suas empresas, por exemplo: 10 serralheiros a trabalharem, cada um, individualmente não é o mesmo que ter uma única serralharia com os mesmos 10 empresários. Esta última solução aporta uma escala maior na venda de produtos e reduz custos fixos, tornando as empresas mais rentáveis e robustas.
  • Em muitos de municípios ou conjunto de municípios, por serem vizinhos entre si, têm condições naturais e especificidades sobre outros territórios que proporcionam vantagens competitivas e, deste modo, se constituírem novas empresas. 
  • Contratação de pessoal especializado: atualmente o trabalhador tipo “faz tudo” não é produtivo. Para cada tipo de trabalho existe uma profissionalização, daí se identificar o trabalhador por profissional de…, e,
  • do mesmo modo que as empresas devem procurar como mercado para os seus produtos os clientes que necessitam, independentemente das regiões ou distancias, também a contratação de profissionais especializados deve acontecer onde eles existem.
  • Portugal é hoje um País aberto a receber estrangeiros com contratos de trabalho. É público que existem, no estrangeiro, países e regiões com profissionais disponíveis para trabalhar em Portugal.
  • As contratações de estrangeiros já podem ser feitas por canais diretos sem necessidade de intermediários (muitas vezes criminosos). As embaixadas dos países de origem desses profissionais estão disponíveis para esclarecer.
  • Já existem muitos casos de sucesso com contratação de estrangeiros.
  •  Por exemplo: os empresários que estão a contratar diretamente trabalhadores para as estufas no Alentejo que podem esclarecer de como contratar.

Em termos de habitação e oferta de domicílio a novos residentes

  • Presentemente, o povoamento de um território implica existência de domicílios disponíveis para arrendar ou vender pelo que, qualquer iniciativa de captar novos residentes implica prioridade para esta necessidade.
  • Já existe informação, por município, sobre a realidade do parque habitacional e do nr. de casas disponíveis para serem habitadas.
  • Em casos de escassez de casas disponíveis, a prospeção de investidores para a construção de novas habitações pode, num curto prazo, resolver esta dificuldade. As Camaras Municipais podem ter, neste contexto, um papel muito importante na resolução dos processos necessários.
  • Para quem pretende contratar profissionais a disponibilidade de residências é indispensável.
  • Também, junto das empresas e dos profissionais que trabalham em municípios vizinhos com maior número de residentes, é importante divulgar o parque residencial livre nos casos em que já exista.

Só uma economia ativa permite desenvolvimento e consequente criação de riqueza.

As populações e o sector económico destes 111 municípios, que individualmente e não têm mais de 10.000 residentes, são os principais interessados em fazer crescer os seus locais de vida e, consequentemente, atrair soluções que hoje faltam para um melhor bem-estar.

Uma nova riqueza só aparece onde já existe outra para a receber.

Não querendo ser injusto, certamente que alguns dos municípios mencionados já estão em processos de povoamento e desenvolvimento da economia local com estas ou outras iniciativas. Felicidades e informem o País do sucessos que vão conquistando.

Bem hajam.

A polícia e o Digital

Como quase sempre acontece em Portugal, a inovação digital e a rapidez em a colocar ao serviço do bem público e de uma boa administração pública não acontecem e, quase sempre, parece que não estamos integrados num espaço territorial de vanguarda que é a UE.

Em matéria de inovação digital e utilização dessa mesma inovação o Estado reage tarde, apesar dos exemplos e iniciativas que acontecem nos Países que utilizamos como exemplos em muitas outras iniciativas.

A recente notícia de que o Governo pondera equipar a polícia com micro camaras no fardamento usual dos agentes em serviço no exterior trouxe-me á memória factos de 2009 ocorridos em Londres no Reino Unido.

Modelo de camara video com som

Não sei quando o governo de Londres decidiu equipar os seus polícias com micro camaras, mas em 2009 já era uma realidade comum e genericamente aceite pelos cidadãos.

Tenho duas memórias daquela época relacionadas com camaras e micro camaras de vídeo e policias, uma quase que caricata mas significativa na demonstração da utilidade deste equipamento e relaciona-se com a proibição de deitar lixo ao chão.

É do conhecimento geral que em Londres só é possível fumar na rua, que existem cinzeiros estrategicamente instalados na vai pública para que os fumadores possam depositar as beatas e que algumas pessoas têm o hábito de deitar as beatas ao chão.

Polícia londrino com camara video incorporada no fardamento

Acontece que num dia de muito frio, ao sair de estação de metro de Stratford, um cidadão acendeu um cigarro e depois de o fumar deitou a beata ao chão, apesar de alguns cinzeiros de rua no local.

Então, um polícia dirigiu-se a esse cidadão e começou um discurso sobre a infração cometida e, de entre os vários argumentos utilizados, informou o infrator de que tinha uma camara no fardamento e que o acto estava registado em vídeo.

Após o esclarecimento sobre a proibição de deitar lixo ao chão, o polícia passou a respetiva multa de 80£ e finalizou o seu trabalho com a recomendação de não reincidir pois que a partir daquele momento passaria a ter um registo permanente da infração cometida.

Características da camara de video

No que respeita a que os policias venham a ter micro camaras de vídeo no seu equipamento, esta medida aparece com um atraso de mais de 10 anos por comparação com Londres e nem se entende a hesitação que parece haver quanto á utilidade que pode trazer ao desempenho da acção policial: é eficaz pela evidência que permite registar o acto praticado pelo cidadão no exato momento em que acontece e fica para memória futura em necessidade de confirmar eventual acusação e penalização do infrator.

É também dissuasora de muitos actos praticados em que o cidadão pode contestar eventuais erros de acusação ou infração por falta de prova concreta.

A concretizar-se esta iniciativa a polícia sai reforçada na sua autoridade e terá seguramente um impacto positivo na pequena criminalidade ou infrações que regularmente acontecem.

A outra memória tem que ver com uma notícia nada abonatória para a polícia e que estava relacionada com actos violentos praticados por agentes da polícia no interior de um posto de polícia para com uma cidadã que tinha sido transportada para o edificio para averiguações.

Importa esclarecer que em Londres quando a polícia intervém na via pública e quando confrontada com um qualquer problema, o envolvido ou envolvidos são transportados para a o posto de polícia e, então, todas as questões são aí esclarecidas. A polícia nunca trata de problemas e disputas com a autoridade na via pública.

Imagem captada por camara video no interior de um posto de polícia

Voltando ao assunto da cidadã em questão, acontece que estava embriagada e a dificultar a ação dos agentes. Deste modo, um ou vários agentes, perante a recusa ou impossibilidade de a cidadã se deslocar pelos seus meios, decidiram arrasta-la pelo chão de um local para outro.

Por consequência, esta cidadã decidiu fazer publicidade do que lhe tinha acontecido e a polícia foi chamada á responsabilidade por práticas indevidas e inaceitáveis á luz dos valores existentes.

Como foi feita a demonstração do que tinha acontecido e denunciado pela ofendida? Os edificios de polícia estão equipadas com camaras vídeo em todos os espaços utilizados pelos não agentes: celas, corredores, local de atendimento, etc.

Naturalmente que o acontecido estava registado e foi fácil comprovar a denúncia de maus tratos, identificaram os infratores e aplicaram os regulamentos com a respectiva punição.

Imagem captada de uma agressão a um polícia no interior de um posto de polícia

Sou otimista quanto á necessidade de equipar os postos de policia com sistemas de vídeo nas áreas em que os cidadãos podem estar ou circular e já deveria ter sido concretizada: mais uma vez porque permite o registo do comportamento dos cidadãos quer em contexto de detenção em cela, quer em contexto de estarem detidos para procedimentos vários.

Tem, também, a vantagem de ser dissuasor de comportamentos indevidos pela polícia e que em alguns casos implicam violência.

Um País desenvolvido tem o dever de proteger não só os seus polícias dos cidadãos, mas também os cidadãos dos excessos que alguns polícias praticam como por exemplo o recente caso no Aeroporto de Lisboa em que um cidadão morreu.

Se existissem camaras de vídeo no local em que o cidadão esteve detido e veio a falecer certamente que o que aconteceu não aconteceria, ou então não seria necessário um ano para se tentar comprovar o que provocou a morte do cidadão em causa.

Sou cético para com o reconhecimento do Estado da necessidade de equipar instalações de forças de autoridade.

A defesa incondicional dos direitos humanos e respeito pela autoridade do Estado são valores que, infelizmente, ainda vão demorar a ser praticados em Portugal e o exemplo do que acontece no Reino Unido nesta matéria desde há muitos anos pouco importa aos legisladores e políticos que temos.

Termino com uma inovação digital que está a ser utilizada pela polícia de Londres: camaras de vídeo de reconhecimento facial instaladas em locais públicos.

Exemplo de tecnologia digital de reconhecimento facial

A BBC NEWS publicou em 30 de janeiro de 2020 uma notícia em que escrevia sobre este assunto, junto um pequeno resumo e o link do site para melhor esclarecimento.

“A Polícia Metropolitana anunciou que usará câmaras de reconhecimento facial ao vivo pela primeira vez nas ruas de Londres. As câmaras ficarão com listas personalizadas de suspeitos procurados por crimes graves e violentos elaborados a cada vez…. as câmaras devem ser colocadas em ação dentro de um mês….o comissário assistente Nick Ephgrave disse que o Met tem “o dever” de usar novas tecnologias para manter as pessoas seguras, acrescentando que a pesquisa mostrou que o público apoiou a mudança….Ephgrave disse que o sistema também pode ser usado para localizar crianças desaparecidas ou adultos vulneráveis.”

https://www.bbc.com/news/uk-51237665

Viatura móvel da polícia equipada com camaras de reconhecimento facial

Ao ritmo a que estas inovações são introduzidas em Portugal, possivelmente só quando a UE tomar conta da segurança do estado e dos cidadãos portugueses, europeus e não europeus residentes em Portugal é que poderemos ambicionar a ter decisões sobre este assunto.

Bem hajam

A CM Lisboa e a proteção de dados pessoais

CML

O dia 10 de Junho deste ano não vai ficar marcado pelos discursos dos políticos, não trouxeram nada de novo e foi mais uma comemoração que se justifica mas que os protagonistas do País não conseguem dar o enfase e o envolvimento que os portugueses merecem.

Ao invés, a notícia de que a CML violou a lei de proteção de dados, que foi a manchete em todos os meios de comunicação e redes sociais, é que foi o tema do dia e que promete continuar a ser durante mais algum tempo.

É um assunto determinante para a vida dos portugueses? Não me parece, a população vive momentos de preocupação com o presente e futuro próximo.

É um assunto de preocupação para a base de apoio deste governo? Também não me parece, os eleitores não percecionam que estes factos possam alterar a realidade que têm. Os eleitores que votam neste governo ou noutro semelhante só mudam quando sentem que os seus próprios interesses poderão estar em causa.

Será que esta realidade, da partilha de dados pessoais com terceiros, vai ficar impune? Receio bem que sim, já aconteceu e o presidente do município veio pedir desculpas e garantir que o município não voltará a partilhar dados pessoais com terceiros.

Fernando Medina – Presidente CML

Deste modo, a instituição dá como resolvido este problema: ao assumir a prática de um crime, a forma comum deste crime é punível com prisão até 1 ano ou multa até 120 dias, atribuindo-o a procedimentos administrativos e regulares. Siga a marinha como diz o povo.

Mas não devia ser assim, este assunto nunca deveria ter acontecido e, ao ter acontecido, deveria ter sido o município a ter a iniciativa de o comunicar aos órgãos de estado competentes e não como está a acontecer com explicações negacionistas e falaciosas culminando, face á pressão e á gravidade do assunto, com um pedido de desculpas formal e público aos visados por parte do responsável do município em causa: Lisboa.

O que sabemos sobre este assunto neste momento é que a CML, a propósito de uma manifestação realizada em Janeiro, forneceu a uma terceira entidade dados pessoais sobre os promotores e organizadores da manifestação sem conhecimento e autorização dos interessados.

Sabemos também que a entidade recetora dos dados pessoais foi a embaixada da Rússia.

Embaixa da Rússia em Lisboa

Segundo o presidente da CML este é um procedimento usual: para além de informar a polícia e MAI conforme a lei determina, informa também os interessados do local em que a manifestação se realiza. A manifestação visava protestar contra o governo russo em frente á sua embaixada em Lisboa e, nesse contexto, a embaixada foi informada de todos os dados pessoais dos organizadores.

Não sabemos se a CML estava informada e ciente de que este procedimento era contra a lei em vigor.

Se estava ciente de que estava a violar a lei, decidiu ignorar e fazer valer um procedimento habitual como se estivesse isente do cumprimento de uma lei que todas as entidades públicas ou privadas estão obrigadas a cumprir.

Se não estava consciente do cumprimento desta lei para que serve o departamento jurídico e toda uma panóplia de assessores se um assunto desta natureza não merece atenção. A ignorância não pode desresponsabilizar actos criminosos.

Tem a CML competências para delatar dados pessoais de cidadão residentes no território nacional a uma embaixada de um País terceiro, não pertencente ao grupo de países integrantes da EU?

Articulou esta delação com o MNE? Se informou o MNE desta entrega de dados pessoais de cidadão russos e portugueses, teve o acordo desta entidade?

Segundo o presidente da CML esta prática de fornecer dados pessoais de cidadãos nacionais ou estrangeiros a embaixadas de países estrangeiros, quando se trata de manifestações da natureza da mencionada, é antiga (não sabemos a quando remonta, talvez seja uma herança do anterior presidente que atualmente representa o cargo de PM).

Não sabemos quantas manifestações estarão nestas condições, quantos organizadores estarão envolvidos com seus dados pessoais e quantos países envolvidos.

Sabemos sim que com a regularidade com que em Portugal se promovem manifestações contra ou a favor das lideranças de outros países seguramente muitos cidadãos, principalmente os que têm origem em alguns dos países, poderão ter as suas vidas em risco. Países como a Rússia, Angola, Ucrânia, Venezuela e China não são reconhecidos como defensores de direitos humanos e são potencialmente repressivos para com os contestatários.

Aqui chegados, entre o que sabemos e o que deduzimos como verdadeiro temos condições para tirar conclusões: uma primeira conclusão é de que dentro da CML algum funcionário deverá ser julgado criminalmente por divulgar dados pessoais de cidadãos sem prévia autorização dos interessados.

Dentro da CML uma ou várias pessoas deveriam ser afastadas por incompetência no exercício de funções. É inaceitável que uma uma entidade oficial tenha práticas reiteradas contra a lei, agravadas com a consequência de eventualmente colocar a vida de cidadãos nacionais ou estrangeiros em risco.

O cidadão com funções de presidente da CML é o responsável institucional por este inaceitável incidente. Não se acreditando que tenha permitido conscientemente esta delação de dados pessoais sobra a falta de competência para o desempenho do cargo.

Como habitual vamos assistir nos próximos tempos a um ’carnaval’ de criticas, pedidos de demissões e por aí adiante inconsequentes e muitos deles protagonizados por outros incompetentes que em seu tempo também demonstraram terem falhado nos cargos públicos que desempenharam. É o famoso centrão.

Os valores que cada pessoa tem é que determinam se, no exercício de funções representativas e públicas, devem ou não colocar cargos á disposição ou resignar quando atos inaceitáveis e irrepetíveis são praticados pelos próprios ou da sua direta responsabilidade institucional como parece ser este o caso.

Bem hajam

25 de Abril de 1974 – Parte 2

O pronunciamento militar em 25 de Abril de 1974 foi o propulsor de um novo regime.

Militares nas ruas de Lisboa em 25 de Abril 1974

Os militares que saíram vencedores e os posteriores aderentes, nomeadamente os de altas patentes, formaram um grupo de entre eles a que chamaram Conselho da Revolução e que tinha como objetivos tutelar e fiscalizar a formação de partidos políticos e legalizar os que estavam na clandestinidade, com destaque para o PCP, constituir uma Assembleia de cidadãos para criarem uma nova Constituição para a Republica e proporcionar a realização de eleições livres para se iniciar o processo de transferência da tutela militar para a tutela civil.

Posse do Concelho da Revolução

O Conselho da Revolução teve vida até 1982 e, durante o seu tempo de vida teve grande influência em muitas decisões e atitudes com repercussões na época e outras para sempre. Sobre estes assuntos já se escreveu muito com opiniões contrárias.

Sempre existiram os que influenciaram e saíram beneficiados e que louvarão estes militares e os outros que saíram prejudicados e em muitos casos vítimas que, naturalmente, dirão que estes militares foram nefastos naqueles anos do novo regime.

O tempo se encarregará de decidir em que ponto terminará a disputa.

Conforme já foi escrito, em um outro post, o novo regime que saiu da Constituição de 1976 introduziu em Portugal mudanças positivas que a todos beneficiou desde então, mas também viu serem aplicadas mudanças negativas com efeitos no momento da aplicação e, em alguns casos, com efeitos permanentes.

Durante o período que vai de Abril de 1974 até 1976, data da promulgação da nova Constituição, Portugal viveu um tempo de ausência de lei e autoridade: prisões, torturas, saneamentos, ocupação de casas, etc. Foi a anarquia e o chamado processo revolucionário em curso (PREC).

Partidos apoiantes de PREC

Este período foi tutelado por militares (uma fação) e pelos partidos com influencia junto deles. Com destaque para o PCP e outros partidos radicais com menor influencia. Era o tempo em que tudo que estava á direita do PCP, a começar pelo PS, era fascista e tratado como tal. Ver hoje um tal Jerónimo de Sousa, contemporâneo do PREC, de braço dado como PS não deixa de ser interessante.

Mas, em Novembro de 1975 outra fação de militares e pelos partidos que os influenciaram fecharam a estrada que levava ao comunismo e o percurso de Portugal começou uma estrada nova que nos trouxe ao ponto em que estamos.

Uma primeira mudança que teve efeitos negativos transversais em toda a sociedade portuguesa foi o método utilizado para a entrega das colónias de África, a chamada Descolonização.

A descolonização em marcha

Os responsáveis civis e militares que protagonizaram todo o processo de transferência de independência para os novos Países em África foram incompetentes, irresponsáveis e, porventura, cúmplices com interesses próprios, o que agora se chama de tráfico de influencias e corrupção.

Foram incompetentes porque ignoraram as experiencias de outros Países europeus com descolonizações anteriores que não tinham causado as tragédias humanas que a descolonização portuguesa causou.

Foram centenas de milhares de cidadãos portugueses que viram as suas famílias destroçadas, vitimizadas e com danos materiais irrecuperáveis.

vitímas da descolonização

 O tempo se encarregará de registar para a posteridade essa barbárie provocada por alguns “democratas” daquela época.

Foram irresponsáveis porque depois de patrocinarem a independência daqueles territórios, lavaram as mãos com o argumento de que foi o possível naquele momento.

Todos sabemos dos milhares de mortos que as disputas entre naturais daqueles novos estados provocaram, a destruição, o saque que aconteceu às riquezas naturais e o abandono dos cidadão nacionais que teimaram em não engrossar o numero de “retornados” que o Portugal europeu continental.

inicio da guerra civil em Angola

Uma outra mudança que teve efeitos negativos foi a permissão para a ocupação, saque e nacionalização de empresas, propriedades e bens de cidadãos particulares. Nenhum outro regime permitiu estes atos. Foi necessário surgirem os “democratas” para esta outra mancha na história de Portugal do século XX.

PCP no seu melhor
PCP e a Reforma Agrária

Uma última mudança, ou talvez não, foi a infelicidade que Portugal teve e continua a ter com os políticos e responsáveis surgidos com a implantação da democracia.

Os políticos e governantes agregados em partidos políticos deram origem a dois grupos: os que governam e decidem á vez (o chamado centrão) e os que protestam e nunca governaram.

Os mais recentes protagonistas do centrão

Destes últimos poucas responsabilidades se podem pedir. Os eleitores nunca lhes deram os votos para poderem governar.

Os políticos e governantes representantes dos partidos do centrão sim podem ser responsabilizados porque efetivamente foram eles os protagonistas da história recente de Portugal nos últimos 47 anos.

Esta história tem demasiados episódios para poderem ser elencados no contexto deste espaço, mas poderemos comparar com outras histórias de Países com os quais partilhamos regimes democráticos semelhantes na Europa.

A redução da riqueza nacional, o crescimento da dívida externa de Portugal e o mal-estar da generalidade da população face ao empobrecimento de grandes faixas da população não acontecem nessas outras democracias.

Repetindo: esta infelicidade de Portugal estará cada dia que passa mais acentuada: o sistema politico tal como está não cria alternativas, o descontentamento é uma realidade, o sistema eleitoral elege com 50% de votantes, o “partido” mais votado é a abstenção e com tendência para crescer, os últimos anos têm registado uma crescente saída de portugueses para o estrangeiro, a economia nunca conseguiu estar sustentada em empresas robustas e rentáveis, o Estado cada vez mais absorve receitas para se sustentar e cobrir as insuficiências crescentes, etc.

Com este novo regime criado a partir do levantamento militar de 1974, Portugal ficou territorialmente pequeno, com uma economia sem escala para se sustentar e com responsáveis igualmente pequenos. Não estão a ser famosos estes tempos.

Não obstante, temos a UE para assegurar que a democracia está para durar, teremos, possivelmente num futuro próximo, a UE também para nos ajudar a melhor governar e dimensionar para uma efetiva criação de riqueza.

Bem hajam.

25 de Abril de 1974 – Parte 1

jornal da época

O levantamento militar de 25 de Abril de 1974 teve vários objetivos segundo as múltiplas opiniões que desde então se afirmam.

Inquestionável era o objetivo de por termo ao regime político de então. Esse objetivo foi concretizado, o regime caiu e os seus protagonistas foram afastados para um exilio interno ou externo que nunca terminou.

Era um novo tempo para um novo regime politico e com novos protagonistas.

O que aconteceu depois foi um processo revolucionário em curso e a partir de 25 de Novembro de 1975 um processo democrático em curso. Este processo democrático resultou numa democracia modelo ocidental com referências às democracias da Europa de então.

Foi criada e votada uma nova Constituição politica que, com alterações ao longo dos anos, ainda hoje está em vigor. Desta forma foi institucionalizado um novo regime político que faz este ano 45 anos de vida.

O debate que divide a opinião pública é o de afirmar que se este regime que temos correspondeu ao longo da sua vida às expectativas criadas pelos seus fundadores ou não. Penso que aconteceram decisões e práticas sem dúvidas benéficas para os portugueses e outras que foram prejudiciais e que irremediavelmente responsabilizam os seus patronos.

Aqui vamos nos centrar nas decisões positivas voluntárias ou por consequência.

Uma primeira decisão e talvez a mais importante pelas implicações foi a de formalmente se criar um regime democrático em que a liberdade nas suas múltiplas facetas é um bem consagrado constitucionalmente e universal.

A decisão de tornar Portugal um País democrático de cariz europeu foi igualmente uma decisão benéfica. As democracias europeias assentam no voto popular e universal em partidos constitucionalmente criados e em que, através de eleições, cidadãos enquadrados em partidos políticos são eleitos para representar os cidadãos nas mais diversas funções.

Adesão Portugal à CEE

A decisão de ingressar, quando foi politicamente útil aos portugueses e europeus, na, então CEE, EU foi igualmente um bem maior para o País e cidadãos. Hoje sabemos que temos Países e povos mais evoluídos em partilha de interesses e responsabilidades com Portugal e isso representa uma garantia de que não haverá qualquer possibilidade de o País regredir ou derivar para outras realidades.

Embarque de militares – 1971

A decisão de por termo á guerra em África foi igualmente bem-vinda. A guerra que se iniciou em 1961 e terminou em 1974/75 causou enormes sacrifícios aos portugueses: foram pais que viram seus filhos morrerem ou regressarem estropiados e jovens que viram a juventude mudar o seu curso sem qualquer opção de vontade própria.

Bem sei que muitos foram á guerra por vontade própria, muitos foram voluntários com 17 e 18 anos de idade: conheço alguns e sempre me mereceram o maior respeito e admiração. Não obstante, de uma forma unilateral arrancar os jovens às suas famílias para irem para uma guerra a milhares de quilómetros de distancia e para a qual não foram escutados nunca me pareceu ser bom. Nos anos 70 a europa já conhecia vários exemplos de resolução de conflitos por vias pacíficas e os políticos deveriam ter procurado resolver as pretensões legítimas de Portugal e dos movimentos independentistas da época por meios pacíficos e não com a guerra.

Paradoxalmente, o processo de descolonização português é um exemplo do que correu muito mal com este regime que saiu do levantamento militar. Será tema de um outro post.

Capa da revista Time – 1975

A decisão de em Novembro de 1975 por termo ao processo revolucionário em curso de cariz comunista foi uma outra decisão importante. Hoje a maior parte da população não tem conhecimento do que foram as intenções de alguns partidos políticos naquela época mas foi uma decisão que terminou formalmente naquela época e permitiu que Portugal trilha-se o caminho que hoje conhecemos.

Uma última decisão foi a de ingressar Portugal no sistema de moeda única no âmbito da EU.

Esta decisão implicou que os responsáveis passassem de um hábito em gerir a moeda e as suas implicações de uma forma individual para passarem a partilhar vantagens e deveres com outros Países mais desenvolvidos, organizados e rigorosos.

Também nestas matérias Portugal viu-se obrigado a melhorar e introduzir processos que resultam em última instancia como melhoria para o cidadão.

O banco Central Europeu (BCE), a política do BCE de taxas de juro e a regulação bancária igualmente dirigida pelo BCE são exemplos suficientes.

Muitas mais boas consequências resultantes do regime democrático iniciado em 1974 haverá. Cada cidadão terá as suas e que tenha muitas é o desejável. A mesma realidade nunca é vista da mesma forma por todos.

Decisões negativas voluntárias ou por consequência serão o tema de um outro post.

As decisões ou consequências no âmbito, por exemplo, de Educação, Saúde, Economia, Estado Social são consideradas ambíguas e não determinantes.

O anterior regime já tinha políticas nestes âmbitos e a evolução que estes temas tiveram nestes 45 anos de regime não nos podem assegurar que são inequivocamente superiores às que o anterior regime teria concretizado neste mesmo período de tempo.

É inquestionável que a realidade de hoje nestas áreas é incomparavelmente melhor do que em 1974, também a realidade em 1974 era incomparavelmente superior á de 1929 (45 anos antes), assim como a realidade previsível em 2066 (daqui a 45 anos) será incomparavelmente superior á de hoje.

como será 2066 ?

O desenvolvimento de um povo em áreas como as antes enunciadas tem mais a ver com a capacidade e opções dos responsáveis em cada período de tempo do que com os regimes políticos: há 45 anos os cidadãos tinham um regime ditatorial, hoje temos uma democracia e daqui a 45 anos terão ninguém sabe o que será.

Bem hajam.

25 Abril 1974

Talvez o melhor poster

Hoje é um dia em que alguns portugueses relembram o dia 25 de Abril de 1974, o que aconteceu nesse dia e dias seguintes e as repercussões em Portugal e na vida de todos os portugueses: contemporâneos ou não desse dia.

Vivemos um tempo em que, possivelmente, mais de metade dos portugueses nasceram depois de 1964, teriam 10 anos em 1974, e não têm memória e ou não são contemporâneos do que se passou nesse dia e os efeitos que esses acontecimentos tiveram daí por diante.

Portugal teve no século XX acontecimentos com singulares implicações que tiveram efeitos redundantes no seu percurso: a implantação da república e o fim da monarquia, a implantação da ditadura em 1926, a guerra em África em 1961/62 e o fim da ditadura e implantação da democracia como modelo ocidental e em linha com os regimes democráticos da Europa.

Aqui vai-se escrever sobre o dia 25 de Abril de 1974, dias seguintes e implicações até aos dias de hoje pelos olhos de um jovem que então tinha 18 anos.

Este jovem vivia em Lisboa, trabalhava e vivia próximo do Instituto Superior Técnico (IST), que tinha, e tem, uma estátua de uma figura importante da 1ª Republica: António José de Almeida.

IST e estátua António José Almeida

Como a generalidade dos jovens do seu meio ambiente não tinha quaisquer preferências politicas e aceitava a realidade do dia-a-dia com naturalidade apesar de estar atento para o que iam acontecendo e de que era testemunha: os problemas junto da estátua de António José de Almeida que anualmente aconteciam a cada 5 de Outubro entre a polícia e manifestantes maioritariamente jovens estudantes, as publicações dos alunos do IST através de uma reprografia existente, as conspirações mais ou menos toleradas no café Império, por exemplo. Quanto ao mais a vida era bonita e saudável

Lisboa 1973 – Suiça no Rossio

Lisboa era uma cidade pequena, terminava nas portas de Benfica e ir á Venda Nova de elétrico era uma aventura.

Este jovem no dia 25 de Abril acordou para ir trabalhar á última, vivia a 5 minutos do emprego, chegou ao trabalho ainda ensonado por consequência da festa da noite anterior e foi confrontado com a informação de que havia um problema na baixa da cidade. Devia regressar a casa pois a empresa estava encerrada.

Irreverente, como quase todos os jovens de 18 anos, apanhou o elétrico do Arco do Cego para o Martim Moniz e foi ver a confusão. Chegado ao local foi testemunha de algo nunca visto: militares armados numas ruas, militares da GNR armados noutras ruas, viaturas pesadas do exército a bloquear outras ruas.

Salgueiro Maia negoceia a rendição do General de Brigada Junqueira dos Reis, leal ao governo

O comentário geral era o de que estava acontecer um levantamento militar contra o governo de então.

Chegada a hora do almoço o jovem interrompeu o seu testemunho deste acontecimento e foi almoçar a casa, apanhou novamente o elétrico de regresso e curiosamente constatou que o movimento nas ruas era o normal de todos os dias. A generalidade das pessoas não sabia o que estava a acontecer.

Após o almoço, o nosso jovem voltou para a cena dos acontecimentos: tinha de saber o que ia acontecer.

Então, a meio da tarde, circulava a notícia de que os acontecimentos mais importantes estavam a acontecer no largo do Carmo e lá foi o nosso jovem, como outras pessoas, para o Carmo.

A cena era o quartel completamente fechado, o exercito com uma viatura pesada estacionada em frente ao acesso principal do quartel em posição de assalto e conversações várias entre militares e GNR.

Salgueiro Maia em conversações com um oficial da GNR

A determinado momento o nosso jovem e todos os populares que estavam presentes assistiram a uma descarga de tiros impressionante por parte do exército sobre a fachada do quartel. Durante muitos anos depois o quartel do Carmo manteve as marcas dessa descarga de tiro na fachada do edifício.

Dizia-se que o então chefe do Governo Marcelo Caetano e outros ministros estavam dentro do quartel, negociava-se uma solução para aquele cerco e a rendição aos militares revoltosos.

Como a solução tardava, o povo enchia completamente o jardim fronteiro ao quarte e a hora de jantar aproximava-se o jovem desta história entendeu por bem regressar novamente a casa e não assistiu á saída da chaimite com as figuras depostas naquele dia.

Chaimite que transportou Marcelo Caetano para o exilio

Chegada a noite e já depois do jantar o nosso jovem regressou á cena da “acção”. O espaço circulante do quartel do Carmo estava pacificado e a acção tinha-se transferido para a próxima António Maria Cardoso, sede da DGS/PIDE.

Comentava-se que já tinha havido problemas durante a tarde/noite com tiroteios e vitimas. O Exercito tinha isolado o local pelo que já não havia nada para testemunhar.

Nos dias seguintes a acção centrava-se nos arredores da DGS/PIDE com correrias constantes entre populares e pessoas acusadas de serem agentes: as pessoas eram apontadas na rua como agentes e perseguidos até serem espancados. Nunca se soube quantos destes espancamentos foram a agentes da DGS ou a pessoas inocentes que estavam no local errada á hora errada.

Alegado agente da DGS/PIDE a ser preso

Depois veio o 1º de Maio, uma grande festa popular em que o nosso jovem participou, talvez o primeiro grande acontecimento em que a população anónima se envolveu nos acontecimentos da semana anterior: o dia 25 de Abril, o fim da ditadura e uma nova história para Portugal.

1º Maio 1974

Bem hajam

O Regime vai nu

As recentes notícias de que um ex-Primeiro Ministro pode vir a ser julgado por crimes de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de influências foi uma realidade que vai marcar negativamente este período do regime político em que vivemos, existem outras realidades que igualmente estão a marcar negativamente o regime político.

Mas concentremo-nos nesta que já é suficientemente grave.

Como sabemos um primeiro-ministro é nomeado por um partido/os político/os e não diretamente pelo voto dos cidadãos.

Compete a quem o nomeia cuidar de que a pessoa nomeada cumpre os requisitos e valores indispensáveis para não comprometer o cargo.

De igual modo os protagonistas que permitem e viabilizam a nomeação de um primeiro-ministro são responsáveis pelo desempenho do titular nomeado e em funções.

Esta é uma das essências do regime político atual: pessoas são eleitas para desemprenhar determinadas funções e são corresponsáveis pelos atos das pessoas que nomeiam.

Não querendo ficar responsáveis, muitas vezes cúmplices por omissão, têm o dever de se demarcar, denunciar e, em última instancia, revogar a nomeação que antes terão viabilizado.

É assim que a prática política deve funcionar: autoridade igual a responsabilidade igual a consequência.

Não é deste modo que a prática política do regime funciona.

Este regime tem vindo a ser, cada vez mais, dirigido por grupos de pessoas que se apropriam dos partidos do chamado “centrão”, vão tendo acesso ao poder á vez, nomeiam para os cargos do governo e outros quem entendem, tendencialmente os personagens da confiança e, quando algo corre mal e a justiça é chamada a exercer funções é simples, diz-se que á justiça o que é da justiça. Assunto arrumado e venha o próximo.

Não devia ser assim e esperemos que o fim esteja próximo.

Penso que a essência democrática nunca será posta em causa se for possível responsabilizar, exonerar e afastar da vida pública todos os personagens nomeados por outros personagens seus cúmplices ou não e que os personagens nomeantes sejam igualmente responsabilizados e desautorizados de viabilizar novamente seja quem for.

Tem de acabar esta realidade de a participação dos cidadão para o regime se reduzir a eleições de 4 em 4 anos votando em partidos políticos.

Ao fim destes anos todos desde o 25 Abril ficou por demais demonstrado que os partidos são compostos por pessoas honestas e corruptas, por espertos e tolos ou por inteligentes e ignorantes.

Ser militante de um partido ou amigo de um dirigente (os chamados independentes) por si só não é suficiente para se ser eleito ou nomeado para um qualquer cargo público e por maioria de razão para o cargo de primeiro-ministro.

É necessário que cada eleito ou nomeado seja rastreado quanto á sua competência, capacidade e responsabilidade, mas também quanto á sua pegada passada. Alguém competente mas desonesto não pode deter cargos públicos, assim como o inverso.

Um Primeiro Ministro deve exercer o seu cargo de forma Ética com Honestidade e Competência

CIdadão eleitor

É necessário também criar meios de verificar os métodos que os partidos usam para colocar os seus nomeados.

Os cidadãos nunca vão confiar nos políticos que protagonizam este regime: são muitos os exemplos de pessoas que desprestigiam os cargos para que são nomeados, ficam impunes e voltam a ser nomeados para outros cargos.

Quase sempre basta ter um cartão de partido ou ser amigo de alguém com poder no partido.

Este regime ter colocado como primeiro-ministro um personagem que no exercício das suas funções veio a ser indiciado por crimes públicos não foi uma exceção mas sim o expoente máximo de muitos e muitos casos criminosos ou não que vêm acontecendo ao longo de muitos anos.

Ou os partidos políticos nomeiam personagens, para representar o cidadão comum, competentes e com valores suficientes para nomear responsáveis públicos com iguais valores e quando erram assumem responsabilidades ou então será melhor mudar o sistema atual.

Invocar a Democracia para justificar o estado atual do regime político é uma ofensa aos democratas honestos, responsáveis e consequentes, já não colhe.

“Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários”

Maria José Morgado

Bem Hajam

O Centro, os Extremos e a UE

O centro político do PS, o PSD e o CDS, o extremo de esquerda do PCP, o BE e o extremo de direita do CHEGA são os principais atores da atividade política portuguesa. A EU começa (deseja-se) a ser o regulador desta atividade.

Nos anos que levamos do atual regime político, alguma propaganda sempre afirmou que o regime deveria ser protagonizado pelos partidos ditos ao centro, apoiada desde logo pelos diretamente interessados mas também por grupos e pessoas individualmente consideradas como a “inteligência”  e a dita “elite” do País.

Todas estas pessoas apoiadas nos partidos PS, PSD e a tempos CDS têm vivido num autêntico oásis de domínio, tráfico de influência, corrupção, uso indevido de recursos económicos e sociais.

Alguns dos protagonistas do século XXI

Alguns vão justificando como sendo efeitos colaterais ou os custos da democracia e assim vão vivendo com esta realidade e adiando o fim que esperemos esteja para breve.

Não sabemos qual a percentagem da população que se serve abundantemente e sem regra dos recursos de Portugal, mas sabemos que no todo da população é certamente uma percentagem pequena e que a grande maioria está como que aprisionada por este centro político que existe para se fartar a si próprio e aos seus.

O papel e intervenção dos extremos políticos, até á bem poucos anos exclusivamente de esquerda e, mais recentemente, também de direita tem historicamente uma atuação política exclusivamente de protesto contra o centro que tem dominado a vida politica nestes anos de democracia.

Alguns dos protagonistas do século XXI

Como os partidos radicais de esquerda têm programas e propostas politicas que a realidade demonstra não serem adequados ao tempo em que vivemos e ao espaço geográfico em que Portugal está inserido, por consequência têm eleitoralmente uma expressão pequena.

Os partidos radicais de esquerda nos últimos anos perderam a capacidade do protesto e o recente partido radical de direita está ainda num processo de implantação e afirmação de identidade naturalmente ainda com pouca influência.

Chegados aqui temos um regime democrático ocupado politicamente por partidos que dizem se posicionar ao centro político e que á vez vão governando e servindo-se a si próprios e aos seus comparsas dos recursos que a população em geral vai criando: são os partidos de poder

Temos também os partidos de extrema-esquerda e, agora, de extrema-direita que são votados a uma escassa expressão eleitoral e em que a sua voz só é útil para denunciar e protestar.

Sou céltico e parece que estamos bloqueados e votados como povo a um empobrecimento lento mas de sentido único.

No entanto devemos ter esperança no futuro e que algo aconteça e retire de cena esta política, estes dirigentes, estas sanguessugas que vêm, em nome de um interesse nacional, empobrecendo lentamente um País e um povo.

Felizmente que um outro parceiro, a UE, parece querer iniciar uma maior influencia no modo como Portugal e outros Países são governados.

O gigantesco financiamento com alguns fundos grátis e outros em condições consideradas muito vantajosas para Portugal vai ser, e bem, fiscalizado na sua execução pela própria UE. É uma imposição que visa garantir que estes fundos serão totalmente aplicados nos projetos que Portugal vai ter de apresentar para uma aprovação.

Assim, tudo parece que no futuro fundos que venham da EU para projetos e investimentos em Portugal, passarão a ser monitorizados diretamente pelas instituições da UE.

Responsáveis europeus atentos aos responsáveis portugueses

Sou crente e talvez que com estas decisões se inicie um processo de afastamento daqueles que desde á muitos anos se apropriam de muitos dos fundos que têm vindo da UE desde a adesão de Portugal.

Sou crente também que talvez com estas decisões se estanque e puna todos os que através de teias de tráfico de influências que sempre levam a más aplicações de fundos, com resultados indesejados e com prejuízo para os dinheiros dos contribuintes europeus enviados para Portugal.

São muitos milhares de milhões que têm sido entregues aos políticos da nossa terra e com insuficiente controlo por parte das entidades competentes. Sobram as denúncias, as evidências e os factos que suportam esta decisão da UE ter decidido que esta realidade deve terminar.

Bem sei que pelo meio deste lamaçal de má aplicação de fundos europeus, existem também investimentos bem-feitos, com resultados e protagonizados por pessoas sérias, interessadas no desenvolvimento e acima de tudo que respeitam os contribuintes europeus e os fundos que receberam e continuarão a receber. Mas esta realidade do cumprimento e das boas práticas é, ou deveria ser, o “normal”.

O que se espera da UE é que consiga ou imponha este ”normal” a todos os fundos que Portugal doravante vai receber independentemente dos fins a que se destinam.

Benvinda esta decisão da UE de impor regras e fiscalizar a aplicação de fundos. Talvez que no futuro se consiga o mesmo para Portugal. Deus queira.

Bem Hajam.